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Nota de alunos que ingressam na UFMG pela cota já supera a dos não cotistas no último vestibular

Cotistas que garantiram uma vaga na UFMG neste ano obtiveram notas superiores às de não cotistas que fizeram o vestibular em 2013. Exceção foi apenas um curso

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postado em 26/01/2016 06:00 / atualizado em 26/01/2016 07:40

Márcia Maria Cruz /Estado de Minas

Juarez Rodrigues/EM/DA Press
Co­tis­tas que che­gam à Uni­ver­si­da­de Fe­de­ral de Mi­nas Ge­rais (UFMG) ob­ti­ve­ram no­tas su­pe­rio­res às dos não co­tis­tas in­gres­san­tes em 2013, úl­ti­mo ano em que o ves­ti­bu­lar foi a por­ta de en­tra­da pa­ra uma das maio­res ins­ti­tui­ções pú­bli­cas do Bra­sil, se­gun­do le­van­ta­men­to das no­tas de cor­tes dos úl­ti­mos qua­tro anos a que o Es­ta­do de Mi­nas te­ve aces­so, em pra­ti­ca­men­te to­dos os cur­sos. A úni­ca ex­ce­ção foi en­ge­nha­ria de pro­du­ção, ain­da as­sim, com di­fe­ren­ça de me­nos de um pon­to. Em um dos cur­sos mais con­cor­ri­dos da Fe­de­ral, os co­tis­tas ti­ve­ram que al­can­çar a no­ta mí­ni­ma de 750,02 pon­tos pa­ra ga­ran­tir uma va­ga em me­di­ci­na, pon­tua­ção su­pe­rior à que a am­pla con­cor­rên­cia con­quis­tou em 2013, de 685,3 pon­tos (ve­ja abai­xo).


Nes­te ano, pri­mei­ro em que a re­ser­va de va­gas foi apli­ca­da na to­ta­li­da­de – 50% das va­gas, con­for­me pre­vê a Lei das Co­tas apro­va­da em agos­to de 2012 –, os co­tis­tas en­fren­ta­ram maior con­cor­rên­cia en­tre eles. “Os co­tis­tas en­tram na UFMG mais bem pre­pa­ra­dos que os não co­tis­tas de pou­cos anos atrás”, afir­ma o pró-rei­tor de Gra­dua­ção, Ri­car­do Takahashi. Em 2013, a re­ser­va de co­tas era de ape­nas 12,5% do to­tal de va­gas.

Das 6.279 va­gas, 3.142 fo­ram des­ti­na­das às co­tas de es­co­la pú­bli­ca, le­van­do em con­ta re­ser­va pa­ra ne­gros e in­dí­ge­nas. Uma de­las foi con­quis­ta­da pe­la es­tu­dan­te Ta­li­ta Bar­re­to, de 20 anos. “To­do ano a no­ta de cor­te mu­da e ti­ve­mos mui­to mais ins­cri­ções pa­ra o Enem. Quan­do vi mi­nha no­ta fi­quei com me­do de não pas­sar, prin­ci­pal­men­te em en­ge­nha­ria, que é um cur­so mui­to con­cor­ri­do.” A ação afir­ma­ti­va foi fun­da­men­tal pa­ra que a jo­vem, fi­lha da dia­ris­ta He­le­na Bar­re­to, se tor­nas­se a pri­mei­ra em sua fa­mí­lia a ser apro­va­da pa­ra o en­si­no su­pe­rior nu­ma uni­ver­si­da­de fe­de­ral. “Era um so­nho fa­zer fa­cul­da­de. Mi­nha mãe sem­pre in­sis­tiu pa­ra que eu e meus ir­mãos es­tu­dás­se­mos. As co­tas nos pos­si­bi­li­tam aces­so a al­go que é nos­so”, afir­mou. A jo­vem tam­bém foi apro­va­da, por meio das co­tas, pa­ra mú­si­ca na Uni­ver­si­da­de do Es­ta­do de Mi­nas Ge­rais (Ue­mg).

Juarez Rodrigues/EM/DA Press
Na ava­lia­ção do pró-rei­tor, o au­men­to da no­ta de cor­te es­tá re­la­cio­na­da à ado­ção do Sis­te­ma de Se­le­ção Uni­fi­ca­do (Si­su). Em 2013, cer­ca de 60 mil can­di­da­tos dis­pu­ta­ram as va­gas na UFMG. Em 2016, o nú­me­ro mais que tri­pli­cou, pas­san­do pa­ra 195,6 mil can­di­ta­tu­ras. Ao to­do, fo­ram 158,3 mil can­di­da­tos que ti­nham a op­ção de se ins­cre­ver em até dois cur­sos di­fe­ren­tes. “O Si­su tem es­se efei­to de fa­ci­li­tar o aces­so à dis­pu­ta pe­las va­gas nas uni­ver­si­da­des”, diz.

Nes­ta edi­ção, as di­fe­ren­ças en­tre no­tas de cor­te pa­ra co­tis­tas e não co­tis­tas va­riam en­tre 4,8% (me­nor di­fe­ren­ça, ob­ser­va­da no cur­so de bi­blio­te­co­no­mia) e 11,4% (maior di­fe­ren­ça, no cur­so de his­tó­ria). A di­fe­ren­ça mé­dia foi de 8,2%. “Por de­fi­ni­ção, as no­tas de cor­te dos co­tis­tas de­vem ser me­no­res que as da am­pla con­cor­rên­cia. Do con­trá­rio, as co­tas não te­riam ne­nhum efei­to”, diz Takahashi. Em 2014, po­rém, a no­ta de cor­te de co­tis­tas no cur­so de his­tó­ria foi maior do que os não co­tis­tas. Na­que­le ano, a di­fe­ren­ça mé­dia foi de 6,9%.

A ex­pec­ta­ti­va do pró-rei­tor é que a im­plan­ta­ção das co­tas em sua to­ta­li­da­de pos­sa re­cu­pe­rar a pro­por­ção de es­tu­dan­tes de bai­xa ren­da vin­cu­la­dos à UFMG até 2013. Na­que­le ano, 49% de es­tu­dan­tes eram pro­ve­nien­tes de fa­mí­lias com ren­da de até cin­co sa­lá­rios-mí­ni­mos. Es­sa pro­por­ção caiu de­pois da ado­ção do Si­su pa­ra 42%, em 2014, e pa­ra 46%, em 2015.

DE­SEM­PE­NHO Com a am­plia­ção do per­cen­tual de va­gas des­ti­na­das às co­tas, um dos fa­to­res es­pe­ra­do por Takahashi é que o in­gres­so de es­tu­dan­tes de es­co­las mu­ni­ci­pais e es­ta­duais se­ja am­plia­do. Nos pri­mei­ros anos das co­tas, ha­via um do­mí­nio de es­tu­dan­tes vin­dos de es­co­las fe­de­rais – es­sas ins­ti­tui­ções ocu­pam os pri­mei­ros lu­ga­res no ranking do Exa­me Na­cio­nal do En­si­no Mé­dio (Enem) 2015. “É pro­vá­vel que au­men­te um pou­co a pro­por­ção de es­tu­dan­tes de es­co­las es­ta­duais e mu­ni­ci­pais em re­la­ção aos es­tu­dan­tes egres­sos de es­co­las fe­de­rais de en­si­no mé­dio”, afir­mou. Es­sa pre­vi­são só po­de­rá ser con­fir­ma­da de­pois que os alu­nos efe­ti­va­rem a ma­trí­cu­la.

Os da­dos da uni­ver­si­da­de têm de­mons­tra­do que não há di­fe­ren­ça no de­sem­pe­nho de co­tis­tas e não co­tis­tas. “No que diz res­pei­to à qua­li­da­de, tu­do in­di­ca que não exis­ta ne­nhu­ma ra­zão pa­ra preo­cu­pa­ção”, dis­se Takahashi. O pró-rei­tor rei­te­ra que o au­men­to da com­pe­ti­ção pe­las va­gas na maior uni­ver­si­da­de pú­bli­ca do es­ta­do, de­cor­ren­te do Si­su, tam­bém cau­sou um au­men­to da com­pe­ti­ção en­tre os co­tis­tas.
Arte EM


De­bu­tan­tes da fa­mí­lia

Mui­tos es­tu­dan­tes que en­tram pe­las co­tas são os pri­mei­ros da fa­mí­lia a in­gres­sar no en­si­no su­pe­rior. É o ca­so da es­tu­dan­te Lí­via Teo­do­ro, de 24 anos, que foi apro­va­da em his­tó­ria, com mé­dia ge­ral de 667,92. “Ob­ti­ve 880 pon­tos na re­da­ção e acre­di­to que is­so te­nha me aju­da­do bas­tan­te.” Ela cre­di­ta o de­sem­pe­nho ao ati­vis­mo na in­ter­net, on­de pu­bli­ca­va tex­tos so­bre fe­mi­nis­mo ne­gro. A jo­vem es­cre­ve pa­ra o blog Na Veia da Nê­ga e é coor­de­na­do­ra-ge­ral do Clu­be de Blo­guei­ras Ne­gras de Be­lo Ho­ri­zon­te.

Lí­via cur­sou to­do o en­si­no fun­da­men­tal e mé­dio em es­co­la pú­bli­ca. “Ti­ve a opor­tu­ni­da­de de co­nhe­cer pro­fes­so­res que me ins­ti­ga­ram mui­to e fi­ze­rem des­per­tar es­se la­do apai­xo­na­do por es­tu­dar, en­tre­tan­to, não bas­ta que­rer pa­ra con­se­guir ab­sor­ver co­nhe­ci­men­to den­tro de uma es­co­la pú­bli­ca.Não é na­da fá­cil se con­cen­trar nu­ma sa­la com 40 alu­nos e go­tei­ras em dias de chu­va. Es­te era o re­tra­to de mui­tos dos meus anos es­co­la­res.”

Por um tem­po a uni­ver­si­da­de era al­go dis­tan­te pa­ra a jo­vem, que te­ve que aban­do­nar tem­po­ra­ria­men­te o en­si­no mé­dio. “Pa­rei de es­tu­dar por con­ta do tra­ba­lho, saía mui­to tar­de e não ti­nha o mí­ni­mo fo­co nos es­tu­dos, após um dia in­tei­ro de tra­ba­lho.”  Lí­via re­co­nhe­ce que, mes­mo gos­tan­do mui­to de es­tu­dar, o en­si­no em es­co­la pú­bli­ca não a co­lo­ca­va em pé de igual­da­de com alu­nos que es­tu­da­ram na re­de par­ti­cu­lar.

SO­NHO “A UFMG pa­ra mim é um so­nho, que não acre­di­ta­va con­se­guir. Fi­quei em pri­mei­ro lu­gar das co­tas. Sem as co­tas não te­ria se­quer ten­ta­do e, não por não acre­di­tar na mi­nha ca­pa­ci­da­de, mas sim por di­ver­sos fa­to­res que nos dei­xam atrás da­que­les que tem to­da uma es­tru­tu­ra pri­vi­le­gia­da pa­ra as­se­gu­rar que eles che­guem lá”, afir­mou.

Lí­via se­rá a pri­mei­ra a se for­mar no en­si­no su­pe­rior na fa­mí­lia,  tan­to do la­do pa­ter­no quan­to ma­ter­no. “Mi­nha avó, com quem mo­ro, é anal­fa­be­ta, mi­nha mãe não ter­mi­nou o pri­má­rio. Am­bas mu­lhe­res for­tes e guer­rei­ras, que, co­mo po­dem ima­gi­nar, es­tão des­lum­bra­das em me ver en­trar em uma uni­ver­si­da­de pú­bli­ca.”

Lista do ProUni

A lista com os nomes dos candidatos pré-selecionados a bolsas do Programa Universidade para Todos (ProUni) já está disponível na internet. O resultado da primeira chamada pode ser acessado na página do programa  (siteprouni.mec.gov.br), pelo 0800-616161 e nas instituições de ensino participantes. O estudante deverá comparecer até 1º de fevereiro na instituição para a qual foi pré-selecionado e comprovar as informações prestadas na ficha de inscrição. A perda do prazo ou não comprovação das informações implicará, automaticamente, reprovação do candidato. O programa ofertou 203.602 bolsas para 30.931 cursos.

Palavra de especialista

Rodrigo Ednilson
Coordenador-Geral de Educação para as Relações Etnicorraciais do Ministério da Educação

Qualidade do ensino preservada


“A análise dos dados permite-nos observar um crescimento progressivo das notas de corte de todos os cursos da UFMG nos últimos anos, desde 2013. É possível observar também que as notas de corte de estudantes cotistas é, invariavelmente, mais baixa do que as notas dos estudantes não cotistas; diferença que varia mais ou menos, dependendo do curso. A leitura deste dado, todavia, não deveria ser feita dissociada dos dados, divulgados pela própria UFMG em 2015, que evidenciam que o desempenho de estudantes cotistas, medido por suas notas, mostrou-se igual ou superior às notas de estudantes não cotistas ao longo do curso. Creio que tal ressalva seja de fundamental importância para que não retornemos ao discurso de que o ingresso de estudantes cotistas, com notas de ingresso mais baixas, ameaçaria a qualidade das instituições de ensino superior.”

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação
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Gilney
Gilney - 26 de Janeiro às 10:28
Fico muito feliz com esta noticia. Mostra que os cotistas tem plenas condições de disputarem de igual para igual uma disputa livre, sem proteções políticas ou ideológicas. Esta constatação mostra mais uma vez que negros, indios e brancos tem as mesmas condições psicologicas e mentais de disputarem Enens e vestibulares livres de cotas forçadas e discriminatórias. Isto viola a nossa constituição. Pela matéria aqui publicada, nota-se até uma superioridade dos negros, pardos, indios e originarios das escolas publicas. Mostra que nossa educação publica evoluiu muito. Então gente, pra que cotas?
 
Frederiki
Frederiki - 26 de Janeiro às 10:24
Estão... se eu vomito sangue para pagar uma boa escola particular para meus filhos, eles tem menos chance de entrar na UFMG? No vestibular eles irão se declarar pardos, pq no Brasil todo branco já nasce rico!
 
Frederiki
Frederiki - 26 de Janeiro às 10:21
Se as notas estão altas, pq as cotas???
 
Rainer
Rainer - 26 de Janeiro às 10:16
Bom dia, Que ótima notícia! Creio que esta reportagem é o argumento que faltava para acabarmos com essa maluquice de políticas de cotas. Se a nota dos cotistas é superior à de não cotistas, qual a necessidade da política? Ela só gera mais racismo.
 
Antonio
Antonio - 26 de Janeiro às 10:06
A reportagem mostra que não precisa de cotas. Além de ser inconstitucional, pois todas as raças são iguais perante a lei, confirmaram ser tão ou mais inteligentes, não necessitando a divisão do povo em minorias que são mais fáceis de serem conquistadas (A Arte da Guerra). É desta forma que estão tentando conquistar o povo para tentarem se perpetuar no poder, mas não irão conseguir.
 
Antônio
Antônio - 26 de Janeiro às 09:45
Então para que estão fazendo cotas? A metodologia do vestibular direcionado para os alunos da rede pública é a mesma das faculdades particulares. Os alunos que fizeram o vestibular para medicina na federal estariam preparados para passarem na Ciências Médicas? Continuo achando um absurdo essa discriminação entre pessoas com as mesmas oportunidades. Vergonha de país que sempre dá mais valor e oportunidades para àqueles que não põe a mão na massa e negligencia a educação dos filhos. O governo tenta de todas as formas privilegiar o ócio. Se fosse verdade a superioridade deles, não teria cotas!
 
Gilney
Gilney - 26 de Janeiro às 09:31
Se os cotistas tem notas melhores que os não cotistas, então para que cotas? É mais uma prova que todos tem as mesmas condições de disputar de igual para igual uma disputa sem "proteções" políticas e ideológicas. Esta notícia parece um tiro que saiu pela culatra, ou seja, se era para enaltecer o sistema de cotas, mostra exatamente o contrário.
 
Gesiel
Gesiel - 26 de Janeiro às 09:18
Parabéns, PT! Melhor governo da história do Brasil!!!
 
Ramon
Ramon - 26 de Janeiro às 09:09
Elza soares, com sua bela voz: A Carne !
 
André
André - 26 de Janeiro às 09:00
OK! Ótimo argumento para acabar com o sistema de cotas. Deixem entrar pelo mérito e não pela facilidade de acesso.
 
Rodolfo
Rodolfo - 26 de Janeiro às 07:59
Então não precisa de cotas!!!
 
Rodolfo
Rodolfo - 26 de Janeiro às 07:58
então não precisa de cota
 
Luiz
Luiz - 26 de Janeiro às 07:50
E ainda tem gente que acha que os cotistas são aproveitadores e que essa forma de admissão ao curso superior não deveria existir. Pelas condições especiais, esses alunos são mais esforçados na faculdade. Conheço vários que se destacam entre os universitários que tiveram o acesso de forma tradicional.