Ensino Superior

Universidades federais em Minas Gerais devem ter mais 470 vagas de medicina

MEC anuncia que federais de Minas abrirão mais espaço para formar médicos até 2017. Parte das matrículas será em graduações já existentes, mas cursos também serão criados

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postado em 21/07/2013 06:00 / atualizado em 21/07/2013 08:00

Tiago de Holanda

Jair Amaral/EM/D.A Press - 26/06/2012
Universidades federais em Minas Gerais devem abrir 470 vagas em graduações de medicina até 2017, sendo 250 em cursos já existentes e 220 em outros que serão criados, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), ligado ao Ministério da Educação. No mesmo período, o governo federal planeja criar 11,4 mil vagas em 117 municípios, sendo 3.615 em instituições federais e 7.832 em particulares. “Isso é uma projeção, vai depender do interesse das escolas privadas”, pondera o presidente do Inep, Luiz Cláudio Costa. O MEC pretende desconcentrar a oferta de cursos de medicina e dar prioridade a regiões mais carentes, como Norte e Nordeste. Atualmente, o país tem cerca de 17 mil vagas.

Minas tem 30 graduações de medicina e forma em torno de 2.750 médicos por ano, segundo levantamento do Conselho Regional de Medicina (CRMMG). No Brasil, que tem cerca de 200 cursos, o estado só perde para São Paulo, com 34, de acordo com levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM). Ainda não há informações sobre quais instituições de ensino superior mineiras serão contempladas na abertura de vagas para futuros médicos.

“Há mercado para mais médicos, a criação de vagas é uma boa notícia, mas isso é pouco para descentralizar a oferta de profissionais”, avalia o presidente do conselho regional, João Batista Gomes Soares. “Se a cidade onde o curso funciona não tem um sistema público de qualidade, que dê condições para o profissional exercer o que aprendeu, ele vai acabar migrando para os grandes centros”, acrescenta.

A distribuição desigual de médicos em Minas é explicitada em estatística do próprio CRM. Segundo balanço de fevereiro, a Região Metropolitana de BH tem um profissional para cada 332 habitantes, enquanto o Vale do Jequitinhonha tem um para 2.126 pessoas. Isoladamente, a capital tem um médico a cada 151 habitantes, proporção muito mais favorável do que os municípios vizinhos de Ribeirão das Neves e Ibirité, com um profissional para 24.693 e 14.450 pessoas, respectivamente. Algumas cidades têm apenas um profissional para atender toda a população, como Ibapa (16.708 habitantes), no Vale do Rio Doce.

Investimento
em estrutura


A abertura de vagas em medicina anunciada pelo governo federal faz parte de uma estratégia para aumentar o número de médicos, cuja proporção é de 1,8 profissional para cada mil habitantes. A taxa é inferior, por exemplo, às da Argentina (3,2) e da Venezuela (1,9). Até 2015, o Sistema Único de Saúde (SUS) deve abrir 35 mil postos de trabalho, como consequência de investimentos que já começaram a ser realizados na ampliação ou construção de hospitais, unidades de pronto-atendimento e unidades básicas de saúde. Até 2017, 12 mil vagas de residência médica devem ser criadas.

A partir de janeiro de 2015, segundo medida provisória encaminhada pela presidente Dilma Rousseff ao Congresso Nacional, o estudante que ingressar na faculdade de medicina em instituições públicas e privadas terá que cumprir nova grade curricular, com inclusão de um segundo ciclo de formação de dois anos de trabalho na atenção básica e nas áreas de urgência e emergência do SUS. Dessa forma, o aluno levará oito e não seis anos para receber o diploma de médico. As diretrizes da nova formação serão definidas pelo Conselho Nacional de Educação até agosto de 2014.

A previsão é que o aluno trabalhe no primeiro ano em um serviço de atenção básica e, no segundo, faça parte de uma equipe de urgência e emergência. Nesse período, ele ficará ligado à faculdade em que estudou e atuará por meio de autorização provisória a ser concedida pelos conselhos regionais de Medicina. O segundo ciclo será remunerado pelo Ministério da Saúde e o valor da bolsa deve variar de R$ 3 mil a R$ 8 mil. Só depois de fechado o segundo ciclo o aluno poderá ingressar na residência médica, cuja duração, a depender da especialização, varia de um a cinco anos.
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