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Cine Pathé é cobiçado pela CDL-BH, que planeja fazer um centro cultural

Local é considerado um dos melhores pontos da Savassi

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postado em 18/05/2012 06:50 / atualizado em 18/05/2012 08:06

Pedro Rocha Franco

Euller Junior/EM/D.A Press
Depois de registrar período de entra e sai de lojistas que não resistiram às obras, com mais de 50 estabelecimentos fechando as portas e migrando para outras regiões, a Savassi aproveita o período de bonança, prevendo para este ano aumento superior a 50% nas vendas, e sendo classificada por muitos como o melhor ponto comercial da cidade. A inauguração da Praça Diogo de Vasconcelos cria uma disputa pelos poucos espaços disponíveis na região e nem valores elevados parecem ser empecilho. Na lista de imóveis mais cobiçados da região estão dois ícones: o Cine Pathé e a Livraria da Travessa.

Pelo primeiro imóvel, o preço pedido é de R$ 65 mil. Desocupado há alguns meses, o local, que já foi igreja evangélica e um estacionamento, é cobiçado, entre outros, pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), que vislumbra transformá-lo num centro cultural. Para isso, pretende procurar a prefeitura para uma possível parceria. “Gostaríamos muito que fosse um espaço multicultural para não perder suas origens”, afirma o presidente do Conselho Savassi da CDL-BH, Alessandro Runcini.

Apesar de chamar atenção o valor pedido pelo aluguel do antigo cinema, o preço ainda está abaixo do estipulado pelo mercado imobiliário na região - considerando que a área total é 944 metros quadrados, ficando o preço em R$ 68 o metro quadrado. A estimativa é que os preços de novos contratos variem de R$ 80 a R$ 100, aproveitando os benefícios das novas intervenções.

Enquanto isso, segundo especialistas do setor, em outras regiões comerciais da cidade o custo varia entre R$ 50 e R$ 70. Ou seja, mais de 40% de diferença da Savassi para outros pontos. “Comercialmente é o melhor ponto de BH. Quem se instalar ali tem certeza de sucesso”, avalia o diretor de Redes e Corretoras da Câmara do Mercado Imobiliário e presidente da Rede Imvista, Eduardo Novais. Ele afirma que a alta procura associada a baixa oferta deve contribuir para a elevação dos preços.

No imóvel usado pela livraria, desocupado recentemente depois que os antigos inquilinos pediram a rescisão contratual, bancos, operadora de telefonia, restaurantes e lojas de roupa teriam entrado em contato com a ClaraImóveis interessada na locação, mas ninguém fechou contrato. Mas, ao que tudo indica, em até 15 dias toda a documentação deve ser entregue e firmado acordo. A assinatura do novo contrato deve garantir reajuste superior a 200% do valor. O pedido inicial da imobiliária era de R$ 32 mil e, segundo a sócia da empresa, Maria Auxiliadora Izidorio, deve ficar próximo desse valor.

A recuperação de vendas no período imediatamente seguinte à inauguração da obra deve garantir aumento de vendas entre 20% e 30%, segundo Runcini. Estudo elaborado pela CDL mostrou que somente 5,58% dos visitantes consideraram a obra desnecesária ou não gostou do resultado. Além disso, 71,43% dos comerciantes acredita em melhora das vendas. “Fora os shoppings centers, a Savassi vai se destacar cada vez mais. O fluxo de pessoas já melhorou”, afirma.

Couvert só em locais fechados

A cobrança de couvert artístico em eventos organizados nos quarteirões fechados da Savassi é considerado abusivo pelo Procon da Prefeitura de Belo Horizonte. No entendimento do órgão, só se é permitido fazer a cobrança em estabelecimentos fechados. Apesar disso, a Livraria Status, situada na Rua Pernambuco, entre Getúlio Vargas e Tomé de Souza, tem imposto o pagamento de valores em shows que comemoram a inauguração da obra de requalificação da Praça Diogo de Vasconcelos. E o pior: os shows são organizados pela prefeitura. Caso insista na cobrança, o estabelecimento está sujeito a multa que varia de R$ 300 a R$ 3 milhões.

Três fatores são considerados essenciais, segundo o Procon, para que se possa ser feita a cobrança do couvert: informar previamente ao cliente; contrato assinado entre músicos e estabelecimento; e que o evento seja realizado em espaço fechado e na área do estabelecimento. “É uma vantagem manifestamente excessiva sobre o consumidor”, afirma a coordenador do Procon, Maria Laura dos Santos. Ela afirma que somente os clientes que ocupam mesas no espaço interno seriam obrigados a pagar o valor referente aos artistas.

Mas é o contrário que se dá na Status. Os ocupantes das mesas posicionadas dentro da livraria ficam isentos, enquanto os demais pagam entre R$ 5 e R$ 10, de acordo com a banda que se apresenta. O montante arrecadado é usado para custear as apresentações. Segundo o sócio da Status, Rubens Batista, a controvérsia em relação à taxa se deve à gratuidade dos shows no quarteirão da Pernambuco em frente ao Café Três Corações. Lá, a prefeitura tem custeado os cachês, enquanto, na porta da livraria, ele se comprometeu em manter suas atrações, o que o obriga a cobrar o valor. “A Belotur está ciente. Quero fazer daquele espaço um quarteirão cultural. Ajudar a promover a Savassi da cultura, não do boteco. Mas se for nesses termos, vou ter que cancelar as bandas", garante. Em nota, a Belotur discorda do entedimento do Procon e confirma que a Livraria Status está livre para cobrança por ser responsável pelas contratações.

 

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