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Polícia investiga se assassinato de fiscal da PBH está ligado ao trabalho O crime ainda é um mistério para a família. Polícia já descartou hipótese de latrocínio (roubo seguido de morte)
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Andréa Silva - Aqui

Valquiria Lopes

Publicação: 19/02/2014 06:00 Atualização: 19/02/2014 07:09

Iorque Barbosa Júnior trabalhava havia 22 anos no setor de impostos (Facebook/Reprodução da internet
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Iorque Barbosa Júnior trabalhava havia 22 anos no setor de impostos

Uma rotina destruída por sete tiros. Funcionário da Prefeitura de Belo Horizonte, Iorque Leonardo Barbosa Júnior, de 42 anos – 22 deles no cargo de auditor fiscal de tributos –, foi executado na manhã dessa terça-feira, a cerca de 200 metros do prédio onde morava, no Bairro Padre Eustáquio, Região Noroeste da capital. Quando ele seguia para o trabalho, na esquina das ruas Curupaiti e Lorena, por volta das 7h, um homem o chamou pelo nome e atirou. Todos os disparos acertaram a cabeça de Iorque, que morreu no local. O assassino foi visto correndo e entrando em um Renault Scénic de cor grafite, ocupado por mais dois homens. O crime ainda é um mistério para a família, mas a Polícia Civil não descarta a possibilidade de o homicídio ter sido motivado por vingança relacionada ao trabalho da vítima.

Entre as linhas de investigação, a possibilidade de latrocínio (roubo seguido de morte) foi descartada, segundo o delegado Rodrigo Bossi, da Delegacia de Homicídios Noroeste. “O autor do crime fugiu sem levar os pertences da vítima. Além disso, a quantidade de disparos caracteriza uma execução”, afirma. Segundo o policial, os envolvidos conheciam a rotina da vítima, o horário em que saía de casa diariamente e o percurso que fazia para pegar o ônibus da linha 4111 (Dom Cabral-Anchieta). De acordo com a polícia, Iorque tinha carro, mas preferia ir trabalhar usando o transporte público. Colegas de trabalho do auditor ainda serão ouvidos, segundo o delegado.

Próximo ao corpo de Iorque foi encontrada uma bolsa com documentos e pertences pessoais dele, como roupas e um par de tênis. A bolsa foi entregue à mulher do funcionário público, A.L.P.L., de 41, uma policial civil do Departamento Estadual de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG). Ela estava em casa quando recebeu a notícia de que o marido havia sido assassinado.

Investigadores da Divisão de Crimes contra a Vida (DCcV) estiveram no local e analisaram as imagens das câmeras de monitoramento de imóveis próximos ao local da execução. Segundo o delegado, as filmagens mostram a vítima passando a pé pela Rua Curupaiti, a caminho do ponto de ônibus na Rua Ressaca. Iorque seguiria para a Secretaria Municipal da Fazenda, no Centro, mas ao passar por um homem moreno claro, de boné, camisa polo preta, bermuda e tênis, que o aguardava na esquina, foi assassinado. Apesar dos detalhes, as imagens não mostram o exato momento do crime. Enquanto o assassino estava de tocaia, os comparsas despistavam, fingindo olhar o motor do Scénic, estacionado na Rua Lorena.

Vizinhos relataram à Polícia Militar que o matador fugiu em direção ao carro logo após atirar, embarcando no banco de trás. O mesmo veículo havia sido visto desde o início da manhã, circulando nas imediações do prédio da Rua Cumbi onde o auditor e a mulher moravam havia quatro meses.

A família de Iorque ainda busca uma explicação para o crime. De acordo com a sogra dele, a aposentada L.P.L., de 75, o genro não havia relatado ameaças ou qualquer desentendimento relacionado ao trabalho. “Estamos todos em choque. Não podemos imaginar por que ele foi morto, vamos aguardar as investigações.” Ela também descartou que a filha, agente da Polícia Civil, estivesse sofrendo algum tipo de pressão. O enterro do auditor está previsto para hoje, no Cemitério São João, no município de Mário Campos, Grande BH, onde a família tem um jazigo.
Moradores do Bairro Padre Eustáquio estão assustados com a violência. Uma idosa de 78 anos, que mora a poucos metros do local do crime, disse ter ouvido os tiros e, quando saiu para ver o que tinha ocorrido, populares tentavam socorrer a vítima, que morreu antes da chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). “Moro aqui há 10 anos, minha casa já foi assaltada e a do vizinho do lado, também. Um assassinato assim, tão perto, deixa a gente com mais medo.”

Em nota, a prefeitura lamentou a morte do auditor fiscal e informou que vai aguardar o resultado da investigação policial e o esclarecimento sobre circunstâncias e motivação do crime. De acordo com a administração municipal, Iorque atualmente trabalhava como gerente de nível 1 da Gerência de Tributos Imobiliários, subordinada à Secretaria Municipal Adjunta de Arrecadações. Ele substituía um colega, função que ocuparia até hoje.

Assassinato em três atos
Veja como foi a emboscada que matou o servidor da Prefeitura de Belo Horizonte

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- Por volta das 7h, o auditor fiscal de tributos da PBH Iorque Leonardo Barbosa Júnior, de 42 anos, sai de casa, na Rua Cumbi, no Bairro Padre Eustáquio, para ir ao trabalho, no Centro da cidade. Um Renault Scénic com três homens é visto circulando pelas proximidades

2- A duzentos metros do prédio onde morava a vítima, na esquina das ruas Curupaiti e Lorena, um dos ocupantes do Scénic a aguarda fora do carro. Um homem moreno claro, de boné, camisa polo preta, bermuda e tênis chama o fiscal pelo nome e atira sete vezes. Todos os disparos o atingiram na cabeça

3- Iorque Barbosa Júnior cai na calçada em frente a um bar e morre no local antes de ser socorrido pelo Samu. O assassino corre em direção ao carro, estacionado na Rua Lorena, e entra no banco de trás, fugindo com os dois comparsas, que aguardavam no veículo.

 

 

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Esta matéria tem: (4) comentários

Autor: fernando miranda
Calma, ou ele era muito honesto ou era corrupto. Vamos aguardar as investigações. | Denuncie |

Autor: Paulo Rocha
Padre Eustáquio já foi um bairro seguro para se viver... | Denuncie |

Autor: Alex Soares
Aposto que uma comissão encabeçada pelo Sr. Durval Angelo e pelo Sr. João Leite está na casa do servidor da PBH ajudando à família neste momento. Esses patifes não aparecem para ajudar as pessoas de bem! Só aos bandidos! | Denuncie |

Autor: sebastião costa
No Brasil, toda vez que morre um trabalhador, um bandido é valorizado, dando para a familia dele, bom salario par sobrevivência; a familia da vítima, se dane. A turma dos direitos dos manos, aparece para ajudar o bandido; para a familia da vítima, não. Bandido nem para esterco serve, mas tem valor. | Denuncie |

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