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Estado de Minas

Compras em Miami já afetam as vendas no comércio da capital mineira

Brasileiros batem recorde de gastos no exterior e esvaziam negócios locais de enxovais, roupas e material esportivo


postado em 25/04/2012 06:00 / atualizado em 25/04/2012 16:05

O turismo de compras dos brasileiros nos Estados Unidos já está afetando alguns segmentos do varejo no mercado nacional. É o caso das lojas que vendem artigos importados como roupas, enxovais para bebês, tênis, material esportivo e relojoarias, todas voltadas para os públicos A e B. Em Belo Horizonte, o comércio já sente o choque. Funcionários de estabelecimentos consultados pelo Estado de Minas reconhecem que a venda de produtos que têm concorrentes nos EUA já caiu entre 20% e 50%. Segundo o Banco Central, nos três primeiros meses de 2012 os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 5,38 bilhões, batendo um novo recorde histórico para o período. Em igual trimestre do ano passado, recorde anterior, haviam totalizado US$ 4,75 bilhões.

Em fevereiro e março, na comparação com janeiro (2012), os gastos diminuíram. No primeiro mês do ano, as despesas lá fora totalizaram R$ 1,99 bilhão, impulsionadas pelas férias escolares – o maior valor em seis meses. Em fevereiro, somaram
US$ 1,74 bilhão e, em março, US$ 1,62 bilhão. Essa retração, no entanto, não deverá afetar o apetite pelos produtos comprados em Miami e Nova York. De acordo com José Carlos Vieira, dono da Acta Turismo, as compras nos EUA só perderão sua vantagem competitiva em relação ao Brasil se o dólar se aproximar dos R$ 3. Ontem, a moeda americana fechou o dia valendo R$ 1,8823.

Nancy Lares, gerente da Diamond Iraws do BH Shopping, explica que há cerca de cinco meses as vendas de relógios das marcas Diesel, Armany, Exchange e Citzen despencaram entre 30% e 35%. “Os clientes fazem a conversão e comparam. O nosso preço passou a ser referência para quem quer comprar lá fora. A gente acaba perdendo os que buscam a loja procurando relógios”, reconhece. O problema, segundo ela, é que não há assistência técnica gratuita no país para quem compra esse tipo de produto fora do Brasil.

Situação parecida acontece em lojas de artigos esportivos. Roberto Alves, vendedor, diz que na By Tennis foram afetadas as vendas de tênis acima de R$ 600 – como Mizuno, Asics e Nike –, que caíram praticamente pela metade. Na Tip Top, a retração na venda bodys (macacões de malha), casacos, roupas de frio e moletons para bebês caiu entre 20% e 30%, informa Juliana Rocha, gerente da loja. De acordo com ela, é muito comum as clientes chegarem lá comentando que uma amiga comprou todo o enxoval em Miami. “Ficou muito fácil viajar. Todo fim de semana o pessoal vai. A gente sofre com isso. É um concorrente diário e forte.”

Útil e agradável

No ano passado, a publicitária Sílvia Behrens, então grávida de seis meses, partiu para Miami com a mãe e a irmã para fazer o que define como uma “mescla” de turismo de compras e de lazer. E em junho deste ano planeja repetir a dose. Em 2011, foram oito dias de passeio. Voltou de lá com o enxoval completo para seu filho, Augusto Behrens de Souza, hoje com nove meses. Além de roupas e outros artigos, trouxe até pomadas para assaduras e lenços umedecidos. “Com as compras, gastei R$ 5 mil. Se fosse comprar aqui, gastaria pelo menos o dobro.” Nos cálculos dela, mesmo levando em conta os gastos com passagem aérea e hospedagem, valeu a pena. “Paguei a viagem e ainda sobrou dinheiro. Dessa vez, vou ficar quatro dias com meu marido. A ideia é comprar roupas para o meu filho e também para mim. Dá vontade de levar tudo”, resume.


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