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Estado de Minas

Festival mundial mostra esculturas em Minas


17/12/2011 06:00 - atualizado 17/12/2011 07:11

Cidade mineira do Campo das Vertentes tem tradição na arte de esculpir estátuas em pedras de granito, gnaisse e pedra-sabão
Cidade mineira do Campo das Vertentes tem tradição na arte de esculpir estátuas em pedras de granito, gnaisse e pedra-sabão (foto: Marcos Michelin/EM/D.A Press - 6/5/09)

 

Uma cidade se transforma em ateliê a céu aberto para mostrar arte esculpida em granito, gnaisse e pedra-sabão, a beleza das cantarias e o talento de nomes nacionais e estrangeiros. Coronel Xavier Chaves, na Região do Campo das Vertentes, será palco, de 5 a 29 de janeiro, do 2º Festival Internacional de Escultura em Pedra, que recebeu, desta vez, 150 projetos de 35 países de todos os continentes. Para esta edição, foram selecionados os artistas Agnessa Ivanova Petrova e Liliya Pobornikova, da Bulgária, e Petro Matl, da Ucrânia. Da cidade, foi classificado o projeto de Francisco de Sales Maia._

Promovido pela Associação dos Amigos do Acervo Cultural Geraldo Magela Rodrigues, com apoio da prefeitura local e empresas, via Lei Federal de Incentivo à Cultura, o festival é inédito no município, que reúne dezenas de escultores. A fonte de inspiração para todos, conforme os organizadores, está em Antônio Francisco Lisboa (1730-1814), mestre o barroco e autor de obras nas cidades mineiras vizinhas e próximas a Coronel Xavier Chaves, como São João del-Rei, Tiradentes, Congonhas, Ouro Preto e Mariana.

A exemplo da versão anterior do festival, que ocorre a cada dois anos, as peças esculpidas ficarão nas praças públicas. “Na primeira vez, foram três e agora serão mais seis as peças em praças públicas”, diz, com entusiasmo, o prefeito Helder Sávio Silva, certo de que o evento garante visibilidade para o município, já conhecido como “cidade da cantaria e esculturas”, incrementa o turismo e cria oportunidade para os artesãos, dentro do conceito de sustentabilidade. Assim, moradores e visitantes poderão apreciar as obras de Agnessa Ivanova Petrova (título Dance), na Praça Cipriano Chaves; de Liliya Pobornikova (Family), na Praça Cipriano Chaves; de Petro Matl (Angel), na Praça Eduardo Chaves; e de Francisco de Sales Maia (São Francisco Xavier), na Praça Eduardo Chaves. O conjunto terá ainda esculturas de Maribel Sanchez, da Espanha, e Vitor Reis, de Portugal.

Tradição

Localizado na Estrada Real e Circuito Trilha dos Inconfidentes, o município de 3,3 mil habitantes, a 174 quilômetros de Belo Horizonte e 15 quilômetros de São João del-Rei, tem cerca de 60 moradores que se dedicam às esculturas de gnaisse, granito e pedra-sabão, numa tradição retomada há quatro décadas. Das mãos criativas, saem animais, arcanjos e querubins, pias batismais, imagens de santos, bustos e fontes decorativas para interiores de residências e espaços abertos, como jardins e varandas. Para fazer o festival, os coordenadores se espelharam na cidade portuguesa de Caldas da Rainha, que promove esse tipo de encontro de dois em dois anos.

Durante o festival, os artistas vão dar vazão à criatividade e fazer suas esculturas diante do público, usando marteletes e ferramentas, “numa interação com a comunidade”, diz Helder, que, em abril, esteve Portugal para conferir o festival promovido em Caldas da Rainha, referência no setor e em sua 13ª edição. Ele destaca que a comissão de seleção e julgamento da atual edição do festival de Coronel Xavier Chaves foi presidida por Roseli Santaella Stella e integrada por Carlos Castro Brunetto e Flávio Sasso. Do primeiro festival, foi vencedora a escultura de Nossa Senhora da Conceição, em gnaisse e com cinco metros, que fica na entrada da cidade.


Na primeira vez foram três e agora serão mais seis as peças em praças públicas - Helder Sávio Silva, prefeito de Coronel Xavier Chaves
Na primeira vez foram três e agora serão mais seis as peças em praças públicas - Helder Sávio Silva, prefeito de Coronel Xavier Chaves (foto: Beto Novaes/EM/D.A Press - 13/4/11)

SAIBA MAIS

Arte da cantaria


A cantaria é uma arte criada há mais de 8 mil anos para talhar a pedra e usá-la em construções. Os primeiros mestres desse ofício, em Minas, chegaram no século 18 vindo das regiões do Minho e do Douro, no Norte de Portugal. Segundo especialistas, eles teriam sido referências e professores de outros expoentes do barroco mineiro, como Aleijadinho. Um dos problemas da atividade está na perda de tradição e na falta de formação de novos “canteiros”, daí a necessidade de cursos e qualificação de mão de obra.


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