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Atentados de 2001 tiveram influência limitada sobre crise econômica atual, dizem especialistas

Comportamento da política fiscal e monetária norte-americana após atentados terroristas influenciou de forma limitada a deterioração da economia no país

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postado em 11/09/2011 13:04 / atualizado em 11/09/2011 13:09

Agência Brasil

O trauma dos atentados de 11 de setembro de 2001 parou a economia americana. Durante meses os consumidores compraram menos e as empresas diminuíram a produção. Nas bolsas de valores, as ações despencaram com as expectativas ruins sobre a atividade econômica. O presidente do Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, na época, Alan Greenspan, classificou o quadro de recessão, embora o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos não tenha chegado a registrar taxas negativas no período.

Para estimular a economia, o Fed acelerou a redução dos juros básicos e manteve as taxas baixas até 2004. No lado fiscal, os Estados Unidos ampliaram os gastos militares com a guerra no Afeganistão e com a invasão do Iraque. O comportamento da política fiscal e monetária norte-americana nos anos seguintes aos atentados terroristas, de certa forma, influenciou a crise atual, mas a contribuição para a deterioração da economia nos países desenvolvidos foi limitada. Especialistas ouvidos pela Agência Brasil avaliam que outros fatores tiveram mais importância no agravamento da crise.

O professor de economia internacional André Nassif, da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Fundação Getulio Vargas (FGV), rechaça o argumento de que os juros baixos, que barateiam o crédito, tenham sido determinantes para a disseminação dos financiamentos imobiliários podres que desencadearam a quebra de instituições financeiras em 2008. “A expansão do crédito subprime está mais relacionada à desregulamentação financeira promovida por Alan Greenspan do que aos juros reduzidos”, afirma.

Em relação à política fiscal, no entanto, Nassif acredita que a ampliação das despesas militares na década passada tenha contribuído para o aumento da dívida pública norte-americana, apesar de não considerar a situação fiscal dos Estados Unidos tão grave como a da Europa. O economista, no entanto, diz que os gastos militares reduziram o espaço para o governo do presidente Barack Obama estimular a economia e evitar uma nova recessão. “O dinheiro usado no Iraque e no Afeganistão hoje faz falta. Obama, na verdade, está pagando até hoje pela política fiscal irresponsável do Bush [ex-presidente George W. Bush]”, avalia.

O professor da Universidade de São Paulo Fábio Kanczuk vê pouca relação entre os atentados de 11 de setembro e a crise econômica atual. Ele ressalta que o Fed havia começado a reduzir os juros antes dos ataques terroristas, num desdobramento da crise das ações de empresas tecnológicas no ano anterior. “Os estragos [dos atentados] sobre a economia foram temporários. Os Estados Unidos voltaram a crescer logo depois, até a crise de 2008”, diz.

Kanczuk reconhece que a política fiscal do governo Bush influenciou no agravamento da situação fiscal norte-americana. Ele, no entanto, diz que esse está longe de ser o fator principal da crise econômica atual. De acordo com o professor, a política agressiva da China de compra de títulos públicos norte-americanos teve maior influência para desencadear a crise financeira de 2008, que hoje se transformou em crise econômica.

“Com a demanda tão alta por títulos americanos, não tinha como o Fed aumentar os juros e conter a expansão do crédito”, declara. Nos Estados Unidos, a taxa básica de juros é determinada pelos juros dos títulos de dez anos do Tesouro, diferentemente do Brasil, onde os juros básicos são definidos pela taxa Selic.