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Crônica O circo: 10º capítulo em Contagem

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postado em 23/04/2013 06:00 / atualizado em 23/04/2013 09:47

Arnaldo Viana

A lona imaginária sobe pela 10ª vez. É armada de madrugada, a gente não vê. De manhã cedinho está lá, pronta para receber ação. Quem já foi a um cirquinho desses que rondam a periferia e, invariavelmente levam à cena a eterna peça O filho pródigo, sabe como eles abrem a sessão. Geralmente, com um mambo. Então, vamos lá, introdução para mambo: “Pampanranran, panranranranran, papanpam”. E dê aquilo gritinho de mambeiro “ihhh”. Pronto, abrem-se as cortinas. Manhã fria de segunda-feira, parece que não vai haver público. Três mulheres, apenas, da seção de Contagem da União Brasileira de Mulheres (UBM) para torcer contra o Bola. Pô, cadê a mulherada unida contra a violência? Ou é porque o Bruno abandonou a lona? E chega a deputada Jô Moares. Aí, a mulherada fica assanhadíssima e chegam mais duas para formar uma multidão de seis. Mas o efeito “ausência do Bruno” não se abateu apenas sobre as mulheres. Havia menos 985 microfones, gravadores, iPads e câmeras na arena. Nem o supostamente crucificado apareceu. Ou o pegaram para Cristo na semana santa e esqueceram de ressuscitá-lo ou ele arranjou serviço, como sugeriu o advogado Lúcio Adolfo, o Pastinha, na época do julgamento do Bruno.

Sabem que estava lá? O cabo Salin, Salin Ferreira Lages. Não é mais cabo. Agora é sargento. Vamos lembrar o personagem. Se a lona é virtual, nada como um guarda imaginário. Salin é mais conhecido em Contagem do que moeda de 10 centavos. Tinha, nos tempos de cabo, um uniforme igual ao de patrulheiro rodoviário. Agora, parece um guarda municipal. Sem tirar nem pôr. E ainda tira marra (onda, sarro, sabe, né?) com os óculos escuros. Ele conta que foi nomeado pela presidente Dilma. E todas as vezes que ela vem aqui, o promove. Como já, já começa a campanha eleitoral, Salin, que tem carteira de guarda com o brasão nacional, vai acabar coronel. Salin finge que organiza o trânsito na cidade e o trânsito finge que Salin o organiza. Não necessariamente na mesma ordem.

Enquanto Salim é cercado pela imprensa ávida por novidades, chega o João Franklin, corpo de homem, coração de mulher. A rainha dos desfiles da Banda Mole de Contagem. Traz um monte de ossos de boi e sobre eles deposita um raminho. “É o ‘joi’ e o trigo.” Não é joio? “É, isso mesmo, ‘joi’.” O trigo é a justiça. O joio, os benefícios da lei. Mal João deposita o despacho, chegam os serventuários da Justiça, em greve por melhor salário. A maioria mulheres. Quando Quaresma chega, é recebido com apitaço pelas manifestantes. Mas o advogado do Bola dá-lhes um tapa de luva. Pega uma pá (um monte, um bolo, sabe, né?) de adesivos do movimento e leva para o plenário. Enfeita o peito de todos os colegas, até o do Arteiro, o assistente de acusação.

Envergando o adesivo, o Quaresma peitou a promotoria. Nesse particular, surgiu um fato esclarecedor. Sabe quando o jovem escreveu no Enem a receita do macarrão instantâneo? Aquele que faz menino bocudo e criado pela TV berrar no supermercado: “Mamãe, eu quero Nissin Miojo, eu quero, e pronto!!!”. Pois é. Houve quem dissesse que o cara estava zombando do exame. Não estava. O produto tem alto conteúdo acadêmico. O promotor Henry Vasconcelos até o usou para minimizar uma ação da defesa do Bola. Disse que em novembro os advogados levaram o tempo para o cozimento de cinco pacotinhos do instantâneo para adiar o julgamento. Você sabe o tempo de preparação de cinco pacotinhos de Miojo? Quem mais se aproximar ganha um passeio por Contagem de mãos dadas com o sargento Salin e a rainha João Franklin, as duas figuras mais populares da cidade.
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