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PF investiga como quadrilha de Montes Claros conseguiu gabarito antecipado do Enem, diz TV

Segundo a polícia, o resultado de parte do exame teria chegado às mãos de um informante seis minutos depois de os portões terem se fechado.Vazamento do tema da redação também é investigado

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postado em 13/11/2016 22:43 / atualizado em 14/11/2016 19:24

Estado de Minas

A Polícia Federal investiga como uma quadrilha de Montes Claros, no Norte de Minas, presa por fraudar o Enem 2016, conseguiu, antecipadamente, o gabarito da prova azul de Ciências Humanas e Ciências da Natureza do exame aplicado em todo o país nos dias 5 e 6. A informação foi divulgada na noite de domingo pelo Fantástico, da Rede Globo.

Escutas feitas pela PF apontam que o gabarito da prova azul, aplicada no sábado, dia 5, chegou às mãos de um membro da quadrilha 6 minutos após o fechamento dos portões para início do teste.  O exame tem diferentes provas, separadas por cores, que trazem as mesmas questões, porém em ordem variada para dificultar a troca de informações sobre o gabarito.

As investigações da PF revelaram que a quadrilha de Minas Gerais, descoberta em investigações conjuntas feitas pela Polícia Federal e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira recrutava professores e estudantes para fazer as provas e depois repassar as respostas por telefone aos candidatos, que chegaram a pagar até R$ 50 mil para obter vantagem no exame.

Gabarito ditado em apenas 7 minutos

Nas escutas feitas pela PF, integrante da quadrilha informou todas as respostas para candidatos, por meio de um ponto eletrônico, em menos de 7 minutos.

O ministro da Educação, Mendonça Filho, afirmou que as fraudes descobertas não colocam em risco o Enem. "O calendário está mantido. As fraudes são resultado de uma ação de inteligência articulada entre Polícia Federal e Inep. Os responsáveis serão punidos e os candidatos envolvidos na ação fraudulenta, excluídos."

De acordo com o delegado que conduziu as investigações, Marcelo Freitas, a quadrilha teria uma atuação em 3 Estados. Duas pessoas foram presas. O pagamento pelo gabarito variava entre R$ 40 mil e R$ 50 mil. De acordo com a denúncia, um dos candidatos dispostos a fraudar o Enem foi Antonio Rodrigues, do Ceará, que disputava uma vaga de Medicina.

Esta é a segundo vazamento divulgado no exame deste ano. Semana passada, foram identificadas fraudes no Amapá e Ceará. Na operação, 14 pessoas foram presas. Com um dos candidatos foram encontrados o tema e o texto da redação pronto para ser transcrito. Esse mesmo candidato recebeu o gabarito por celular. A exemplo da fraude divulgada nesta semana, o candidato também recebeu o gabarito por meio de um ponto eletrônico.

As investigações da PF e Inep estão concentradas em dois grupos, cuja atuação ocorre na região Norte e Nordeste. Os grupos estão sendo acompanhados já há alguns meses. De acordo com integrantes do Inep, a estratégia consistia em acompanhar os grupos suspeitos até a prova, para que fosse possível realizar o flagrante. Essa forma de ação também possibilitou investigadores a chegarem a outras pessoas envolvidas, não apenas os executores.

Fraudes em edições anteriores

As investigações levam também a fraudes ocorridas em outras edições do Enem. Está prevista para esta semana uma operação para cancelar a matrícula de um estudante de Medicina que teria também fraudado o exame. O aluno, que ingressou no curso por meio do Sisu, teria tido um desempenho medíocre ao longo do ensino médio e básico, destoando do desempenho que ele obteve durante o Enem. De acordo com informações obtidas pela reportagem, o estudante estaria agora cursando Medicina em uma faculdade da região Sudeste.

Em nota, o Inep informou que operações deflagradas no fim de semana do Enem são reflexo da ação conjunta entre as instituições, que trabalham em parceria para garantir a segurança e a lisura do certame. "O INEP e a PF reiteram o empenho para apurar os fatos, para que não haja prejuízo aos participantes do ENEM 2016. A investigação está em andamento para que os casos sejam apurados e os envolvidos punidos e eliminados do Exame", conclui o texto.

Com informações da Agência Estado
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