Bolinhas de silicone produzidas na China por R$ 0,07 são vendidas por R$ 1 no Brasil

Lucro que pula, pula, pula, pula... Diferença é de 1.328%

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postado em 02/06/2012 06:00 / atualizado em 02/06/2012 08:11

Marinella Castro

Marcos Vieira/EM/D.A Press

De origem asiática, elas cruzam o mar e estão invadindo – aos milhares – o Brasil. Feitas de uma espécie de silicone com imagens de super-heróis, times de futebol ou simplesmente com cores que brilham no escuro, em plena era da tecnologia, as bolinhas pula-pula, são uma febre entre a meninada. Elas são fabricadas por um preço que você nem acredita. Invenção chinesa para distrair o mundo,  as bolinhas custam cerca de R$ 0,07 no país asiático, já contando o lucro da indústria. No Brasil, são vendidas pelo distribuidores por preços a partir de R$ 0,22, podendo chegar a R$ 0,33. Nas chamadas video machines, ou máquinas de bolinhas, a cada moeda de R$ 1, elas recheiam o lucro do comércio. Entre o preço de fabricação e o valor de venda há uma diferença de 1.328%. E a lucratividade, depois que a bolinha chega ao Brasil, varia de pouco mais de 200% a 400%.

O brinquedo está espalhado pelos shoppings, em bancas de jornais, padarias, farmácias, restaurantes, lojas de artigos infantis, em paradas de ônibus nas rodovias do país e até em escolas. Para os meninos, a diversão é completa. Começa com a economia de moedas para retirar as bolinhas nas máquinas e termina com a coleção em casa.

Em Belo Horizonte, o produto é encontrado em praticamente todos os shoppings. Para as crianças é uma tentação e para os pais um brinquedo de baixo custo, mas que pode rapidamente se transformar em uma coleção. Gerente de um espaço de entretenimentos em um shopping da cidade Maria Izabel Tavares diz que só em sua loja, ela vende cerca de 800 bolinhas, distribuídas por quatro machines, por mês. “Temos três máquinas grandes e quatro pequenas.” Ela considera as bolinhas um ótimo negócio e destaca a fidelidade dos clientes. “Tem alguns meninos que compram uma bolinha quase diariamente.”

Nas máquinas o preço do brinquedo é R$ 1, mas o produto pode ser encontrado para venda pela internet a partir de R$ 0,22, com entrega pelos Correios. Tudo que se sabe sobre a origem do produto é que ele é feito na China e impróprio para crianças menores de três anos. “Nunca tivemos problemas por toxidade, mas na embalagem recomenda-se que as crianças pequenas não brinquem com o produto”, diz uma distribuidora de São Paulo que comercializa a invenção no atacado.

Uma bolinha comprada pela criança, três pelo pai, duas pela mãe, algumas pela vovó e pronto. Lá se vão mais de 40 bolinhas. Na casa da bióloga Evelin Viana, a diversão é bem organizada, fica guardada em um baldinho onde Marina, 10 anos, sabe de cor quantas são: “Temos 64 bolinhas”. Para brincar com todas elas, a menina e os irmãos, Letícia, de 12, e Henrique, de 6, inventaram um jogo, uma espécie de caça às bolinhas. Quando o balde é lançado, o primeiro a encontrar a cor determinada pelo líder, é o vencedor. Criativos, os irmãos também inventaram uma outra brincadeira, parecida com um jogo de memória relâmpado, o que contribuiu para a melhor aceitação da coleção. A princípio, a biológa Evelin torcia o nariz para o brinquedo. “Comecei a achar a quantidade exagerada, mas depois as bolinhas acabaram se tornando um brinquedo pedagógico.”

Em frente à casa da família uma banca de revistas exibe a tentação em uma máquina colorida. Mas as video machines também estão em Lagoa Santa, onde mora a avó. Evelin não conhece a origem do brinquedo, mas desconfia de onde ele vem: “Deve ser coisa fabricada na China.”

Novidades

Clarice Cruz é gerente de uma loja de entretenimento com unidades espalhada por sete shoppings de Belo Horizonte e região metropolitana. Ela conta que em cada loja são cerca de 10 máquinas vendendo bolinhas e chicletes. Clarice anuncia que uma novidade já chegou ao mercado: bolas maiores que custam R$ 2 e são a nova aposta da temporada.

As bolinhas também fazem crescer o lucro de empresários do entretenimento que estão apostando alto na sedução das máquinas. Eles compram as video machines para distribuí-las em pontos de venda pela cidade. “Mais do que das bolinhas, as crianças gostam de colocar a moeda na máquina e capturar o brinquedo”, diz a engenheira Cláudia Mendonça, mãe de Eduardo. Aos 11 anos, o menino já teve mais de 20 bolinhas. Cláudia explica o motivo: “Elas são pequenas, quicam muito e são perdidas facilmente.” Para Claúdia, o desejo da criança é também de formar uma coleção, já que o brinquedo tem inúmeros modelos. Ontem, a pequena Giovanna Lopes também fez a festa com a compra da bolinha em loja do Boulevard Shopping, em BH. É mais um exemplo de criança que adora o brinquedo.

Aldrin Canedo está no ramo, trabalhando com diversão há um ano e meio. Ele diz que com a moda das video machines o mercado foi inundado pelas máquinas, o que elevou a concorrência a níveis muito altos e tem prejudicado o lucro. Segundo Canedo, dono de cerca de 50 máquinas distribuídas por pontos de vendas de Belo Horizonte, é preciso acumular mais de seis meses de vendas para pagar a máquina. “Muitos não fazem esse cálculo.” Para não perder o ritmo de vendas ele aguarda novos lançamentos da China. Maria Izabel Tavares, que trabalha em larga escala com o produto, diz que as novidades já estão chegando. “Recebemos uma bolinha com chaveiro que está agradando bem.”