O governo de Minas Gerais negocia com a União a liberação de R$ 150 milhões em recursos federais destinados ao financiamento de um programa estadual de implantação de parques tecnológicos, empreendimentos que abrigam empresas intensivas em tecnologia e no desenvolvimento de produtos em parceria com universidades e centros de pesquisa. Depois de Viçosa, na Zona da Mata mineira, o BHTec, inaugurado ontem, é o segundo parque de um conjunto de seis projetos em andamento, incluindo os municípios de Juiz de Fora, também na Zona da Mata; Lavras e Itajubá, no Sul, e Uberaba, no Triângulo Mineiro.
Outros quatro parques tecnológicos estão em estudo, informou o secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Nárcio Rodrigues. Os projetos beneficiam as cidades de Brumadinho, na Grande Belo Horizonte; Três Pontas, no Sul do estado; e Uberlândia, no Triângulo. O Parque Tecnológico do Paraopeba ainda não tem local definido, mas as chances são de que Conselheiro Lafaiete abrigue a iniciativa. “Buscamos parcerias para realizar os investimentos até 2014. Mais que as empresas de base tecnológica, queremos atrair centros de pesquisa e desenvolvimento e escritórios de engenharia de grandes empresas âncoras”, afirmou Rodrigues.
Segundo o governador de Minas, Antonio Anastasia, o modelo para criação dos parques tecnológicos é único, reunindo em parceria uma universidade pública, a prefeitura local, o governo federal e o estadual, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig) e do Banco de Desenvolvimento do estado (BDMG). Para todo o programa de implantação conduzido pelo estado, o orçamento previsto é de R$ 300 milhões.

O próximo parque com data de inauguração marcada para novembro é o de Itajubá, que terá foco nas áreas de bio e nanotecnologia, energia e engenharia. Em Juiz de Fora, já começaram as obras de infraestrutura e construção do prédio institucional em área de 92,2 hectares. O condomínio de empresas terá ênfase em biotecnologia, saúde humana e animal, eletroeletrônica, leite e derivados, tecnologias de informação e comunicação.
Em Lavras, o empreendimento deverá abrigar empresas da área de saúde animal, tecnologia de alimentos, biotecnologia, tecnologia da informação e engenharia . O projeto está na fase de elaboração de projetos urbanístico e arquitetônico. Em Uberaba foram contratados os projetos urbanístico e arquitetônico para uma área de 160 hectares, que atenderá os setores de biotecnologia, tecnologia da informação, energia, meio ambiente, design e fármacos.
Concessão
Concluída a primeira etapa do BHTec, com 16 empresas instaladas, o governo estadual parte agora para a nova fase de construções, que compreende a concessão de uso das áreas do parque. O trabalho está sendo coordenado pelo BDMG, responsável pela elaboração de um plano de negócios para nortear o processo de autorização à iniciativa privada. O terreno do condomínio de empresas foi cedido pela UFMG, portanto, como se trata de patrimônio público, não pode ser comercializado.
Caberá ao parceiro privado, que pode ser uma incorporadora, um banco de investimentos ou um fundo mobiliário, arcar com as edificações e explorá-las junto às empresas de base tecnológica pelo período da concessão, estimado acima de 25 anos, de acordo com o gerente de Projetos Especiais do BDMG, Jorge Leonardo Duarte de Oliveira. No caso de grandes empresas, chamadas de âncoras, haverá a opção de elas negociarem a construção de prédio próprio com direito de uso ao longo do período da concessão.
O projeto inicial foi apresentado, em fevereiro, a fundos de investimentos na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes, durante missão brasileira liderada pelo Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Os estudos para a montagem do plano de negócios prevendo o que será oferecido à iniciativa privada deverão estar concluídos em julho, quando o negócio será apresentado numa série de rodadas com investidores em potencial pelas consultorias que trabalham na modelagem, a Accenture, Athié Wonrath e a Junqueira & Ferraz Advogados.
