Em Belo Horizonte, sem muito alarde, já se percebe um movimento de liberação do estacionamento para quem vai às compras. Grandes supermercados, como Carrefour e Extra, liberam para os motoristas até quatro horas com a comprovação de despesas. Algumas lojas de grandes shoppings também aderem à iniciativa, como a Fnac.

Preocupado com o trânsito, o taxista e frequentador de shoppings Eber Oliveria diz que considera alto o preço cobrado para estacionar e aponta o bom senso, que ele acredita faltar na relação com o consumidor. “O estacionamento deve ser cobrado daqueles que só vão ao shopping para bater perna e tumultuar o trânsito. Já quem consome deveria ser beneficiado com a gratuidade”, comentou. A opinião da professora Terezinha Campos vem de uma experiência ruim. Seu carro foi batido no estacionamento de um shopping, sem divisão do prejuízo, que foi só dela. “Para cobrar do consumidor, os shoppings deveriam garantir mais proteção aos clientes”, afirma.
Os supermercados de Belo Horizonte seriam o segmento menos afetado pela medida, por já praticarem o modelo de compras com gratuidade para estacionar. Mesmo assim, o superintendente da Associação Mineira dos Supermercados (Amis), Adilson Rodrigues, diz que a interferência do Legislativo não cabe na iniciativa privada e pondera que a gratuidade, mesmo mediante valores pré-estabelecidos, pode provocar congestionamentos e interferir na qualidade do serviço. No caso dos supermercados, ele reforça que o gasto mínimo é de R$ 45 e que a lei poderia aumentar os custos dos lojistas, com repasse para o consumidor. Nesse sentido, o vice-presidente de relações institucionais da CDL-BH, Marcelo de Souza, lembra que os lojistas não tiveram qualquer abatimento no valor do condomínio após a implementação da cobrança para motoristas.
