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Rejeitos de minério matam aves e toneladas de peixes no Rio Doce

Morte de aves na foz do curso d'água, contaminada por rejeitos de minério, acende alerta entre ambientalistas. Análises devem mostrar se causa foi envenenamento ou fome

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postado em 27/11/2015 06:00 / atualizado em 27/11/2015 07:32

(Fotos: Leandro Couri/EM/D.A Press - Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press - 7/7/15)

Linhares (ES) – A lama de rejeitos de mineração que inviabilizou a captação e uso de água ao longo do Rio Doce, matou pelo menos 11 toneladas de peixes e ameaça animais terrestres atingiu também pássaros. Pelo menos 13 exemplares de aves foram encontrados mortos no estuário de Regência Augusta, distrito do município de Linhares (ES), onde o Rio Doce deságua no mar. Autoridades suspeitam de que a mortandade esteja associada à contaminação das águas do rio e do mar pelos detritos de mineração que vazaram no último dia 5 da Barragem do Fundão, da Samarco, em Mariana, na Região Central de Minas. De acordo com a Reserva de Comboios, do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), foram encontradas mortas aves marinhas e migratórias, como as andorinhas.

Os animais já vinham sofrendo com a formação de uma barreira de areia na foz do Rio Doce, ocasionada pelo assoreamento que o curso d’água sofre, provocado por desmatamentos e queimadas, como mostrou o Estado de Minas há cinco meses, na série de reportagens “Amarga agonia”. “Se a nossa preocupação antes era com a possibilidade de a interrupção da foz trazer morte de espécimes, redução da reprodução e aumento da concentração de poluentes, agora tememos por toda a vida que está no meio da lama, pois não sabemos sua composição e o efeito que a deposição vai causar”, afirma o  vice-presidente do Comitê de Bacia da Foz do Rio Doce, Carlos Sangália.
Leandro Couri/EM/D.A PRESS

Atualmente, o Rio Doce deságua no mar a um quilômetro do ponto original, em local que vem sendo alargado por máquinas a serviço da Samarco, para dar mais velocidade à lama, na expectativa de que se dilua mais rápido no mar. Agora, a região onde a foz foi interrompida está ainda mais descaracterizada pelo derramamento de lama. O impacto sobre os animais é observado na praia. Ontem, dezenas de aves que se alimentam de invertebrados e moluscos trazidos pelas ondas vermelhas até a costa, como a andorinha-do-mar, mergulhavam nas águas turvas onde caçavam seu alimento, assim como outros pássaros. “Não sabemos se a lama trouxe contaminação. Por isso, o perigo de estar misturada ao mar e se depositando no rio na parte barrada pelo assoreamento”, afirma Antônio de Pádua Almeida, chefe da Reserva de Comboios, do ICMBio.

De acordo com Almeida, há duas suspeitas iniciais para a morte dos pássaros em Regência. “Podem ter sido intoxicados por algum componente da lama ou podem ter adoecido e enfraquecido por falta de alimento, já que a coloração intensa da água os impede de enxergar as presas de que se alimentam”, disse. Ontem, a Polícia Federal iniciaria exames de laboratório nos animais mortos para saber se foram envenenados ou morreram de fome.

Preocupados com o avanço da mancha sobre o oceano e as praias, índios de tribos próximas a Regência foram ontem à foz do Rio Doce com representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai) para ver de perto os estragos. “Para nós, que vivemos da terra e da pesca artesanal, essa lama é um desastre. Para o índio, que é amigo da natureza, perder essas atividades é como se tirassem tudo da gente. Ver o rio assim é como se nos dessem a lama para beber ou matassem um pedaço de nós”, disse Luiz Mateus Barbosa, de 42 anos, liderança da aldeia de Comboios, separada por apenas 10 quilômetros de praias contaminadas.

Em sobrevoo realizado ontem, técnicos do Instituto Estadual do Meio Ambiente do Espírito Santo (Iema) identificaram que a mancha se deslocou 10 quilômetros na costa em direção ao sul, seis quilômetros mar adentro e 22 ao norte da foz do Rio Doce. O deslocamento recebe influência do comportamento das ondas e da direção do vento.

VIDA DIZIMADA
 

Técnicos do Ibama estimam que o desastre tenha matado o equivalente a 11 toneladas de peixes no Rio Doce, considerados os trechos de Minas e do Espírito Santo. O instituto não detalhou o percentual por espécie, mas avaliou que 7% eram endêmicas da Bacia do Rio Doce. O volume de peixes mortos, contudo, pode ser maior, uma vez que a projeção não leva em conta impactos nos rios Gualaxo do Norte e do Carmo, ambos com todo o leito em Minas, e também invadidos pelo minério.

 

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