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Estado de Minas

Queimada deixa 16 milhões no escuro

Apagão nos 9 estados do Nordeste foi provocado por fogo em fazenda do Piauí, diz Lobão. Blecaute gerou caos nas cidades


postado em 29/08/2013 07:23 / atualizado em 29/08/2013 07:27

Recife ficou por quatro horas sem energia, o que provocou confusão no trânsito da capital pernambucana (foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A Press)
Recife ficou por quatro horas sem energia, o que provocou confusão no trânsito da capital pernambucana (foto: Annaclarice Almeida/DP/D.A Press)
Brasília – Um apagão atingiu na tarde de ontem os nove estados do Nordeste, provocando transtornos às suas maiores cidades e deixando ao menos 16 milhões de pessoas sem energia elétrica, conforme avaliações preliminares. Ao longo de três horas e meia do blecaute, iniciado às 15h03, os habitantes da região relataram em redes sociais situações de caos no trânsito e nos serviços de saúde e de insegurança.

O maior corte de energia do país no ano foi confirmado pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) e no início da noite o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, informou que a causa foi uma queimada na Fazenda Santa Clara, no município de Canto do Buriti, em Piauí, sem detalhar se o incidente foi natural ou provocado por alguém. "A prioridade é restabelecer o fornecimento", ressaltou. Lobão ainda negou que o acidente seja reflexo da fragilidade do sistema elétrico brasileiro.

De acordo com o ministro, o fogo provocou curto-circuito em duas linhas de transmissão, uma operada pela espanhola Isolux e outra pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). Com o curto-circuito, as duas linhas foram desligadas do Sistema Interligado Nacional, isolando toda a região. Lobão ainda convocou para hoje uma reunião extraordinária do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), atendendo a pedido da presidente Dilma Rousseff, que ficou preocupada com os possíveis impactos políticos e econômicos do incidente.

Em nota, o ONS explicou que houve desligamentos em duas linhas em razão do calor sob os cabos. A primeira queda foi registrada às 14h58. As cargas, acrescentou o texto, foram recuperadas às 17h30, mas cidades do interior ainda sofreram seus efeitos bem mais tempo depois. As capitais teriam sido as primeiras a voltarem à normalidade. O diretor-geral do ONS, Hermes Chip, culpou o período de inverno e seca, quando é comum fogo espontâneo na mata, pelo incidente.

Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a carga para a região foi derrubada para 10% do nível normal, de 10 mil megawatts (MMW). O órgão regulador avisou que, depois da apuração das causas pelo ONS, buscará identificar possíveis culpados e, eventualmente, aplicará multas.

Ocorrido há menos de um ano após o último grande apagão no Nordeste, em 26 de outubro de 2012, o evento de ontem também serviu para confirmar o grave quadro de dificuldades do setor, provocado pelo aperto na regulação iniciada há quase um ano e pelas dificuldades em acelerar investimentos na construção e manutenção de infraestrutura. O corte de larga escala ocorreu a partir da estatal Chesf, empresa do grupo Eletrobrás, em Pernambuco. Até a sede da geradora e transmissora, em Recife, ficou às escuras.

Fontes do setor acreditam que, apesar de os principais reservatórios de hidrelétricas apresentarem, em geral, níveis confortáveis, as represas do Nordeste estão abaixo da média, exigindo em razão disso maior exportação de cargas do resto do país para a região. Autoridades do governo têm afirmado, contudo, repetidamente que o sistema elétrico nacional é seguro, ou robusto, como prefere ressaltar sempre o ministro Lobão.

COPA DO MUNDO A nova instabilidade do sistema interligado injetou mais preocupações a analistas, ao se constatar o amplo acionamento de usinas térmicas ao longo deste ano, para evitar riscos na oferta de energia em 2014, com a realização da Copa do Mundo de Futebol. No ano passado, pelo menos seis apagões de porte interestadual ocorreram no país, todos no segundo semestre e a maioria em razão de falhas na área de transmissão e concentrados no Nordeste. A série de quedas de energia em 2012 levantaram dúvidas sobre a segurança do sistema elétrico, área preferida da presidente Dilma Rousseff.


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