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Prefeitura transforma passeata favorável à Samarco em dia letivo

Ideia foi do prefeito Duarte Júnior, que reclama perdas de arrecadação e pede a participação de todos os moradores de Mariana

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postado em 10/03/2016 19:07 / atualizado em 11/03/2016 08:36

Daniel Camargos /

Professores e estudantes de Mariana, na Região Central do estado, receberam mensagem de celular da Secretaria Municipal de Educação convocando-os a participarem de uma passeata favorável à mineradora Samarco. A convocação provocou revolta nos docentes, que não concordam com a postura do poder municipal. A passeata será realizada no próximo sábado, às 9h, saindo da Arena Mariana em direção ao Centro da cidade.

“Informamos que esse dia compensará o sábado letivo previsto para o dia 21 de maio, conforme consta no calendário. Lembramos que este dia refere-se a uma quarta-feira, portanto, os professores deste dia é que deverão comparecer. Caberá à equipe diretiva da escola mobilizar a participação de todos os funcionários e alunos”, informa a mensagem enviada pela Secretaria Municipal de Educação.

A Secretaria também divulgou um documento detalhando quantos alunos devem ser levados de cada escola e destacando que os estudantes irão receber lanche antes do protesto. Veja a íntegra do ofício abaixo.

O prefeito de Mariana, Duarte Júnior, disse que a ideia de chamar os professores para a manifestação foi dele. “Com a paralisação das atividades da Samarco, a arrecadação caiu quase R$ 5 milhões por mês. Estamos entrando em uma situação de desespero, ainda mais com a economia cada dia pior”, explica o prefeito.

Na análise do chefe do Executivo, a queda de arrecadação é um problema que deve ser encarado por todos os moradores de Mariana. “Sugeri que fosse considerado dia letivo, pois é um ato a favor da cidade”, justifica.

O coletivo #UmMinutodeSirene divulgou uma moção de repúdio: “Não se trata de um mero convite, de caráter opcional, mas de uma convocação, à qual não se pode dizer não. A situação se agrava mais ainda porque todos os diretores das escolas são nomeados via cargos de confiança, luta que a educação em Mariana ainda não conseguiu vencer. É direito do cidadão o livre arbítrio para decidir como se posicionar”.

O rompimento da Barragem do Fundão, da Samarco, em novembro do ano passado matou 18 pessoas e deixou uma desaparecida. A lama de rejeitos devastou distritos, poluiu toda a Bacia do Rio Doce, provocou colapso no abastecimento de água de diversas cidades e atingiu o Oceano Atlântico. O desastre é considerado a maior tragédia socioambiental do Brasil.

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação
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Jéssica
Jéssica - 11de Março às 19:23
A população marianense está sendo convocada para "passeata pelo retorno das atividades da Samarco", é isso mesmo produção?! Se vista de branco e venha marchar pela "empresa" responsável pela maior tragédia socioambiental do nosso país, pois é claro: a produção e acumulação não podem parar... E você, professor, tem a obrigação de estar presente e levar os seus alunos, pois além de dia letivo isso faz parte do seu papel educativo, isto é, ensinar desde já quem e o que realmente importa neste sistema em que vivemos. Já que as populações e o meio ambiente atingidos por esse modo de produção desenf
 
SERGIO
SERGIO - 11de Março às 08:08
Pagar essa mixaria de royaltie é que é uma vergonha... Perto do prejuízo que causam é uma gorjeta pra o Estado e pra o povo que sofre com as consequências...
 
SERGIO
SERGIO - 11de Março às 08:07
É a famosa mentalidade de escravo... Ou seria síndrome de Estocolmo? A Samarco não demonstrou qualquer respeito e cuidado pela população debaixo das suas barragens e agora tem o apoio deles depois dessa tragédia mundial!? A arrecadação caiu? Cadê as multas contra a Samarco pra sanar as perdas, então?
 
MARCELO
MARCELO - 10de Março às 21:24
É lógico que há interesse de grupos e pessoas que nunca foram a esses locais, nem sabiam que existiam , não sabem ,também, que a samarco é que dá vida financeira aos municípios, sem ela, os municípios deixam de existir, não obstante as responsabilidades que ela tem a pagar.