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Procura por poços artesianos cresce com medo da falta d'água

O poço é permitido para qualquer cidadão, mas a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável observa que é necessária a regularização ambiental

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postado em 28/01/2015 06:00 / atualizado em 28/01/2015 07:17

Luciane Evans /

RAMON LISBOA/EM/D.A PRESS
Com o medo da falta d’água, moradores das áreas nobres de Belo Horizonte entraram na corrida pelo poço artesiano, pagando alto por perfuração e manutenção. Com a capacidade para captar de 2 mil litros a 30 mil litros de água por hora, a alternativa começou a ser vista como salvação diante de um possível racionamento. Segundo empresas do setor, a procura aumentou, em média, 60% desde o fim de 2014. Com a alta demanda, o custo para a perfuração subiu cerca de 15%, passando de R$ 87 mil para R$ 100 mil.

O poço é permitido para qualquer cidadão, mas a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) observa que é necessária a regularização ambiental. De acordo o órgão, há em Minas 5.206 outorgas vigentes para captação subterrânea. Com o crescimento da procura, a autorização está cada vez mais difícil. “Até o ano passado, demorava de 30 a 60 dias, mas tem sido de 60 a 90”, comenta um dos sócios da Hidropoços, Frederico Hermeto Salles. “Muitos estão pedindo para não usar essa autorização, mas não podemos. A fiscalização é rigorosa”, diz Arthur Pereira Melgaço, sócio Água & Poços, há 22 anos no mercado. Segundo a Semad, em 2014 houve 8 mil autuações, gerando R$ 1 milhão em multas.

Valores

Conforme Salles, em 90% dos casos o tipo de poço mais usado é de 100 metros de profundidade e custa, em média, R$ 30 mil. Porém, o valor depende da região. Em Nova Lima, na Grande BH, por exemplo, é mais alto, por causa do solo de minério: R$ 100 mil, 15% a mais do que no ano passado.

Mesmo com esses valores, Salles conta que o serviço aumentou cerca de 50% e tem sido mais voltado para quem mora em condomínios em Nova Lima, no Belvedere, e também na Pampulha.

Em Nova Lima, a síndica profissional do condomínio Monticiello, Kátia Laktin, conta que em fevereiro terá reunião com os moradores para acertar a perfuração. Moradora de um condomínio na Avenida Alameda da Serra (188 apartamentos, cerca de 800 pessoas), também em Nova Lima, ela foi síndica e, no ano passado, optou pelo poço, ao custo de R$ 108 mil. “O consumo é de 6 milhões de litros por mês. Antes, o condomínio pagava R$ 45 mil de água. Como não consumimos mais da Copasa, tem sido cobrado pelo esgoto algo em torno de R$ 23 mil”, conta, e completa: “Aqui, a água nunca vai nos faltar.”

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação
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Marcos
Marcos - 28 de Janeiro às 11:58
A propósito, sempre achei um absurdo pagar pelo esgoto a mesma coisa que pago pela água. É desproporcional em termos de custo!
 
rogerio
rogerio - 28 de Janeiro às 10:26
Se esta água é do subsolo, e este é um bem da União e não dos proprietários de imóveis, deveria haver autorização do DNPM, certo? E cada habitante, em tese, deveria ter direito a uma 'cota' dessa água, certo?
 
Ramon
Ramon - 28 de Janeiro às 09:15
A economia dela é o dinheiro e não a água !
 
rogerio
rogerio - 28 de Janeiro às 09:11
E o lençol freático, que abastece as nascentes, como fica?
 
Roberto
Roberto - 28 de Janeiro às 09:09
As empresas de perfuração de poços não informam aos seu clientes que para fornecer a água para consumo humano é necessário atender a Portaria do Ministério da Sáude nº 2914 DE 12/12/2011, que dispõe sobre os procedimentos de controle e de vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade. Com isso, se coloca em risco a saúde de várias pessoas, pois há estudos que tratam dos riscos de contaminação do lençol freático em Belo Horizonte.