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Estado de Minas

Calote cresce 1,91% na capital em 2011 por causa do aumento dos juros e da inflação


postado em 17/01/2012 07:33

A inadimplência encontrou ambiente propício em 2011 e subiu 1,91% na capital mineira frente a 2010, segundo o indicador SPC Brasil – CDL/BH de dezembro, divulgado pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte. Além de juros superiores aos registrados no ano anterior – mesmo diante da queda da taxa básica iniciada em agosto – a escalada da inflação ajudou a corroer o poder de compra dos brasileiros. Associadas a esses dois fatores, as incertezas quanto ao agravamento das condições econômicas no cenário internacional e o efeito no mercado doméstico acabaram afetando a confiança de consumidores e empresários. O resultado foi uma dificuldade maior em quitar as dívidas dentro do prazo de vencimento.

“Era esperado que houvesse esse avanço conforme a pressão inflacionária aumentava e os juros caminhavam para fechar o ano em patamar ainda elevado”, avalia a economista da CDL/BH Ana Paula Bastos. “Em dezembro os juros para crédito pessoal fecharam em 39,1% contra 44,7% em dezembro de 2011”, acrescenta a especialista.

No último mês do ano passado, a inadimplência chegou a subir 4,67% em relação ao mesmo período de 2010. Apesar da elevação, o número de consumidores com nome registrado no cadastro de maus pagadores caiu na comparação com novembro. A retração foi de 7,75%, puxada, em grande medida, pelo pagamento da primeira parcela do 13º salário, que injetou recursos no mercado. O resultado supera em 5,63% o volume de pessoas que regularizaram os débitos e limparam o nome no mesmo período de 2010.

A dinâmica do mercado de trabalho e o aumento da renda – sem contar que 4 milhões de pessoas passaram a ganhar o 13º salário em 2011 – ajudam a explicar a corrida para limpar o nome. O cenário se repetiu em dezembro, quando o número de cancelamento de registros no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) subiu 8,19% em relação a novembro, também incentivado pelo pagamento de recursos provenientes do salário extra. O incentivo maior estava na liberação do crédito para as compras de Natal. No acumulado do ano, o cancelamento de registros subiu 1,60%.

Contas em dia Se em 2011 os consumidores encontraram dificuldade em quitar as dívidas no prazo, o mesmo não deve ocorrer neste ano. Segundo Ana Paula Bastos, os mesmos fatores que desestimularam o pagamento dos débitos devem ser revertidos em alento para o orçamento familiar. “O novo cenário mostra uma redução das taxas de juros, maior controle inflacionário, além da manutenção do emprego e renda dos trabalhadores”, pondera.

Análise de economistas da Serasa Experian também leva a crer que a inadimplência iniciará curva descendente este ano. A elevação do salário mínimo em 14% – saindo de R$ 545 para R$ 622 – é apontada como um dos fatores que contribuirão para a melhoria do cenário para a inadimplência.

É justamente no aumento da renda que o mecânico Júlio César Pereira aposta para quitar uma dívida de que nem sequer tinha conhecimento. “Estou querendo adquirir um carro e vi que estou devendo R$ 175 referentes a parcela da moto que nem tenho mais”, conta. Assim como Júlio, a auxiliar administrativa Elita Santana pretende limpar o nome para voltar a consumir. “Vou casar e quero comprar um apartamento. Mas para isso preciso estar com a situação regularizada”, pondera.

Análise da notícia
Virtuoso
A manutenção das contas em dia representa menos risco para as instituições financeiras emprestarem dinheiro, iniciando uma engrenagem virtuosa na economia. Com a trajetória de queda da inadimplência esperada para este ano, os bancos terão mais estímulos para reduzir as taxas de juros e, consequentemente, aumentar o volume de crédito disponível no mercado. Com mais liquidez, os consumidores saem às compras, estimulando não apenas o comércio, como a indústria e o setor de serviços. Calçado no consumo das famílias, o crescimento do Produto Interno Brasileiro (PIB) agradece o maior controle orçamentário e menor endividamento dos brasileiros, que ajudarão a manter a base de sustentação da economia nacional. (PT)


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