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Física, química e biologia somam 45 questões e provas exigem habilidade e competência

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postado em 08/10/2015 06:00 / atualizado em 08/10/2015 08:11

Márcia Maria Cruz /Estado de Minas

Leandro Couri/EM/DA Press

Biologia, química e física costumam assustar os estudantes que farão o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A contestação se dá quando se compara o desempenho dos alunos nesta área em relação a outras. A média dos candidatos na prova de ciências da natureza costuma ser menor do que a pontuação alcançada em ciências humanas. No exame do ano passado, a média nos testes de ciências da natureza (482,2) foi menor do que a de ciências humanas (546,5). Na segunda reportagem da série sobre o Enem 2015, o Estado de Minas conversou com professores e estudantes do Colégio Santo Antônio – a quarta escola melhor posicionada no ranking do Enem 2014 em Minas – sobre o conteúdo da prova e seus desafios.

O teste será realizado no primeiro dia exame, dia 24, na mesma tarde em que será feita a prova de ciências humanas e suas tecnologias. A duração é de 4 horas e 30 minutos. Na avaliação do professor de biologia do Colégio Santo Antônio, Jorge Luiz Cascardo, o desempenho dos alunos pode variar de acordo com a ênfase que o teste dá a determinados conteúdos em um ano, que pode não ter sido o foco de exames anteriores. Jorge lembra que é bom identificar quais os assuntos foram priorizados em um ano, mas não se deve limitar a preparação a eles. Se o aluno procura conhecer e se preparar para todo o conteúdo exigido nos editais, não será surpreendido. Mais do que decorar, o candidato precisa ser capaz de problematizar os assuntos.

As provas, segundo Jorge Luiz, são focadas em habilidade e competência. “O Enem não cobra o conteúdo decorado, mas é preciso conhecer para resolver as questões. O estudante não saberá interpretar se não tiver um conhecimento básico”, afirma. As provas de ciências da natureza e suas tecnologias têm 45 questões, divididas entre biologia, física e química. “O indicado é que o aluno comece com a prova que ele tenha mais segurança”, sugere o professor de física do Colégio Santo Antônio, Marcos Prado.

Marcos afirma que, como o conteúdo é bastante extenso, é preciso que o estudante tenha em mente que a preparação para o Enem deve ser realizada desde o primeiro ano do ensino fundamental. No mês que antecede o exame, o professor aconselha que o candidato faça revisão das matérias, mas faz um alerta. “Não é bom virar a noite estudando”, ressalva. Também é importante fazer simulados para treinar a resistência para as provas que são longas.

Em física, o aluno precisa ter conhecimento básico da disciplina, que inclui noções de ordem de grandeza, sistema internacional de unidades, gráficos e vetores. Outro eixo está relacionado ao movimento e grandezas fundamentais de mecânica, como tempo, espaço, velocidade e aceleração. O terceiro eixo convoca a compreensão sobre energia, trabalho e potência. As leis de gravitação universal, movimentação de corpos celestes, a influência de desses em fenômenos como marés e variações climáticas compõem outro campo de conhecimento solicitado. O aluno deve ainda mostrar domínio sobre fenômenos elétricos e magnéticos, oscilações, onda, óptica e radiação, calor e fenômenos térmicos.

ECOLOGIA E GENÉTICA Em química, é preciso entender, interpretar as transformações químicas e saber representá-las. É exigido que o aluno saiba os diferentes materiais e a mudança dos estados físicos desses materiais. É fundamental conhecer e caracterizar substâncias moleculares. Uma atenção especial deve ser dada à água e sua importância para vida animal e vegetal. Incluem os conteúdos relacionados aos sistemas em solução aquosa, solubilidade, aspectos qualitativos das propriedades coligativas das soluções. A relação da química com o meio ambiente e as energias químicas no cotidiano é outro foco.

Para a prova de biologia, é pedido que o aluno conheça as organelas, células, fisiologia humana, hereditariedade e diversidade da vida, identidade dos seres vivos, ecologia e ciências ambientais. “A prova é toda baseada em adaptações evolutivas, o que tem de melhor para cada organismo”, afirma Jorge Luiz. Nos últimos exames, ecologia e genética aplicada foram cobradas. 

Leandro Couri/EM/D.A Press
Tempo cronometrado

A aluna do 3º ano do Colégio Santo Antônio Ana Luísa Fajardo, de 17 anos, fez o Enem duas vezes para treinar. Para este ano, a ansiedade é maior. A jovem almeja uma vaga em medicina em duas das instituições mais disputadas do Brasil – a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Por ser uma aluna dedicada e estudar em uma escola bem posicionada no ranking das instituições mineiras, a jovem acredita que conseguirá uma vaga no curso mais concorrido das Federais. “Se o nervosismo não atrapalhar, eu consigo. Estou trabalhando muito para ficar calma na hora.”

Ana entende que a preparação não pode ser feita de última hora. Desde o primeiro ano do ensino médio, ela procura acompanhar o conteúdo que é dado em sala de aula. Revisa o que aprende no mesmo dia e faz exercícios para fixar. A rotina foi mantida e intensificada neste último ano do ensino médio. Por dia, além das aulas, ela estuda de cinco a seis horas em casa. Mas, na avaliação da estudante, dominar o conteúdo não basta. É preciso também controlar o tempo. “Eu treino o tempo para fazer as questões. Cronometro para gastar em média três minutos para responder cada uma.”

PESQUISAS O sonho de Noélia Rojas Cruz,  também de 17, é se tornar cientista. Ela não quis seguir a profissão dos pais, que são médicos, por entender que sua vocação é pesquisar questões ainda sem resposta. Ela pretende fazer o curso de ciência biológica e seguir a carreira acadêmica para atuar como pesquisadora. Seu foco é a USP, universidade que, na avaliação da jovem, há melhores condições para desenvolver a pesquisa.

Nesse sentido, ela se dedica às disciplinas do ensino médio e acredita que o conhecimento que adquire não é apenas para fazer a prova do Enem. “Quero chegar no dia da prova com a certeza de que fiz tudo que poderia fazer”, diz. Até lá, a jovem dedica seu tempo para fazer os exercícios e simulados propostos pelo colégio. Em casa, destina média de cinco horas para fazer os exercícios e fixar o conteúdo.

Depoimento

Guilherme Caetano
19 anos, 2º período de medicina na UFMG

“Preparei-me durante um ano para as provas de vestibular, principalmente para o Enem, e obtive sucesso na maioria delas. Fui aprovado em medicina na UFMG, ciências aeronáuticas na Fumec, engenharia mecânica na Universidade Federal de Viçosa (UFV), entre outras. Acabei optando por me matricular em medicina. Quanto a preparação para as provas, acredito que o mais importante é a organização, que me permitiu um estudo constante e com poucos problemas. Meu esforço diário, ao estudar o conteúdo a ser cobrado e resolver questões conforme o modelo da prova, durante cinco horas diárias, foi determinante para minhas aprovações. Além disso, procurei utilizar todas as ferramentas disponíveis (física e virtuais) para enriquecer meu conhecimento.”

PARA SE DAR BEM

Dicas para as provas da área de ciências da natureza e suas tecnologias


» Fazer uma revisão geral do conteúdo
» O candidato terá mais facilidade de enfrentar o Enem se souber como a prova é estruturada e o que é cobrado. Fazer simulados e provas antigas do Enem para ter familiaridade com o formato
» Entrar em contato com reportagens que tratem de fenômenos e fatos relacionados à área de ciências da natureza. Alguns exemplos são o aumento dos casos de dengue no país, transgênicos e descobertas científicas
» Tirar as dúvidas com os conteúdos que o aluno tem dificuldade. Procurar refazer exercícios de conteúdos que ele não domina
» Dormir. Boas noites de sono são fundamentais para que o cérebro assimile o conteúdo estudado

NA HORA “H”


» Controlar o emocional e o estresse que uma prova longa gera
» Saber dosar o tempo para a realização das questões
» Assinalar as questões que tenha dúvida e voltar nelas depois. Dar preferência às questões que o candidato tenha mais domínio para fazer
» Atenção na hora de preencher o gabarito

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