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Segurança em grandes mineradoras ganha atenção após desastre em Mariana

Redução do número de mortes em acidentes em mineradoras pode ter colaborado para complacência em questões de segurança, aponta especialista

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postado em 08/11/2015 20:02 / atualizado em 10/11/2015 12:36

Agência Estado

A pequena alta nas fatalidades veio apesar dos esforços em redução de mortes nos últimos anos. Grandes minas fortemente mecanizadas diminuíram a força de trabalho e permitiram uma queda consistente na frequência dos acidentes. As empresas tem demonstrado interesse em compartilhar conhecimento sobre segurança, estabelecendo padrões globais. Também tem havido a inclusão de métricas de segurança entre os elementos de cálculo para os bônus de executivos.

Apesar disso, há um risco de que os sucessos recentes tenham criado uma certa complacência, diz David Cliff, professor de saúde ocupacional e segurança na mineração na universidade Queensland, na Austrália. Em um artigo, ele afirmou que a pressão para que as minas aumentem a produtividade e reduzam mão de obra pode "levar a reversão na cultura de melhoria da segurança".

Na BHP, a alta recente em acidentes fatais levou a três meses de estudos nos quais a companhia pediu informações aos funcionários sobre quais deveriam ser as prioridades da empresa em segurança nos próximos dois anos. A companhia, porém, reporta apenas fatalidades nas operações que ela mesma opera, algo comum na indústria. A Samarco opera de forma independente, embora tanto a BHP como a Vale sejam membros do Conselho de Administração.

Para algumas mineradoras, os acidentes estão relacionados aos países onde elas operam. A Glencore alega que a maioria das fatalidades que ocorreram na empresa no ano passado ocorreram em "geografias desafiadoras, que não tinham cultura de segurança" antes da companhia assumir.

O calcanhar de Aquiles na segurança da Anglo American há muito tempo tem sido sua mina de platina na África do Sul, onde ocorreram metade das fatalidades que a empresa reportou no ano passado.

A maioria dos acidentes de mineração ocorrem, porém, em minas fora do controle das grandes empresas. Foi o caso do acidente com os 33 mineiros chilenos que ficaram presos por 69 dias. A mina era gerida por uma pequena empresa chilena, a Compañia Minera San Esteban Primera.

A China continua a reportar uma série de acidentes fatais na mineração. Apesar disso, o número de mortes relacionadas a minas de carvão caiu no último ano segundo o governo. Os casos fatais foram menos de 1 mil em 2014 quando em 2002 chegaram a haver quase 7 mil mortes.

Nos Estados Unidos, acidentes fatais na mineração subiram de 42 em 2013 para 45 ano passado. Este ano, os acidentes estão abaixo desse nível, com 25 mortes registradas até o dia 6 de novembro.
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