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Alimentação tem impacto no rendimento do estudante

O cérebro é um sistema cujo bom funcionamento depende de uma alimentação adequada; veja dicas para as refeições

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postado em 17/10/2015 06:00 / atualizado em 14/10/2015 19:15

Zulmira Furbino

Jair do Amaral/EM/D.A.Press

O que os alimentos têm a ver com o bom aproveitamento nos estudos? Muita coisa. Por mais estranho que pareça, o cérebro é um sistema cujo bom funcionamento depende de uma alimentação adequada. Se uma pessoa come mal o ano inteiro, ingerindo muita gordura saturada e alimentos ricos em radicais livres, e dois dias antes de fazer prova resolve melhorar a alimentação, vai perder tempo. Se a melhora vier 30 dias antes dos exames, colherá alguns resultados, mas nada que se compare a um hábito alimentar saudável a longo prazo. Isso ocorre porque o cérebro é um órgão composto de gordura, muito sensível ao estresse crônico e aos radicais livres. Portanto, se você pretende estudar e tirar o máximo proveito do seu esforço, o ideal é levar uma vida mais regrada à mesa.

A nutricionista Solange Fernandes explica que o cérebro gasta pelo menos 4 mil calorias para se manter ativo durante um dia. O combustível para isso é a glicose. Muita glicose. O problema é que ela não pode ser “oferecida” ao cérebro de uma só vez. O ideal é fazer isso aos poucos, e uma das alternativas é ingerir alimentos integrais, legumes e carboidratos que não sejam simples. “Esses alimentos não devem ser absorvidos pelo organismo de forma rápida, produzindo um aumento súbito da taxa de glicose. Pelo contrário. O alimento integral fará a glicose 'pingar' no cérebro, em vez de despejar toda a glicose como se fosse um vidro de remédio ingerido sem conta-gotas”, diz a especialista.
Uma fonte rica em flavonoides, substância que tem ação anti-inflamatória e antioxidante, entre outras funções biológicas que ajudam no bom funcionamento cerebral, é o chocolate. Mas atenção: o ideal é comer chocolate com até 70% de cacau, que tem menos glicose e bastante flavonoides. Mas nada de aproveitar a onda e abusar. “Se a pessoa se encher de chocolate, pão francês e doces antes de uma prova, é péssimo”, avisa Solange.

HIDRATAÇÃO
Nos momentos de provas, é preciso ficar atento à hidratação, já que, segundo a nutricionista, o cérebro depende da irrigação sanguínea o tempo inteiro. “Se a pessoa ingere pouco líquido, os nutrientes não serão levados de forma eficiente para o cérebro. Esse é mais um motivo para não ingerir bebida alcoólica pelo menos uma semana antes de fazer provas, já que isso fará com que o estudante perca o foco. Além disso, o bom funcionamento cerebral também passa pelo fígado e pelo rim”, orienta Solange.

Hábito saudável

 

Para a nutricionista e professora voluntária do Departamento de Nutrição da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Nathália Luiza Ferreira, alimentar-se bem a uma semana dos testes ajuda um pouco, mas o ideal é manter uma alimentação equilibrada como hábito. Foi o que descobriu a advogada Carolina Figueiredo, de 33 anos, que há seis vem estudando para concursos.

“Tenho uma rotina pesada. Acordo, faço atividades físicas e depois começo a estudar. Só paro de novo à noite, para fazer atividade física outra vez.” Até dois anos atrás, ela não tinha uma alimentação equilibrada, mas depois tudo mudou. “Já fui a rainha da batata frita, mas mudei minha alimentação. Depois disso, meu organismo se transformou. Passei a ter menos problemas de saúde, porque estudar muito baixa a imunidade”, diz. Carolina lembra que tinha problemas de garganta frequentemente, já que o estresse deixa o organismo propenso a doenças desse tipo. “Depois que mudei a alimentação e comecei com o condicionamento físico, isso melhorou bastante.”

Hoje, a advogada passou a dormir melhor. Na véspera das provas, ela procura melhorar a alimentação ainda mais. “Quando você sai da dieta, por menor que seja o período de tempo, na hora de voltar vai ter de fazer tudo de novo”, diz Carolina, lembrando que, em períodos de prova, o organismo já está sob pressão, por isso o melhor é manter a regularidade da alimentação, evitando a autossabotagem. Segundo a nutricionista Solange Fernandes, o café não é o melhor estimulante para o cérebro, porque provoca ansiedade. “O ideal é tomar chá-verde, uma excelente bebida para melhorar o foco”, ensina. Mas nada de tomar um litro de uma vez, o ideal é intervalar com água.


Para manter o cérebro naturalmene turbinado

» Ovo
A gema contém colina, uma substância excelente para o desenvolvimento do cérebro. Ela auxilia nas funções ligadas à memória e à cognição. Além disso, os ovos têm vitaminas do complexo B (também presentes em carnes, leguminosas, grãos integrais e castanhas), que são importantes para a manutenção das transmissões nervosas e para a formação de neurotransmissores.

» Açafrão
O açafrão contém uma substância chamada de curcumina, que tem ação antioxidante e anti-inflamatória, auxiliando na prevenção de doenças neurológicas, além de combater os radicais livres ocasionados pelo estresse. A curcumina também proporciona melhora do foco em atividades mais complexas.

» Chá-verde
Esse chá tem flavonoides em sua composição, que têm ação na melhora do fluxo sanguíneo, facilitando a irrigação das células (inclusive as do sistema nervoso). Além dos flavonoides, o chá-verde tem cafeína, que, em quantidades adequadas, ajuda na concentração.

» Chocolate
Assim como o chá-verde, o chocolate contém cafeína, que em quantidades moderadas melhora a fadiga, o estresse e auxilia no foco, raciocínio e na concentração. Porém, os tipos mais recomendados são o chocolate meio amargo e o amargo, que contêm mais substâncias antioxidantes devido ao maior teor de cacau. Além disso, eles têm fibras na composição e a quantidade de açúcar é menor.

» Salmão, sardinha e oleaginosas
Esses alimentos têm ômega 3 em sua composição. O nutriente facilita a comunicação entre os neurônios, melhorando, assim, a concentração, a memória e o aprendizado em geral.

» Frutos do mar (especialmente as ostras), astanhas e semente de abóbora
Têm zinco, que é um mineral que auxilia na manutenção da concentração, pois atua na atividade neuronal, deixando o cérebro mais ativo.

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