Os brasileiros estão mais conectados do que nunca. Entre 2005 e 2011 o avanço do uso da internet no Brasil foi quase 15 vezes maior do que o crescimento da população com 10 anos ou mais. No mesmo período, o contingente de pessoas que tinham telefone móvel para uso pessoal avançou 11 vezes mais do que o aumento populacional do país. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2011, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2005 e 2011, a população acima de 10 anos ou mais cresceu 9,7%. Enquanto isso, o número dos que usaram a internet aumentou 143,8% e o dos que possuíam telefone celular pessoal cresceu 107,2%.
O barateamento dos produtos de TV, som e informática entre 2004 e 2011 contribuiu para a ampliação do acesso à telefonia móvel de uso próprio e à internet via computador em casa. Nesse período, o preço dos televisores caiu 60,8% na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), os microcomputadores ficaram 48,3% mais baratos e os aparelhos de som 16,4%. No geral, os preços dos aparelhos de TV, som e informática caíram 48,4% no período, informa o IBGE.
Segundo o suplemento “Acesso à internet e posse de telefone móvel celular para uso pessoal” da Pnad, o uso do computador e dele com acesso à internet foi um destaque no período. Em Minas Gerais, em 2005 946 mil domicílios tinham computador, número que saltou para 2,76 milhões em 2011, com alta de 191,7%. Do total de computadores existentes no estado em 2005,645 mil tinham acesso
Isso quer dizer que a população brasileira está cada vez mais utilizando a internet como ferramenta de comunicação – em redes sociais como Facebook, Twitter, Skype – e não apenas para a pesquisa. Os que mais usam a internet no Brasil são jovens de 15 a 17 anos, seguidos por jovens de 18 ou 19 anos. Foram eles que mais acessaram a rede nos três meses anteriores à coleta de dados da Pnad. Quando o recorte é feito por escolaridade, entre 2005 e 2011, o universo dos sem instrução, ou com menos de quatro anos de estudo, que são internautas saiu de 2,5% para 11,8%. No mesmo período, no grupo dos que têm mais de 15 anos de estudo, o percentual saiu de 76,1% para 90,2%.
Popular Morador do Bairro Cidade Industrial, uma das áreas carentes de Montes Claros (Norte de Minas), o estudante Gabriel Dias Gomes, de 15 anos, faz parte da turma que agora não sai da rede. “A internet é algo que passou a fazer parte da minha vida”, conta Gabriel, que é filho do pedreiro Ramon Gomes e de Eliane Dias Gomes, operária de uma indústria têxtil da cidade. O casal também tem uma filha de 14 anos. A família mora numa casa de cinco cômodos, coberta de telhas. Gabriel conta que o computador foi comprado a prestação por sua mãe há um ano e seis meses. O pai paga a taxa do acesso à rede, no valor de R$ 50. “Uso a internet para acessar o Facebook, para pesquisas escolares, para a tradução de textos em inglês e também para comprar roupas”, informa o adolescente, que estuda no sétimo ano do ensino fundamental.
Segundo o IBGE, em todos os anos pesquisados, a maioria dos usuários da internet ficou concentrada na classe de rendimento de três a cinco salários mínimos, ultrapassando, inclusive, a classe de cinco ou mais salários mínimos. Isso mostra que, com acesso ao emprego e com dinheiro no bolso, a nova classe média foi a que mais se beneficiou da tecnologia e da conectividade entre 2005 e 2011. Apesar de responder pela fatia mais expressiva de uso, porém, o avanço dos novos consumidores na rede foi menor do que o apurado nas classes mais baixas.

