Amazônia viva

O Caribe escondido no Pará, que o brasileiro desconhece, encantou o mundo

O ciclo das águas transforma a paisagem ao longo do ano e revela diferentes formas de viver o paraíso de Alter do Chão (PA), entre praias de areia branca, rios, trilhas e experiências conduzidas pelas comunidades locais

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Conhecida pelas praias de areia branca que surgem às margens do Rio Tapajós, Alter do Chão, distrito de Santarém (PA), vai muito além de um destino para descansar. A beleza da região já ganhou projeção internacional: em 2017, o The New York Times destacou Alter do Chão em uma reportagem sobre uma das praias mais surpreendentes do Brasil, descrevendo o destino como um dos povoados de praia mais sedutores do mundo.

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Em meio à floresta amazônica, a região oferece ao viajante a oportunidade de conhecer comunidades ribeirinhas, descobrir tradições preservadas por gerações e experimentar uma Amazônia que se transforma de acordo com o ritmo das águas. 

Localizada na margem direita do Tapajós, Alter do Chão tem uma paisagem em constante movimento. O nível dos rios determina não apenas o desenho das praias, mas também as formas de explorar o território. Entre agosto e dezembro, durante a temporada seca, a vazante revela extensas faixas de areia branca e amplia as possibilidades de trilhas em terra firme e passeios de barco.

Já entre janeiro e julho, na temporada de cheia, as águas avançam sobre parte das praias e transformam a floresta em um cenário navegável. Igarapés e igapós passam a fazer parte dos roteiros, permitindo experiências de canoagem e navegação que revelam outra face da região.

Essa transformação natural faz com que Alter do Chão possa ser visitada em diferentes épocas sem que a experiência seja exatamente a mesma.

Floresta que conta histórias

Praia de Alter do Chão e Santarém são exemplos de nomeações portuguesas que apagaram as denominações dos povos originários
Praia de Alter do Chão e Santarém são exemplos de nomeações portuguesas que apagaram as denominações dos povos originários Prefeitura de Santarém/Divulgação

Durante os meses de cheia, os roteiros incluem trilhas pela floresta, visita à Samaúma gigante, com mais de mil anos, banho e mergulho em igarapés e passeios de canoa pelos igapós da Floresta Encantada.

Também é possível navegar pelo Canal do Jari e pelo Encontro das Águas, onde os visitantes podem ter a oportunidade de avistar botos. A observação de aves e da fauna amazônica completa as experiências de contato com a natureza.

Mas é quando o viajante se aproxima das comunidades que a floresta ganha novas camadas. Oficinas de artesanato, experiências com seringa e borracha, ervas medicinais e farinhada revelam conhecimentos que fazem parte do cotidiano dos moradores.

Na farinhada, o visitante acompanha o processo tradicional de produção da farinha de mandioca. Já o Pirarimbó combina uma vivência de carimbó com a piracaia, forma ancestral de assar peixe na brasa à beira do rio.

São experiências que transformam o visitante em participante e permitem compreender que, em Alter do Chão, cultura e natureza caminham lado a lado.

Conhecimento vira experiência

Na comunidade de Maguari, Dona Nira é uma das pessoas que transformam a cultura local em experiências para quem chega. Responsável pela alimentação e por oficinas de artesanato, ela integra o grupo Natureza Viva de Biojoias e apresenta aos visitantes o processo de produção das peças, compartilha histórias e fala sobre os conhecimentos relacionados às ervas medicinais.

“É muito satisfatório para a gente contar e relatar as histórias lindas da nossa comunidade para os viajantes, eles ficam muito felizes. Sempre tem um momento que eles perguntam sobre as ervas e como eu as conheço e entendo um pouco, eu compartilho meus conhecimentos sobre para o que serve. Eles saem encantados e maravilhados”, conta.

A gastronomia também se tornou uma forma de apresentar a identidade de Maguari. Ao longo dos anos, Dona Nira passou a receber os grupos para um jantar no último dia da experiência na comunidade.

“Eu procuro fazer uns quatro ou cinco pratos diferentes para destacar o nosso tempero e sabor. Eu vejo que o jantar repercute muito bem e os viajantes se sentem maravilhados com os sabores diferenciados e os peixes assados na caldeirada”, afirma.

Benefícios na comunidade

Desde 2018, a Vivalá – Turismo Sustentável no Brasil atua na região em parceria com comunidades como Maguari e Jamaraquá. O trabalho envolve expedições de turismo sustentável, capacitação de empreendedores locais e iniciativas voltadas ao desenvolvimento de pequenos negócios.

A proposta é colocar os moradores no centro da construção dos roteiros, transformando conhecimentos, atividades cotidianas e modos de vida em experiências turísticas.

Além de proporcionar uma aproximação mais verdadeira com o território, o modelo contribui para a geração de renda e para a movimentação da economia local. Os moradores participam diretamente da operação, desde a condução das atividades até a preparação dos espaços para receber os viajantes.

Para Daniel Sousa, facilitador que atua com a Vivalá desde 2022, a parceria também tem contribuído para a profissionalização dos empreendedores.

“Os locais, como comunidade e como espaço turístico, trabalham em prol de melhorar cada vez mais o desenvolvimento turístico, cada qual em seus ambientes. Desenvolvem atividades e organizam espaços para receber os visitantes que chegam por terra e por água. Transformam seus meios de vida e suas experiências em momentos únicos para aqueles que vêm buscar esse contato”, afirma.

Depois de anos de capacitação comunitária por meio da Universidade Vivalá de Negócios, metodologia criada pela organização, os resultados começam a aparecer. Segundo Daniel Cabrera, cofundador e diretor executivo da Vivalá, o número de viajantes em Alter do Chão cresceu 50% entre 2023 e 2025.

“Este é um dos nossos destinos mais buscados e melhor avaliados, com destaque para a profundidade das experiências, que faz com que as pessoas voltem para casa inspiradas e transformadas”, explica.

Impacto que vai além do turismo

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A navegação em barcos por Alter do Chão proporciona imersão cultural e vistas de paisagens inacessíveis por terra. Pexels/ Lucia Barreiros Silva

O movimento provocado pelas expedições também se reflete na economia das comunidades. Em 2025, a Vivalá realizou 13 operações em Alter do Chão, levando 174 viajantes e movimentando mais de R$ 149 mil na economia local.

Segundo o Relatório de Impacto 2025, publicado pela Vivalá em julho deste ano, o destino apresentou o maior efeito multiplicador entre os locais operados pela empresa. Mais de 47% do valor movimentado veio de gastos indiretos realizados pelos próprios viajantes.

O impacto alcançou diretamente 116 comunitários envolvidos nas operações e seus familiares. A área de atuação diretamente apoiada pelo negócio social em iniciativas de conservação chegou a 19.388,18 hectares.

Para quem chega, a experiência também pode mudar a maneira de enxergar o destino.

A enfermeira Maria Isabel da Silva esteve em Alter do Chão há poucos meses. Antes da viagem, imaginava encontrar um lugar tranquilo, cercado por vegetação e rios. Ao chegar, porém, surpreendeu-se com a estrutura, a segurança, a receptividade e a maneira como os moradores convivem com as constantes mudanças provocadas pelo ciclo das águas.

“Vivenciar a natureza com a experiência e contato com a população local foi completamente diferente do que ficar em hotel. A experiência que mais me marcou, sem dúvida, foram os dias na comunidade Maguari, pela sua passividade, preocupação em manter tradições e natureza, mas também pelo extremo respeito que possuem pela Vivalá. Percebi um respeito à cultura local e à natureza”, afirma.

Diferentes Amazônias

Alter do Chão (PA): um guia completo do Caribe Amazônico
As praias fluviais de Alter do Chão, como a famosa Ilha do Amor, oferecem estrutura de quiosques e areias brancas no rio Tapajós. idobi/ Wikimedia Commons

Para quem deseja conhecer Alter do Chão de maneira mais profunda, a Expedição Amazônia Alter do Chão (PA) oferece opções de quatro, cinco ou oito dias, com passagem por Alter do Chão, Floresta Nacional do Tapajós e comunidades de Maguari e Jamaraquá.

Os roteiros incluem hospedagem, refeições previstas em cada opção, vivências culturais e de natureza, transportes fluviais e terrestres entre o ponto de encontro e o aeroporto de Santarém, acompanhamento da equipe de Facilitação e Condução Vivalá e seguro-aventura.

As acomodações são em quartos compartilhados, com opções individuais, duplas, triplas ou quádruplas, conforme disponibilidade.

Na opção de quatro dias, são três noites em pousada de Alter do Chão, três cafés da manhã, dois almoços e um jantar. O investimento parte de R$ 3.752,50 no PIX ou transferência, com 5% de desconto.

O roteiro de cinco dias inclui duas noites em pousada de Alter do Chão e duas noites na Pousada e Redário Abílio, além de quatro cafés da manhã, três almoços, um café da tarde e dois jantares. O valor parte de R$ 3.942,50.

Já a experiência de oito dias prevê duas noites em Alter do Chão e cinco noites na Pousada e Redário Abílio, com sete cafés da manhã, seis almoços e cinco jantares. O investimento começa em R$ 4.835,50 no PIX ou transferência.

Todas as opções podem ser parceladas em até oito vezes sem juros ou 12 vezes com juros. As passagens aéreas até Santarém, traslado entre aeroporto e Alter do Chão, refeições em Santarém no primeiro e último dia, bebidas e despesas pessoais não estão incluídos.

As saídas em grupo estão programadas ao longo de todos os meses até o fim de 2027.

Para quem prefere experiências mais curtas e personalizadas, a Vivalá também oferece roteiros privativos de um dia, em parceria com a Pérola. As opções passam pela Floresta Nacional do Tapajós, Canal do Jari, Floresta Encantada, praias do Rio Tapajós, Rio Arapiuns e Comunidade de Coroca.

Também estão disponíveis experiências como Pirarimbó, focagem de jacaré, Turismo de Cura e Farinhada. Os valores partem de R$ 180 por pessoa e chegam a R$ 370, dependendo da experiência escolhida.

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Em Alter do Chão, cada estação revela uma paisagem diferente. E, entre praias que aparecem e desaparecem, rios que avançam sobre a floresta e comunidades que mantêm vivas suas tradições, a viagem ganha um significado que vai muito além de contemplar a natureza: é uma oportunidade de conhecer a Amazônia a partir de quem vive nela.

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