Uma estrela-do-mar escondida na bagagem de mão, corais marinhos, caranguejos e até um jabuti. Casos já registrados no BH Airport mostram como o tráfico de animais silvestres pode assumir diferentes formas e reforçam a necessidade de fiscalização nos aeroportos.


Para ajudar a identificar esse tipo de crime, profissionais que trabalham no aeroporto participaram de um treinamento sobre reconhecimento de animais, formas usadas para escondê-los e procedimentos de fiscalização de passageiros e bagagens.



A capacitação reuniu agentes de Proteção da Aviação Civil (APACs), representantes da Polícia Federal, Receita Federal e Ibama, além de profissionais de companhias aéreas, empresas que atuam no atendimento em solo e equipes de Meio Ambiente e Segurança do BH Airport.


O treinamento faz parte do DetectaTraf Aeroportos, programa do Ibama realizado em parceria com a Freeland Brasil. A iniciativa busca preparar melhor os profissionais para identificar e combater o transporte ilegal de animais silvestres.


Durante a capacitação, os participantes aprenderam a reconhecer diferentes espécies, conheceram formas utilizadas para esconder animais e participaram de exercícios práticos, incluindo a análise de imagens de raio X e técnicas de inspeção.


Também foi realizado um fórum com representantes das instituições envolvidas para discutir procedimentos, compartilhar informações e definir como agir diante de possíveis casos de tráfico.


Segundo o gerente de Infraestrutura e Meio Ambiente do BH Airport, Emerson Chaves, a integração entre as equipes é fundamental para combater esse tipo de crime.



“A prevenção ao tráfico de fauna no transporte aéreo exige equipes qualificadas, procedimentos consistentes e integração entre todos os agentes que atuam no ambiente aeroportuário.”



Com a iniciativa, o BH Airport passa a integrar a rede de Aeroportos Guardiões da Fauna Silvestre, ampliando as ações de prevenção ao tráfico e de proteção da biodiversidade.



Apreensões mostram como os animais são transportados


A ocorrência mais recente no aeroporto foi a apreensão de uma estrela-do-mar encontrada na bagagem de mão de uma passageira durante uma inspeção de segurança.


O caso se soma a outras situações identificadas no terminal, como o transporte irregular de corais marinhos, caranguejos-uçá durante o período de reprodução e peixes dentro de sacos plásticos.


Em outro episódio, um jabuti foi encontrado preso à cintura de um passageiro que utilizava uma cadeira de rodas. Uma cobra da espécie corn snake, originária da América do Norte, também foi localizada dentro de uma lixeira depois que o passageiro a abandonou ao perceber a fiscalização.


No Brasil, estima-se que 38 milhões de animais silvestres sejam retirados da natureza todos os anos. O comércio ilegal movimenta cerca de R$ 5 bilhões por ano e pode causar impactos sobre os ecossistemas e a preservação das espécies.


O transporte ilegal de animais pode resultar em multas e outras sanções previstas na legislação ambiental. Nos casos que envolvem maus-tratos, o Decreto Federal nº 12.877/2026 prevê multas de R$ 1.500 a R$ 50 mil por animal, de acordo com as circunstâncias.


Proteção da fauna também acontece fora do terminal


O trabalho do BH Airport contra o tráfico de animais faz parte de uma estratégia ambiental mais ampla.


Em 2022, o aeroporto aderiu ao pacto United for Wildlife, iniciativa apoiada pela Royal Foundation e criada pelo príncipe William. O programa reúne organizações dos setores de transporte e finanças para combater o uso de estruturas logísticas no comércio ilegal de animais e plantas silvestres.


A conservação da natureza também está presente na área onde o aeroporto está instalado. O terminal fica dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) Carste de Lagoa Santa, região de encontro entre os biomas Cerrado e Mata Atlântica.


O território do aeroporto mantém mais de 310 hectares de Reserva Legal, cerca de 790 hectares de vegetação nativa e mais de 97 hectares de Áreas de Preservação Permanente.


Uma das principais iniciativas é a passagem subterrânea para animais construída sob a rodovia LMG-800, principal acesso ao aeroporto. A estrutura tem cerca de dois metros de altura e 60 metros de comprimento e permite que os animais atravessem a estrada com mais segurança.


Desde 2023, câmeras instaladas no local acompanham o movimento dos animais. Os registros já identificaram espécies como tamanduá-mirim, veado-catingueiro, irara, ouriço-cacheiro, quati, jaguatirica, cachorro-do-mato, furão, tatu, gambá, capivara, tapiti, morcego e paca.


Algumas dessas espécies são consideradas ameaçadas ou vulneráveis à extinção.


Nos dois primeiros anos de monitoramento, o número de atropelamentos de animais silvestres caiu cerca de 83% no trecho acompanhado da rodovia.


Além de ajudar a preservar a fauna, a passagem permite que os animais circulem entre áreas de vegetação e também aumenta a segurança de quem trafega pela estrada.


O projeto foi reconhecido internacionalmente em 2025, durante a Conferência e Exposição Anual do Airports Council International Latin America & Caribbean. A passagem de fauna recebeu o Green Airport Recognition, prêmio que destaca projetos ambientais desenvolvidos por aeroportos da América Latina e do Caribe.

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O reconhecimento marcou o quinto ano consecutivo em que o BH Airport recebeu o título de Aeroporto Verde.


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