
A própria Praça Raul Soares, que ocupa uma área de 15 mil metros quadrados, saiu do papel quase quatro décadas depois de desenhada por Aarão Reis. Mas o tempo não impediu que o espaço, batizado em homenagem à memória do jurista e governador morto durante o mandato, fosse uma espécie de testemunha do crescimento da cidade. Em 1951, por exemplo, a praça viu surgir, em um das diversas esquinas que a contornam, o Cine Candelária.

Doze anos depois, as ruínas continuam lá, diante do Edifício JK, projetado em 1952 por Oscar Niemeyer (1907-2012). O condomínio é formado por dois prédios. O mais alto tem 36 andares. O outro, 23. Espigões, aliás, rodeiam a praça, em um cenário bem diferente do que havia quando da inauguração. Na primeira metade do século passado, a Raul Soares tinha apenas construções baixas como vizinhas.

Um dos que têm o lugar como passagem obrigatória é o advogado Robert Laviola, de 53 anos. “Minha convivência com a praça supera 45 anos. Meu escritório é aqui perto. Além disso, meu avô tinha uma banca no Mercado Central. É um lugar bonito, mas deveria ser mais bem cuidado”, disse. A opinião é compartilhada pela autônoma Leila de Jesus. “Passo aqui para comprar mercadorias no Barro Preto. É um espaço bonito, mas algumas coisas têm que mudar”, defendeu.
Robert e Leila se referem, sobretudo, à questão dos moradores de rua. Os jardins da Raul Soares, inspirados em praças da Europa, foram ocupados por dezenas de pessoas. Algumas dormem em colchões sobre o gramado, e usam os arbustos para secar roupas lavadas na fonte, em um quadro que desafia as normas urbanas e expõe os sem-casa a condições degradantes.

Saiba mais: Raul Soares de Moura
Nascido em 1877 em Ubá, na Zona da Mata, estudou em Mariana, Ouro Preto e Barbacena. Formou-se em direito em São Paulo. De volta a Minas, foi promotor de Justiça e delegado. Foi ainda o primeiro civil a se tornar ministro da Marinha. Também ocupou cadeira no Senado. O cargo de maior destaque de Raul Soares, contudo, foi o de presidente de Minas Gerais, posto que hoje equivale ao de governador. Não cumpriu todo o mandato, pois, dois anos depois, em 1924, faleceu em razão de problemas cardíaco.
