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Meirelles: se nada for feito, em 2060, despesas do INSS sobem para 17,2% do PIB

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postado em 17/04/2017 11:07

Agência Estado

Brasília, 17 - O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que, sem a reforma da Previdência, "a razão dependência do Brasil vai ficar pior do que a europeia". "Se nada for feito, em 2060, as despesas do INSS sobem para 17,2% do PIB (Produto Interno Bruto)", destacou Meirelles. Ele fez uma apresentação sobre o tema durante o seminário "os caminhos para a reforma da Previdência", promovido pelo jornal Valor Econômico nesta segunda-feira, 17, em Brasília.

Em sua apresentação, Meirelles mostrou um gráfico para demonstrar este crescimento. Ele mostrou que o Brasil tem uma população relativamente jovem, mas já tem nível de despesas de países mais velhos. Segundo dados do Ministério da Fazenda, em 1991 as despesas totais do INSS eram de 2,3% do PIB. Já em 2016, subiram para 8,1% do PIB. "Isto, portanto, obviamente é insustentável", considerou Meirelles.

O ministro também avaliou que, "se nada for feito, a Previdência não cabe no teto dos gastos". "O Teto dos gastos é uma necessidade. É o que garante que as despesas públicas não vão crescer de forma insustentável." De acordo com a apresentação de Meirelles, em 2026, caso não seja feita a reforma, a previdência representará 71,6% do teto. "Se aprovada a reforma nos termos que está se discutindo, teremos condições de equilibrar o orçamento", defendeu o ministro.

Taxas de juros

Meirelles advertiu que as taxas de juros no Brasil vão voltar a subir fortemente no Brasil, se a Reforma da Previdência não for aprovada pelo Congresso Nacional. Em rápida entrevista após participar de seminário, ele disse que o relatório será apresentado na terça-feira. Segundo ele, a Reforma da Previdência está caminhando de forma "vigorosa" no Congresso Nacional.

"A grande conclusão é que a reforma não é uma questão de preferência, de opinião. É uma necessidade matemática e fiscal", afirmou o ministro. Ele previu que, se o País não fizer a reforma no devido tempo, as taxas de juros ao invés de estarem caindo como agora vão subir fortemente. "Vai faltar recurso para o financiamento, o consumo, investimento, e o desemprego volta a crescer", disse Meirelles.

O ministro fez questão de ressaltar que o Brasil está fazendo uma série de coisas que fará com que o País volte a crescer. Na sua avaliação, a economia dá sinais fortes de que está em trajetória de recuperação do crescimento. "A inflação está caindo muito forte e os juros estão caindo. Tudo isso é resultado do teto de gastos ter sido aprovado", ressaltou.

Para Meirelles, o Brasil está discutindo na "hora certa" a proposta de reforma. "O importante é que o Brasil volte a crescer e aumente a renda dos trabalhadores", disse.

Dados otimistas

O ministro da Fazenda disse que "já há dados bastante otimistas em relação ao primeiro trimestre" da economia brasileira e atribuiu a melhora do ambiente econômico à realização das reformas. Mais cedo, ele já havia dito que "felizmente" o Brasil está saindo da recessão.

Meirelles ressaltou que a atividade chegará ao fim do ano já com "crescimento importante" e voltou a lançar a estimativa de alta de 2,7% no Produto Interno Bruto no 4º trimestre deste ano em relação a igual período de 2016, acelerando em relação ao ritmo do início do ano. "É isso que interessa, o que já está acontecendo no País em função das reformas", disse.
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