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Acesso a Bento Rodrigues é totalmente fechado por risco de rompimento de outra barragem

Segundo o tenente Sebastião Nogueira, da PM, a zona de segurança foi ampliada de três para dez quilômetros, pois "barragem Germano trincou e há risco de rompimento"

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postado em 11/11/2015 10:45 / atualizado em 12/11/2015 19:21

João Henrique do Vale , Valquiria Lopes , Pedro Ferreira


O medo de uma nova tragédia em Mariana, na Região Central de Minas Gerais, voltou à tona na manhã desta quarta-feira. A área de Bento Rodrigues, a mais atingida pela lama que desceu das duas minas da Samarco, está condenada e o acesso ao distrito foi completamente bloqueado por policiais militares. Segundo o tenente Sebastião Nogueira, do Batalhão de Choque da 3ª Companhia de Missões Especiais de Lagoa Santa, a zona de segurança foi aumentada de três para dez quilômetros, pois “a barragem Germano trincou e há risco de rompimento”. A Samarco informou que faz obras para dar mais estabilidade à mina. Diante do problema, o Corpo de Bombeiros mudou estratégia das buscas por causa dos riscos.

Moradores foram surpreendidos pela notícia quando seguiam para o distrito para pegar animais de estimação e documentos nas casas, abandonadas por eles às pressas no momento da passagem da enxurrada de rejeitos de mineração. “Pessoal, infelizmente tenho uma notícia ruim para dar para vocês. Com o rompimento da Barragem de Fundão, a Barragem de Germano trincou a parede de sustentação. A empresa está fazendo um reparo. Portanto, não vai haver mais descida de pessoas a Bento Rodrigues. Neste momento temos que preservar a vida humana. Se permitirmos que pessoas desçam lá, talvez não voltam mais”, disse o tenente Nogueira.

De acordo com o militar, os bombeiros estão com uma equipe de 10 homens e sete cães no local. Uma aeronave está de prontidão para fazer o resgate deles caso necessário. “Peço desculpas a vocês, mas conto com a compreensão de todos. Porque, a partir de agora, essa barreira (bloqueio) vai ser transferida até o final do asfalto, em Santa Rita Durão”, afirmou. O bloqueio antes era feito por militares a uma distância de três quilômetros do distrito. Agora, será realizado a 10 quilômetros.

Durante a conversa com os moradores, o tenente afirmou que se a barragem estourar, a lama pode subir acima de postes de iluminação. “Bento Rodrigues está condenada por pelo menos 30 dias. Não há como mensurar quando esta situação vai acontecer”, comentou Nogueira. Segundo ele, o povoado de Paracatu de Baixo já foi totalmente evacuado. Outros distritos abaixo de Bento Rodrigues estão em alerta.

Ao receber a notícia, a aposentada Maria do Carmo, de 68 anos, quase desmaiou. Ela começou a passar mal e chorar. Moradora de Bento Rodrogues, teve que sair às pressas no momento do acidente. Hoje era a primeira vez que tentava voltar para a residência, mas acabou barrada pelo bloqueio. “Essa situação está muito difícil. Não estou dormindo, perdi dois quilos e estou com o emocional abalado. Ia voltar em casa para buscar documentos e papeis de médicos que preciso consultar. Porque tenho asma. Esperamos uma solução para tudo isso”, desabafou. Segundo a moradora, ela e o marido, Benedito Valadares, 73, estão hospedados na casa do genro, Elias Paulo Lobão, que é operador de máquinas.

Alexandre Guszanshe/EM/D.A.Press


A lavradora Maria das Graças Barbosa também tentava voltar para Bento Rodrigues na tentativa de localizar a cachorrinha dela. “Minha casa foi levada. Era uma casa boa, toda murada. Não sobrou nada”, lamentou. Segundo ela, o genro dela, que trabalha na área da barragem, a avisou sobre o problema. No momento do acidente, estava indo tomar banho e teve que sair correndo do imóvel.

Mudança nas buscas

Por causa do risco da barragem ceder, a estratégia de buscas do Corpo de Bombeiros foi mudada. “A empresa detectou uma necessidade de uma intervenção no dique da represa. Em decorrência dessa intervenção, medidas de segurança estão sendo adotadas. Continuamos as buscas, mas em cotas mais altas. Em um nível mais alto do terreno. Também estamos utilizando o sistema de alerta”, comenta o major Rubem da Cruz, da comunicação do Corpo de Bombeiros. Segundo o militar, caso não seja feita essa intervenção, haveria risco da Germano ceder.

O diretor da integração da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), coronel Marcelo Vladimir Corrêa, disse que as trincas na barragem de Germano foram discutidas nas reuniões de terça-feira no posto de comando unificado formado por representantes da Defesa Social, Bombeiros, Polícia Militar, Polícia Civil e engenheiros da Samarco. Segundo ele, as avarias estão sendo avaliadas. As trincas teriam 2 milímetros de deslocamento. “As buscas não foram suspensas. Foram realocadas por uma nova estratégia de atuação dos bombeiros e da Samarco por causa dessas trincas”, afirmou Corrêa.

O Superintendente da Defesa Civil de Minas Gerais minimizou os riscos do rompimento. "Existe o treinamento na barragem do germano. Teve lá um tremor de terra de 2.1 graus ontem, por isso foram retiradas as pessoas que estavam na frente. Engenheiros estão avaliando as rachaduras e providenciando reforço. As possibilidades de rompimento são mínimas, mas mesmo assim, já está feito o reparo desta estrutura."

Posição da Samarco

Em nota, a Samarco afirmou que entre as medidas adicionais de monitoramento e segurança que a empresa vem tomando, nesta quarta-feira será iniciada uma mobilização para realizar intervenções nas estruturas remanescentes das áreas de barragens, “as quais irão proporcionar maior grau de estabilidade, mitigando efeitos decorrentes do rompimento e prevenindo eventuais problemas futuros”.

Por causa disso, afirmou que as autoridades competentes recomendam a restrição do acesso à área impactada.

 

 

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação
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Samuel
Samuel - 11 de Novembro às 13:09
Nós sabemos que acidentes podem ocorrer, mas o nível, a proporção da catástrofe causada por esse acidente é muito grande, e o que mais me preocupa, é se os responsáveis sendo culpados ou não irão realmente pagar por isso.
 
José
José - 11 de Novembro às 12:54
Hora de solidariedade às vítimas.
 
watchtowerbrasil
watchtowerbrasil - 11 de Novembro às 12:20
A legislação apenas retrata a famosa "vista grossa" feita pelo governo sobre essas empresas que, além de injetarem um grande valor em dinheiro em suas campanhas, geram impostos, porém a degradação ambiental e os riscos são esses que estamos vendo. O prefeito de Mariana está mais preocupado com os impostos que deixará de arrecadar, do que com o cenário que ficará eternamente ali naquela região e nos rios por que passaram a lama tóxica e detritos. O dinheiro, infelizmente, é quem dita as regras, e essas são feitas de acordo com a integridade daqueles que o governam, no nosso caso..... nenhuma.
 
Gerson
Gerson - 11 de Novembro às 12:09
Uma das primeiras providencias que já deveriam realizar era a analise da barragem de contenção que permaneceu nas partes superiores da mina e executar uma vistoria cautelar minuciosa com colocação de sensores e instrumentação por meio de piezômetros para identificar as pressões máximas no barramento. A rachadura encontrada pelos bombeiros deverá ser vistoriada para verificar a sua posição quanto a identificação da cunha da provável cunha de ruptura do maciço e desta forma por meio de calculo de estabilidade avaliar se a mesma encontra-se em processo de desabamento iminente.
 
Marco
Marco - 11 de Novembro às 11:40
NADA ESTÁ TÃO RUIM QUE NÃO POSSA PIORAR; graças às nossas autoridades e políticos incompetentes que fizeram toda essa "caca" acontecer. Liberem mais mineração e barragens sem controle de fiscalização!!! FEAM, órgão ridículo e sem técnicos competentes p/ fiscalização, cabide de empregos. Não respeitam vidas ou foram muito inocentes? Agora CHUPEM ESSA MANGA!
 
Gilson
Gilson - 11 de Novembro às 11:15
Escrever é uma arte. Aqueles que informam a noticia via jornal impresso ou editado devem acima de tudo escrever a noticia de forma mais correta possível. Por exemplo Bento Rodrigues é um distrito da cidade de Mariana ou é uma cidade. Fica feio para um jornal chamado Estado de Minas uma noticia na qual não se sabe diferenciar uma cidade de um distrito. Por isso faz-se necessário antes de editar a matéria ler o conteúdo escrito.