Escolas mineiras comemoram primeiras posições no ranking do Enem 2012

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postado em 27/11/2013 06:00 / atualizado em 27/11/2013 07:55

Patrícia Giudice

Marcos Vieira/EM/D.A PRESS

Depois do esforço para aprovação no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e pela conquista de uma vaga na universidade, alunos do 3º ano, professores e diretores de grandes colégios de Minas aguardavam ansiosamente o ranking que mostra quem são os melhores do país. Divulgada a lista, que coloca instituições de Minas no topo do ranking nacional, as reações nas escolas variaram da comemoração à surpresa. O Colégio Bernoulli, no Bairro de Lourdes, em Belo Horizonte, voltou à liderança e conquistou o primeiro lugar geral no Brasil nas notas do exame de 2012. Em segundo ficou o Colégio Elite Vale do Aço, que manteve a posição do ano anterior. Foram cinco mineiros entre os 10 melhores do país e seis entre os 20 primeiros. Mas houve também decepção para muita gente: pelo menos cinco instituições de ensino tradicionais da capital nem apareceram na listagem. Colégios como Santo Antônio, Santo Agostinho BH, Loyola, Santa Doroteia e Coleguium alegam que houve erro no sistema do Ministério da Educação.

Na lista divulgada ontem pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), ligado ao MEC, o Bernoulli obteve nota 722,15, calculada a partir de média dos alunos nas provas de matemática, ciências humanas, ciências da natureza e códigos e linguagens. A nota na redação, apesar de ter peso para definir as vagas na universidade, por meio do Sistema de Seleção Unificado (Sisu), não entra na conta para qualificar as melhores instituições. Na escola, o clima era de satisfação na tarde de ontem. O diretor de ensino Rommel Fernandes Domingos, professor de matemática, credita o excelente resultado a diversos fatores, começando pelos “alunos interessados”. “Estamos sempre nos aperfeiçoando e detectando falhas para melhorar. Outra preocupação é com a formação humana, pois uma escola para ser conceituada na sociedade precisa ter um valor humano elevado”, afirma.

Alunos atribuem o êxito ao trabalho dos professores. Mariana Martins Paiva, de 20, está agora mais convicta de que em 2014 vai se matricular em medicina na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “O ritmo de estudo é intenso, mas vale a pena. Fui bem nas provas do Enem 2013 e agora é esperar pelo resultado”, disse. Há dois anos na escola, Fernando Murta Campos, de 20, veio de Ponte Nova, na Zona da Mata, e já garantiu uma vaga na universidade. “Passei para medicina em Campinas (SP). O ensino é bem puxado, mas estamos concentrados no objetivo de conseguir as melhores vagas do ensino superior.”

Entre os 20 melhores colégios do país, Minas ocupa seis colocações e se destaca como o estado com mais instituições entre os primeiros lugares. O Elite Vale do Aço, colégio particular de Ipatinga, participou no ano passado do seu segundo Enem e conseguiu de novo o segundo lugar. “Ficamos muito felizes com o resultado, porque é uma escola muito nova. Mas ressaltamos que, se o ranking considerasse o mesmo critério do Sisu (com a nota da redação), estaríamos em primeiro”, afirmou o coordenador pedagógico, André Ricardo de Castro. No ano passado, dos 32 alunos que fizeram o exame, 11 estão na Universidade de São Paulo (USP), outros na Universidade de Campinas (Unicamp) e a maioria na UFMG.

DECEPÇÃO

Para o Enem de 2012, o Colégio Santo Antônio inscreveu 383 alunos. A maioria estava se formando no ensino médio e havia se preparado intensamente. Segundo o frei Jacir de Freitas Faria, diretor-geral do colégio, 35 desses estudantes passaram em medicina, 205 nas engenharias da UFMG e 117 em direito. Esses dados serão enviados novamente para o Inep, na tentativa de demonstrar que houve um equívoco. A escola, que em 2011 ficou em 9º lugar no país, agora nem está na lista. “Só pode ser um erro do MEC. Vamos recorrer, mas é um prejuízo muito grande para nós e para os alunos, que ficam na expectativa”, afirmou.

Na tarde de ontem, os colégios que se sentiram prejudicados em BH se reuniram e pretendem tomar medidas juntos. Primeiro, cada um vai enviar a documentação exigida: matrículas dos alunos, comprovação de quantos fizeram a inscrição no Enem e que o Censo da Educação foi respondido e enviado corretamente. Todas elas alegam que os quesitos foram atendidos e que, por isso, não há motivo para ficarem fora do ranking. O Colégio Santo Agostinho, que ficou em 2011 na 13ª colocação, enviou comunicado informando que foi orientado pelo Inep a entrar com recurso em no máximo 10 dias.

O Colégio Loyola ficou na 21ª colocação em 2011 e a expectativa era subir no ranking. Também por meio de nota, a instituição informou ter cumprido todos os requisitos exigidos pelo MEC. Na mesma situação ficaram Santa Doroteia e Coleguium. A supervisora pedagógica do primeiro, Rosalva Ribas, disse que foi uma frustração tanto para alunos quanto para professores. “Estávamos esperando ficar entre os melhores, aumentar a pontuação. Não é nosso foco, mas é um importante indicador do trabalho feito com os alunos. Queríamos comemorar, mas houve uma frustração geral na escola”, lamentou. A direção-executiva do Coleguium, que inscreveu 80 alunos no Enem e teve 56 aprovações só na UFMG, informou que fará uma representação no MEC.

O Inep informou que as instituições que se sentirem prejudicadas devem enviar, até 4 de dezembro, documentos que comprovem a possível falha. Os principais requisitos são ter concluído e entregado o Censo Escolar, ter mais de 10 alunos no terceiro ano do ensino médio inscritos no Enem e que 50% deles tenham feito a prova. O Inep não assumiu que tenha havido erro, mas disse que a lista pode ser revista caso as escolas demonstrem falhas. (Com Landercy Hemerson e Gustavo Werneck)

 

 

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