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Estado de Minas

Congonhas tem festa tradicional aos pés da Santa Cruz


postado em 04/05/2012 06:00 / atualizado em 04/05/2012 07:11

Maria Madalena, a Leninha, e Josélio (D) revivem a tradição passada de geração a geração de Barnabé(foto: MARCOS MICHELIN/EM/D.A PRESS)
Maria Madalena, a Leninha, e Josélio (D) revivem a tradição passada de geração a geração de Barnabé (foto: MARCOS MICHELIN/EM/D.A PRESS)

Uma tradição centenária – e muito colorida – marca, sempre no início de maio, a comunidade rural de Barnabé, em Congonhas, na Região Central de Minas. A Festa da Santa Cruz, que começou ontem e vai até domingo, reúne as cerca de 40 famílias locais e mostra a criatividade dos moradores, empenhados em fazer cruzes artesanais de todos os tamanhos e materiais – papel crepom e de seda, fitas, tecido de chita e fuxicos – para enfeitar o monumento de madeira em frente à Capela de Nossa Senhora Aparecida. No domingo, às 13h, ponto alto das festividades, será celebrada missa e será dada a bênção.

“É um costume que vamos manter sempre, pois passa, de forma espontânea, de geração a geração”, lembra a funcionária pública Maria Madalena de Freitas Teixeira, de 49 anos, conhecida como Leninha e entusiasta da manifestação popular de enfeitar o cruzeiro. “O meu pai contava que desde o seu tempo de criança a festa era realizada com muita dedicação”, recorda-se Leninha, destacando que 3 de maio é o dia consagrado à Santa Cruz,

O cruzeiro maior de Barnabé, que tem um galo sobre a madeira, está numa das áreas mais altas do povoado, de onde se tem uma bela visão de montanhas e matas da região. É ali que o católicos depositam a maior parte dos ornamentos preparados durante um mês. Mas há também outras sete cruzes, localizadas mais distantes da capela e cheias de história, que são igualmente reverenciadas e adornadas, diz Leninha. Conforme a tradição oral, elas teriam sido fincadas para lembrar um grupo de ciganos assassinados, não se sabe bem quando, por um fazendeiro.

O estranho caso das “cruzes dos ciganos”, como ficaram conhecidas, desperta logo a atenção dos visitantes de primeira viagem. Leninha conta que uma jovem teria se encantado com um dos homens do grupo e, sem titubear, pulado na garupa do cavalo dele. O fazendeiro, no entanto, não aceitou nem deu trégua aos fugitivos. Mandou matar qualquer um dos ciganos. Ao ver a cena sangrenta, a jovem ainda suplicara num canto em forma de lamento: “Papai, não mate este cigano/Ele não tem culpa/Fui eu que pulei na garupa”. Mas ninguém sobreviveu e ficou a triste história, que passa de boca em boca.

OFICINAS Há um mês, os moradores católicos começaram as fazer as cruzes cobertas de cores, sempre com arremates de lantejoulas. As salas das casas se transformam em oficinas, com papéis, tecidos, cola, tesouras, alicates e outras ferramentas distribuídas sobre mesas e sofás. A dona de casa Lourdes Damas gosta de participar do trabalho. “Temos esta tradição e também a de colocar as cruzes de papel crepom na fachada das moradias. Ela nos abençoa e dá proteção e segurança”, mostrando com alegria a entrada da casa.

Na sala de visitas de Lourdes, um grupo formado por Giovana Moraes e o primo Mário Moraes, Marília Dama e Leninha dá forma aos enfeites. Cortam, costuram, dobram, arrematam – e mais uma cruz está pronta. “Faço este trabalho desde criança e a gente logo pega o jeito”, diz o estudante Mário. Já diante da capela, vinculada à Paróquia de Nossa Senhora da Conceição e com missa celebrada pelo padre Paulinho Barbosa, o coordenador paroquial Josélio Morais Osório, de 37, motorista, lembra que o mastro da bandeira da Santa Cruz também está enfeitado para a festividade. As crianças também mostram o talento para o artesanato, como o pequeno Alex Praxedes de Souza, de 6 anos.

Amanhã, às 18h30, haverá procissão saindo da casa do “mordomo” da festa, Armando Apolinário. E no domingo, às 13h, chamada de “grande celebração”, missa e bênção das cruzes, com participação das comunidades de Barnabé, Pires, Mota e outras da vizinhança.


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