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Ausência de testemunha chave pode mudar rumos do júri do Caso Bruno

Jorge Luiz Rosa, primo de Bruno, foi convocado pela defesa e acusação para comparecer ao julgamento. No entanto, faz parte do Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte

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Faltando apenas 10 dias para o julgamento do Caso Bruno, um problema apontado pelo promotor Henry Wagner Vasconcelos pode atrapalhar o andamento do júri. Uma das principais testemunhas do inquérito sobre o desaparecimento e morte de Eliza Samudio, o primo do goleiro, Jorge Luiz Rosa, não vai comparecer à sessão no Fórum de Contagem, na Grande BH. Apesar de estar arrolado como testemunha pela acusação e pela defesa de dois réus, o jovem faz parte do Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte, já que na época do crime era menor de idade e, portanto, não pode ter o rosto mostrado.

O representante do Ministério Público informou nesta sexta-feira que recebeu uma comunicação oficial informando que Jorge não comparecerá. O advogado da testemunha, Eliézer Jônatas de Almeida Lima, confirmou a contradição na convocação de seu cliente. “Em tese, ele terá que comparecer. Mas, se está no programa, como vai se mostrar?” Segundo Lima, se as partes insistirem na oitiva de Jorge, ficará a cargo da juiz Marixa Rodrigues decidir se a testemunha deve aparecer.

Lima aponta que o impasse pode servir de estratégia tanto para a defesa quanto para a acusação. Se Jorge não comparecer, constará na ata do júri a ausência. A promotoria pode alegar que seria fundamental ouvi-lo, assim como os advogados dos réus que poderão argumentar cerceamento de defesa pela falta de depoimento chave. Essas observações em ata podem causar reviravoltas no processo, como por exemplo, um pedido de novo júri após conclusão da sessão.

Sobre o impasse, Lima não pode interferir porque não está listado como advogado no processo que trata dos réus maiores de idade. Ele vai apenas aguardar a decisão da Justiça sobre o comparecimento ou não de Jorge.

Outra testemunha chave no caso também pode fazer falta no júri. O primo do goleiro Bruno, Sérgio Rosa Sales, foi assassinado em agosto desta ano em um crime apontado pela polícia como passional.

Estratégia para adiamento

Em coletiva no Ministério Público nesta manhã, o promotor Vasconcelos ainda apontou um estratégia que a defesa do goleiro pode usar para desmembrar o processo do ex-atleta, atrasar ou adiar o julgamento. Assim que Bruno comparecer à sessão de júri, ele poderá destituir o atual advogado de defesa Rui Pimenta. Nesta hipótese, o réu ficaria sem defesa, o que impediria a continuidade da audiência. O processo dele poderá ser desmembrado dos outros acusados, cancelado o júri ou ser constituído novo defensor para dar continuidade ao julgamento.

Na entrevista, o promotor ainda comentou sobre inquérito e o processo do caso. Para ele, há provas “robustas” que apontam a culpa dos réus pelo sequestro, morte e destruição do cadáver de Samudio. “Eliza não está desaparecida, ela foi assassinada”, afirma Vasconcelos. A partir do dia 19, vão encarar o banco dos réus o ex-goleiro Bruno Fernandes, o amigo dele Luiz Henrique Romão, o ex-policial civil Marcos Aparecido, as ex-mulheres de Bruno, Dayanne Rodrigues e Fernanda Gomes.
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