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Estado de Minas

Cooperado arca com prejuízo de R$ 70 milhões no Sul de Minas

Irregularidades foram cometidas por antiga diretoria da Cooperativa Rural de Alpinópolis. Dívida foi rateada entre associados, que questionam a cobrança


postado em 17/07/2012 06:00 / atualizado em 17/07/2012 07:26

Uma série de falcatruas associado à má gestão da antiga diretoria da Cooperativa Rural de Alpinópolis (Cooral), no Sul de Minas, resultou em rombo superior a R$ 70 milhões para os mais de 2,5 mil produtores associados. Desde viagens para a Inglaterra usando o cartão corporativo da cooperativa até o desvio de valores referentes à comercialização de milhares de sacas de milho, além da falsificação de balancetes e a inclusão do mesmo bem como garantia para obtenção de dois empréstimos, estão inseridas na lista de supostas irregularidades identificadas por auditorias feitas nas contas da cooperativa que comprovaram os desvios. E para piorar: os associados têm sido obrigados a pagar o prejuízo.

Produtores se reuniram na sexta-feira para definir ação contra o rateio na Justiça(foto: ALEX CAVALCANTE GALERA/ JORNAL GALERA)
Produtores se reuniram na sexta-feira para definir ação contra o rateio na Justiça (foto: ALEX CAVALCANTE GALERA/ JORNAL GALERA)

Para surpresa dos integrantes da cooperativa, meses atrás eles foram convocados para uma assembleia sobre o problema. Na reunião, souberam o tamanho do rombo e também que receberiam boletos para pagamento parcelado da dívida. Depois de calculada a participação de cada um dos associados, estipularam-se cotas, que variam de R$ 3 mil a R$ 150 mil, podendo ser pagas em até 60 meses. Isso para quitar apenas R$ 13 milhões do montante total. Ou seja, nos próximos meses o restante da dívida também deve ser protestado. Mas muitos se recusaram e acionaram a Justiça.

Todo os bens foram penhorados. Na lista, uma fábrica de queijo e uma de doce, um posto de gasolina, uma fábrica de ração e dois silos – fora os bens móveis vendidos. Numa ação proposta pela atual diretoria, a Justiça bloqueou os bens dos antigos diretores. “Pelas provas e auditorias foram encontradas muitas irregularidades”, afirma a advogada Divina Alda Brasileiro, representante de mais de 600 associados na ação que tenta anular a cobrança. Na sexta-feira, muitos deles se reuniram para analisar a possibilidade de paralisação dos pagamentos e a dissolução judicial da cooperativa.

A advogada diz que a maioria dos produtores recebe pouco mais de um salário mínimo e, com isso, entra em dificuldade. Pelo entendimento dela, o cooperado não pode ser responsabilizado. O cooperado E. A. F. conta que nem mesmo produzia grande quantidade de leite, mas se viu obrigado a pagar dívida de R$ 8 mil. “Os diretores estão ricos e eu vou ter que pagar a conta”, critica.

O coordenador do Departamento Jurídico da Cooral, Donizete dos Reis Cruz, explica que o rateio foi decidido em assembleia geral realizada no ano passado, pouco depois de a nova direção tomar posse. Quanto aos supostos desvios cometidos, ele afirma que foram movidas ações nas esferas criminal e cível.

Junta formada por três associados e um contador nomeado como administrador judicial ficaram responsáveis por apurar as supostas irregularidades, e paralelamente a Justiça determinou que fosse feita auditoria nas contas da Cooral. Entre outros problemas, verificou-se o sumiço de 250 mil sacas de milho, avaliadas em aproximadamente R$ 5,5 milhões, que estavam depositadas em dois silos da cooperativa. Numa negociação do grão com produtores do Mato Grosso, constatou-se que parte do dinheiro foi direto para a conta do ex-presidente da cooperativa Cesomar Passos de Oliveira. Nesse caso, ele teria embolsado R$ 98 mil, segundo o contador Ricardo Vilela, um dos envolvidos na apuração. “Ele operava o dinheiro da cooperativa como se fosse a própria conta particular”, afirma. O Ministério Público também foi acionado e determinou a abertura de inquéritos policiais para investigar o caso, mas, de antemão, o promotor da comarca de Alpinópolis, Alan Carrijo, ao analisar os documentos, diz que “há sérios indícios de irregularidades” e afirma ser possível identificar uns 10 crimes.

A auditoria, assinada pelo escritório Fernando Motta & Associados, confirmou a adulteração dos balancentes anuais. “Pelas deficiências e irregularidades apresentadas nesse relatório, pode-se concluir que a contabilidade não está refletindo a realidade patrimonial e financeira da cooperativa”, diz texto da auditoria. O Estado de Minas tentou falar com Cesomar Passos de Oliveira e outros integrantes da antiga diretoria, sem sucesso.


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