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Estado de Minas

Vídeo de beijo entre jovens em culto de Feliciano é divulgado por produtora

Na peça audiovisual é possível acompanhar o momento em que o pastor e deputado ordena que as estudantes sejam presas


postado em 18/09/2013 19:48 / atualizado em 18/09/2013 19:58

A duas jovens se beijaram, em protesto durante culto no litoral paulista(foto: WAPTV/ Reprodução)
A duas jovens se beijaram, em protesto durante culto no litoral paulista (foto: WAPTV/ Reprodução)
O vídeo do momento em que duas jovens se beijaram em protestos ocorrido durante evento evangélico realizado em São Sebastião, litoral norte de São Paulo, foi divulgado nessa terça-feira. A produtora responsável pelo registro do Glorifica Litoral postou em sua página o vídeo que mostra o momento em que as duas estudantes de 18 e 20 anos começaram a se beijar, logo que o pastor e deputado, Marco Feliciano (PSC), começou a falar (Veja o vídeo no final do texto). Na peça, é possível ver e ouvir a ordem que Feliciano dá aos policiais militares e agentes da guarda civil de prender as duas garotas. Para o evento, um forte esquema policial foi montado. O culto ocorreu na noite do último domingo.

"Essas duas precisam sair daqui algemadas", bradou Feliciano, sob aplausos dos evangélicos, que assistiram à cena por meio de dois telões. Do palco, o deputado instruía os policiais a localizarem as jovens em meio à multidão. “A Polícia Militar que aqui está, dê um jeitinho naquelas duas garotas que estão se beijando. Aquelas duas meninas têm que sair daqui algemadas. Não adianta fugir, a guarda civil está indo até aí. Isso aqui não é a casa da mãe joana, é a casa de Deus”, declarou.

Joana Palhares, 18, e Yunka Mihura foram cercadas, detidas e algemadas por guardas municipais e encaminhadas para o 1º Distrito Policial de São Sebastião. Elas foram liberadas após prestarem depoimento. A atitude gerou revolta em um grupo de 10 pessoas que acompanhava as duas jovens.

O advogado Daniel Galani, que representou as jovens, disse que irá formalizar uma denúncia contra o deputado na Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). "Foi uma afronta gravíssima aos direitos humanos e ao direito à livre expressão", avaliou. "Como o deputado tem foro privilegiado, vamos ver como a OAB pode interferir nesta questão".

Um boletim de ocorrência foi registrado pelas estudantes contra os guardas municipais que participaram da ocorrência. "Vamos apresentar também uma denúncia na corregedoria da Guarda Municipal para que apure o caso". Ainda segundo o advogado, as estudantes não mantêm relacionamento homoafetivo. "Apenas se beijaram para se manifestarem contra a posição preconceituosa do deputado".

"Perseguido"

Enquanto as estudantes prestavam depoimento na delegacia, Marco Feliciano condenou a atitude das estudantes. Com todo o público a seu favor, disparou críticas contra as jovens e seus respectivos pais. "O que pensam os pais dessas meninas que vêm a um culto para beijar outra mulher? Esses baderneiros terão o troco no ano que vem, pois seremos a maior bancada evangélica da história no Congresso".

Feliciano também criticou a imprensa. "Se os jornais publicarem matérias e derem razão para esses baderneiros, vou convocar uma grande manifestação nas portas desses jornais para protestarmos na próxima terça-feira". Ele se disse "perseguido" e "humilhado" pela mídia.

Em sua conta pessoal no Twitter, Feliciano postou três mensagens em que apenas transcreve o art. 208 do Código Penal Brasileiro. "Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso: pena detenção, 1 mês a 1 ano ou multa. P.U. Se há emprego de violência, a pena aumenta de 1/3, sem prejuízo da correspondente à violência", escreveu o deputado.

Assista ao vídeo do protesto:


Com Agência Estado


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