Nessa terça-feira, 15 de setembro, o Rosewood São Paulo foi anunciado como o sexto melhor hotel do planeta no prestigiado ranking The World’s 50 Best Hotels. A cerimônia, realizada em Paris, no Les Salles du Carrousel, também o coroou novamente como o melhor hotel da América do Sul — posição que já havia ocupado em edições anteriores. O primeiro lugar ficou com outra propriedade da mesma bandeira, o Rosewood Hong Kong.
A conquista coloca o empreendimento paulistano, instalado no complexo Cidade Matarazzo, no coração da Bela Vista, em um patamar raro: é o sul-americano mais bem posicionado da lista e um dos poucos representantes brasileiros no top 50 (o Copacabana Palace aparece em 29º). O ranking é votado por cerca de 800 especialistas anônimos — jornalistas de viagem, hoteleiros e viajantes experientes — distribuídos por nove regiões do mundo.
Mas o que realmente eleva o hotel a esse patamar não é apenas o luxo impecável ou a arquitetura de Jean Nouvel e Philippe Starck. É a forma corajosa e generosa com que ele valoriza a cultura brasileira — a ancestral, a profunda, a que vem das mãos de artesãos, da literatura nacional, das tapeçarias que contam histórias e dos artistas que carregam a memória do país.
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A arte como manifesto de brasilidade
Ao atravessar a entrada, o visitante já é envolvido por um gesto poderoso: as imensas tapeçarias de Regina Silveira que cobrem o lobby. Com cerca de 500 metros quadrados, elas foram tecidas ao longo de mais de dois anos e trazem a fauna e a flora brasileiras em padrões que mesclam rigor conceitual e delicadeza. Libélulas, plantas e cores que evocam as estações do ano convidam o olhar e os pés a caminhar sobre um Brasil imaginário e real ao mesmo tempo. Não é decoração. É declaração.
Em todo o hotel, mais de 450 obras site-specific de 57 artistas brasileiros transformam paredes, elevadores, piscinas, corredores e até o teto do bar em um museu vivo. Sandra Cinto pintou à mão os azulejos da piscina do rooftop inspirados na natureza brasileira. Walmor Corrêa preencheu os elevadores com gravuras de plantas híbridas. Cabelo explorou origens ancestrais no Rabo di Galo. Oskar Metsavaht trouxe sua conexão com o povo Ashaninka. Arassari Pataxó, cacique e artista, deixou uma escultura que é manifesto silencioso pela preservação e pelas culturas originárias. Ananda Nahu incorporou herança afro-brasileira e natureza em tapetes e murais. Vik Muniz assinou o vitral da Capela Santa Luzia.
Cada peça é um fio da trama que une o Brasil indígena, afro-descendente, urbano e contemporâneo. O Rosewood não importa cultura. Ele a extrai do próprio território e a eleva ao status de patrimônio vivo.
Vitral concebido pelo renomado artista Vik Muniz, que homenageia Santa Luzia, padroeira dos fotógrafos
A livraria do lobby: o Brasil em páginas
No coração do lobby, a Art Library funciona como um portal. São mais de 10 mil títulos distribuídos pelas áreas públicas e também nos quartos — com curadoria especial para autores brasileiros de arte, história, música, literatura e gastronomia. Estantes elegantes convidam a folhear, a se sentar, a se perder. Alguns volumes estão à venda. Outros simplesmente esperam. É ali que a cultura deixa de ser espetáculo e vira convivência. Literatura nacional forrando colunas, livros abertos sobre a cama no turndown service, poesia e letras de canções brasileiras como presente diário. O hotel diz, sem palavras: “Não existe luxo sem cultura”.
O Brasil profundo presente em cada detalhe
Piscina climatiza com mosaico lembra o Parque Güell de Galdi mas faz referência aos rios de Bonito (MS)
Madeiras da Amazônia, trinta tipos de mármore brasileiro, tecidos e acessórios feitos por artesãos de diferentes regiões do país. Tudo é local. Tudo carrega memória. A sustentabilidade não é marketing: é reverência à terra, à Pachamama, aos povos originários. O complexo Cidade Matarazzo, maior projeto de upcycling do país, respira essa lógica.
O Rosewood São Paulo não é um hotel de luxo internacional que “incluiu” elementos brasileiros. Ele é, em sua essência, uma ode ao Brasil profundo. Àquelas camadas que a globalização muitas vezes esquece: a ancestralidade indígena, a força da cultura afro-brasileira, a sabedoria das mãos que tecem, pintam e esculpem, a literatura que nos conta quem somos.
Ao conquistar o 6º lugar mundial, o hotel prova que a excelência verdadeira nasce quando se valoriza a própria alma. Em plena Avenida Paulista, no meio da maior metrópole da América Latina, o Rosewood oferece algo raro: a chance de se reencontrar com o Brasil mais profundo — e de se orgulhar dele. O Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, ficou em 29º lugar na mesma lista (havia ocupado a 11ª posição no ano anterior).
Ranking completo dos 50 melhores hotéis do mundo – The World’s 50 Best Hotels 2026
1. Rosewood Hong Kong (Hong Kong)
2. Capella Bangkok (Bangkok, Tailândia)
3. Four Seasons Bangkok at Chao Phraya River (Bangkok, Tailândia)
4. Atlantis The Royal (Dubai)
5. Passalacqua (Lago de Como, Itália)
6. Rosewood São Paulo (São Paulo, Brasil)
7. Mandarin Oriental Qianmen (Pequim, China)
8. Upper House Hong Kong (Hong Kong)
9. Chablé Yucatán (Chocholá, México)
10. Mandarin Oriental Bangkok (Bangkok, Tailândia)
11. Aman Tokyo (Tóquio, Japão)
12. Four Seasons Firenze (Florença, Itália)
13. Claridge’s (Londres, Reino Unido)
14. Hôtel de Crillon (Paris, França)
15. Jumeirah Marsa Al Arab (Dubai)
16. Capella Sydney (Sydney, Austrália)
17. Raffles Singapore (Singapura)
18. Casa Maria Luigia (Modena, Itália)
19. Le Bristol (Paris, França)
20. Cheval Blanc Paris (Paris, França)
21. Desa Potato Head (Bali, Indonésia)
22. San Ysidro Ranch (Santa Barbara, EUA)
23. One&Only Mandarina (Riviera Nayarit, México)
24. Bulgari Tokyo (Tóquio, Japão)
25. Las Ventanas al Paraíso (Los Cabos, México)
26. Royal Mansour (Marrakech, Marrocos)
27. Four Seasons Astir Palace (Atenas, Grécia)
28. Raffles London at The OWO (Londres, Reino Unido)
29. Copacabana Palace (Rio de Janeiro, Brasil)
30. The Taj Mahal Palace (Mumbai, Índia)
31. The Peninsula Istanbul (Istambul, Turquia)
32. Bulgari Roma (Roma, Itália)
33. Patina Osaka (Osaka, Japão)
34. Mount Nelson (Cidade do Cabo, África do Sul)
35. Nihi Sumba (Sumba, Indonésia)
36. Badrutt’s Palace (St. Moritz, Suíça)
37. Park Hyatt Kyoto (Quioto, Japão)
38. Hôtel du Couvent (Nice, França)
39. Portrait (Milão, Itália)
40. Hôtel de Paris Monte-Carlo (Mônaco)
41. Plaza Athénée (Paris, França)
42. Hotel Sacher Vienna (Viena, Áustria)
43. Estelle Manor (Witney, Reino Unido)
44. Hôtel du Cap-Eden-Roc (Antibes, França)
45. Amangiri (Canyon Point, EUA)
46. The Peninsula Hong Kong (Hong Kong)
47. Maroma (Riviera Maya, México)
48. Aman Nai Lert (Bangkok, Tailândia)
49. The Connaught (Londres, Reino Unido)
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50. San Domenico Palace (Taormina, Itália)
