Aécio Neves no comando do PSDB; senador será futuro presidente do partido

Senador mineiro já tem agenda acertada, a começar por São Paulo, para buscar um consenso nacional em torno do seu nome e da sua pré-candidatura à Presidência da República em 2014

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postado em 16/01/2013 06:00 / atualizado em 16/01/2013 07:02

Bertha Maakaroun

O senador Aécio Neves (PSDB) será o futuro presidente nacional do partido. Embora com o apoio da maior parte da bancada federal e de caciques da legenda, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o ex-senador Tasso Jereissati (CE), o presidente nacional do partido, deputado Sérgio Guerra (PE), e dos governadores tucanos, o mineiro quer ser resultado de um consenso construído a partir do diálogo com nomes de todas as regiões do país.

Ele já tem agendada ainda este mês uma conversa com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). Depois do paulista, Aécio continuará alinhavando ao Sul, Norte e Nordeste. É objetivo repetir o modelo que o elegeu em 2002 ao governo de Minas, em que em articulação ampla reuniu extenso leque de apoios, a começar pelo então governador Itamar Franco, que deixara o PMDB em decorrência de atritos com o então vice-governador Newton Cardoso (PMDB).

Além de nome que unifica o partido, Aécio é a cara do “novo” e, como pré-candidato à sucessão de Dilma Rousseff (PT), poderá, à frente do PSDB nacional, ganhar visibilidade e fazer o debate dos grandes temas. Além da mídia espontânea que vem a reboque das questões do debate, Aécio terá espaço nos programas do partido, que serão exibidos em 30 de maio e em 19 de setembro, além dos oito dias de inserções de 5 minutos diários. “Ele ficará senhor do tempo e do conteúdo, podendo administrar o tom para a construção do projeto alternativo”, considera o presidente estadual do PSDB, Marcus Pestana, lembrando que, embora a tradição não seja aplicável ao Brasil, no parlamentarismo europeu são os porta-vozes dos partidos os futuros candidatos a primeiros-ministros.

O nome de Aécio vem ganhando corpo dentro do PSDB já há algum tempo, mas foi sobretudo a partir do segundo semestre do ano passado, no momento em que havia forte cobrança de falta de projeto de poder das oposições, que se explicitou o consenso entre os líderes tucanos, à exceção do grupo do ex-governador José Serra. No fim do ano passado, em jantar com integrantes da bancada de deputados, Aécio ouviu o pedido para que assumisse o comando da legenda.

Entre o Natal e o ano-novo, mais um gesto de que o senador mineiro vai mesmo assumir a direção nacional do partido, passo para a construção de sua pré-candidatura ao Planalto. Dando sequência a uma série de encontros com economistas ligados ao PSDB – com os quais tem definido o tom do debate –, Aécio se reuniu, em seu apartamento no Rio de Janeiro, com Fernando Henrique Cardoso; com o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan; o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga; e Edmar Bacha, um dos formuladores do Plano Real.

“Aécio sempre deu valor ao tempo na política. Sabe o tempo de se lançar”, afirmou ontem Danilo de Castro, secretário de Estado de Governo. Opinião semelhante manifesta Marcus Pestana, para quem, sendo a convenção nacional do PSDB em maio, não há necessidade de se precipitar. “Aécio vai na última semana deste mês retomar a conversa com Geraldo Alckmin para a construção do projeto de êxito”, ressalta Pestana. O senador estará em viagem de férias fora do país pelos próximos dias, com a filha, Gabriela.

Não à toa a conversa inaugural de Aécio Neves sobre a Presidência do PSDB será com o governador paulista. É necessário consolidar a aliança entre Minas e São Paulo, considerado o “parceiro” mais importante, para o projeto de “consenso partidário”.

Embora já explicitado o apoio a Aécio pelos demais governadores tucanos, Teotônio Vilela (AL), Marconi Perillo (GO), Simão Jatene (PA), Beto Richa (PR) e Anchieta Junior (RR), além de Antonio Anastasia (MG), Aécio voltará a visitá-los. Já com a bancada federal, a relação é boa. Marcus Pestana lembra que a bancada mineira do PSDB, por orientação de Aécio, inclusive, cedeu a liderança do partido na Câmara ao deputado federal Carlos Sampaio (SP) a partir deste ano. “A bancada de Minas acabou de fazer gesto em direção a São Paulo. A vaga de líder era de Minas, por acordo interno. Mas abrimos mão para eleger o Carlos Sampaio”, explica. “Não estamos nem na Guerra dos Emboabas nem na Revolução de 32. A questão não é regional de Minas versus São Paulo. O que nos move é um projeto alternativo com viabilidade para esgotar o modelo do lulopetismo”, acrescenta Pestana.

"Eu cumprirei meu papel como sempre cumpri. (…) Eu vou cumprir meu papel seja ele qual for, só não vou antecipar etapas"

Aécio Neves, senador, em 3/12/12, ao ter seu nome lançado tanto para a presidência do partido quanto para a Presidência da República

Cadeia nacional

Datas dos programas e inserções do PSDB este ano

30 de maio e 19 de setembro
No rádio: 20h às 20h10
Na TV: 20h30 às 20h40

Dez inserções de 30 segundos por dia em:
18, 21, 25 e 28 de maio
10, 21, 26 e 28 de setembro

Fonte: TSE
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