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Bruno volta ao futebol pelo Boa Esporte e divide a população

Após debandada de patrocinadores e adiamento, goleiro assina com o Boa e volta a treinar. Em apresentação, atleta se recusa a responder às questões ligadas ao assassinato de Eliza. Jogador tem primeiro contato com elenco; reação em Varginha vai da tietagem ao protesto

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postado em 15/03/2017 06:00 / atualizado em 15/03/2017 08:24

Paulo Henrique Lobato - Enviado especial

Alexandre Guzanshe/EM/DA Press
Varginha – Entre aplausos e selfies, protestos e vaias. Foi assim o primeiro dia de Bruno Fernandes das Dores de Souza, de 32 anos, como mais novo goleiro do Boa, time de Varginha, no Sul de Minas. Pela manhã, logo depois de assinar contrato de dois anos, foi recebido com festa por cerca de 20 torcedores que prestigiaram o primeiro treino do atleta. Mas nem tudo foram flores na sua volta ao gramado, onde teve o primeiro contato com o elenco do novo time comandado pelo técnico Julinho Camargo – que disse não ter sido consultado sobre a contratação.


À noite, enquanto descansava no hotel depois da reestreia no mundo da bola, foi alvo de protesto de mulheres contrárias à contratação do homem condenado a 22 anos e três meses pelo homicídio triplamente qualificado de Eliza Samudio. Bruno só pôde assinar com o Boa depois de ser posto em liberdade, em 24 de fevereiro, após cumprir não mais que seis anos e sete meses da pena, graças a liminar concedida pelo ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que aguarde recurso em liberdade.

Bruno não gosta de comentar o assunto. Ontem, na entrevista coletiva organizada pelo Boa para apresentá-lo oficialmente como novo reforço do clube, o jogador se recusou a responder às perguntas relacionadas ao crime, cometido em 2010, no auge da carreira do então capitão do Flamengo. A imprensa foi comunicada pelo presidente do clube, Rone Miraes, que o jogador não responderia às perguntas sobre o assassinato.

Mas a pergunta foi feita. “Queria saber sua opinião: por que você acha que merece vestir a camisa de um time de futebol novamente, depois de condenado por um crime tão bárbaro?”. “Não vou te responder essa pergunta”, limitou-se a dizer.

TEMAS PROIBIDOS Bruno entrou na sala de entrevistas por uma porta na qual se vê uma foto de Madre Tereza de Calcutá. Chegou vestido com a camisa oficial do Boa, ainda estampando as marcas dos ex-patrocinadores, que romperam com o clube depois da enxurrada de críticas nas redes sociais, diante da decisão da diretoria do time de bancar a contratação do atleta. Bruno também não se sentiu à vontade para comentar esse assunto.

Preferiu falar de Deus. Ele conta ter se convertido à religião no presídio. “Deus está abrindo as portas novamente para mim”, agradeceu. Disse mais: “O homem pode fazer planos, projetos, mas a última palavra vem de Deus”. Mas não deixou de cutucar ex-amigos: “Tudo o que aconteceu me fez perceber quem realmente estava ao meu lado e quem não estava”.

RISO E CHORO O apoio ao jogador continua dividido fora de seu círculo pessoal. Ontem, torcedores foram ao centro de treinamento do Boa aplaudir e tirar selfies com o novo goleiro, que fez testes na academia e foi apresentado ao elenco do time no gramado. Longe dali, porém, um grupo de mulheres deixou marcado seu protesto, no Centro de Varginha.

No CT do Boa, Renê, de 13, foi um dos que saíram felizes da vida. “É um goleirão. Vai ajudar o Boa a subir para Primeira Divisão do Brasileiro”, acredita. Um casal que levou o filho também ficou encantado com o arqueiro. “Sou Flamengo, amigo”, disse o pai. Ele chegou perto do jogador com o menino no colo e posou para foto. Com a presença de vários jornalistas, houve empurra-empurra e gritaria para registrar a cena. Assustada, a criança chorou. Mas o pai saiu feliz com a foto.

Porém, na tradicional concha acústica de Varginha, no Centro, o clima era bem outro. Foi o lugar que um grupo de mulheres escolheu para protestar contra a chegada do goleiro ao clube que manda seus jogos na cidade. Elas vestiam preto em sinal de luto, exibiam cartazes e se deitaram na calçada em sinal de protesto. Tamparam parte do rosto, por temer retaliações. “Tive de apagar meu Facebook. Fui xingada e ameaçada. Vou registrar um boletim de ocorrência. Sou torcedora do Boa e não irei mais ao campo”, disse uma delas.

Alexandre Guzanshe/EM/DA Press

ANÁLISE DA NOTÍCIA

Caso Eliza não é passado


André Garcia

Bruno se recusou a responder às perguntas sobre o caso Eliza Samudio ao ser apresentado ontem pelo Boa Esporte. Dirigentes do time avisaram, antes da entrevista, que não tolerariam questionamentos relacionados ao assassinato. Parecem descolados da realidade. Diferentemente do que sustenta o goleiro, o crime que chocou o país há quase sete anos não é parte do passado. Com a recente decisão do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), o jogador se tornou, juridicamente, um condenado pelo Tribunal do Júri de Contagem que aguarda em liberdade a análise de um recurso contra a sentença. Assim, pode ter de voltar à cadeia se o recurso for negado ou se o plenário do STF discordar da avaliação de Marco Aurélio. É certo que, no momento, Bruno pode considerar legal e legítimo voltar a jogar. Mas o goleiro deve recordar que é igualmente legítimo que a torcida do Boa Esporte e a sociedade brasileira cobrem respostas sobre um processo criminal ainda em andamento na Justiça. Até hoje, por exemplo, não se sabe onde está o corpo de Eliza.


O cartola que bancou a contratação de risco



Alexandre Guzanshe/EM/DA Press
Natural de Ituitaba, cidade do Triângulo Mineiro onde o Boa foi criado e mandava suas partidas antes de se transferir para Varginha, o presidente do clube, Rone Moraes, de 49 anos, não tem curso superior, é divorciado e pai de duas jovens e um rapaz. O cartola que ignorou a comoção social e a pressão de patrocinadores contrários à contratação do goleiro Bruno pagou o preço de ver seu time perder os principais financiadores, entre eles o master, a holding Góis & Silva.

Mas Rone, que ganhava a vida no ramo de contabilidade antes de fundar o Boa, promete anunciar o novo patrocinador master em breve. “Nesta ou na próxima semana”, acredita ele. O dirigente garante que sempre pensa no lado social. “Fiz uma escolha que, em um futuro breve, ajudará o time e a cidade de Varginha. Tudo na vida passa. Tanto as coisas boas quanto as ruins”, filosofa.

Sobre a polêmica envolvendo o mais novo integrante do plantel, ele lembra que o Boa fez parceria com o Judiciário em 2016, e contratou presidiários para trabalhar na reforma de seu centro de treinamento, em serviço que já foi prestado. “Se eu contratasse o Bruno para ser pedreiro teria essa repercussão?”, questionou.

treinador Já o técnico do Boa, Julinho Camargo, informou não ter sido consultado sobre a contratação. “Desde o primeiro momento, fui contratado para treinar o time, não para contratar. O clube tem dono, e eu sou funcionário. O dono não tem que consultar quando contrata um funcionário”, afirmou ele. No entanto, o treinador afirma que receberá o novo atleta da melhor forma possível e disse que ele tem tudo para disputar a titularidade. “Vem de uma base no Atlético, passou por Corinthians, Flamengo. É um jogador de alto nível. Se vai conseguir retomar a performance, só o tempo dirá.” (Com João Vítor Marques)


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Ronaldo
Ronaldo - 15de Março às 12:29
Brasileiro adora bandido. Lembram do assaltante do trem pagador na Inglaterra (Ronald Bigs) que fugiu para \ república das bananas e aqui virou herói ? Pois é, quando velho, retornou para a Inglaterra achando que teria o perdão e foi direto para a cadeia. Lembram do ex-presidente que saqueou a poupança do brasileiro ? Pois é, está senador pelo micro estado de alagoas a vários anos.
 
valmir
valmir - 15de Março às 12:11
todo o sistema é pensado e gerido para o beneficio do advogado, e obviamente dos criminosos que melhor os pode remunerar..(e..pelamordieus, os advogados comentaristas me poupem da cantilena que é o legislativo que faz lei frouxa..é mentira: os outros delinquentes do congresso delegam essa tarefa pra OAB, que evidentemente faz o que pode pra favorecer sua clientela de advogados e criminosos)
 
Nilson
Nilson - 15de Março às 11:25
Deixem o Bruno trabalhar em paz. Ele tem 3 filhos que dependem economicamente dele, inclusive o de Elisa, cuja pensão é de 22 mil. Os outros dois um salário mínimo. O Brasil é país de hipócritas, principalmente imprensa
 
edson
edson - 15de Março às 10:15
Bruno não tem que responder mais nada para ninguém com referência a este caso. Já esteve preso, inclusive ainda cumpre pena. O que aconteceu foi a nossa legislação obsoleta, atrasada, que incentiva o crime. O que as pessoas querem agora ? matar o Bruno ? Ele tem direito a dar continuidade a sua vida. Se querem pena mais dura, que seja mudada radicalmente a legislação penal, o que faria muito bem no momento. Por que a moça foi se envolver ? por que não foi procurar outra coisa na vida, como por exemplo estudar ? Vamos deixar de ser hipócritas imprensa medíocre ! ....
 
emerson
emerson - 15de Março às 09:59
porque vocês não vão procurar fazer algo útil para a sociedade ao invés de acharem que a mulher sempre é vítima, além de criarem palavras ridículas e sem sentido tais como 'empoderamento' da mulher. Me poupem. São todos hipócritas. O que está aí é o sistema criado e aceito por todos, todos brasileiros medíocres e que não sabem cuidar nem de se mesmos.
 
emerson
emerson - 15de Março às 09:55
Num país em que o povo mantém o pt no poder 13 anos, em que é governado por uma quadrilha, em que a maioria é analfabeta e forma sua opinião através de jornais televisivos, impressos e internet de baixa qualidade. Me impressiona são os patrocinadores, que seguem na mesma linha do pobre povo brasileiro. O Bruno praticou um delito, foi julgado e condenado pelo sistema e está livre também pelo sistema. Gostaria de saber o que esses desinformados pretendem. No Brasil da bandidagem não tem prisão perpétua. Quem vai preso não é reeducado para viver em sociedade. Senhoras feministas...