Gruta do Lago Azul: o lugar que colocou Bonito no mapa do mundo
Antes das águas cristalinas, das flutuações e do ecoturismo que conquistaram o globo, foi o azul misterioso de uma caverna que revelou ao Brasil a vocação turística do paraíso no Mato Grosso do Sul
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Descer os degraus da Gruta do Lago Azul é, de certa maneira, voltar no tempo. A cerca de 21 quilômetros do Centro de Bonito, no Mato Grosso do Sul, a escadaria conduz o visitante para dentro de uma enorme cavidade subterrânea onde, no fundo, aparece um lago de um azul intenso, resultado da incidência da luz natural sobre suas águas. Hoje, a gruta é considerada um dos principais símbolos de Bonito e um patrimônio natural de enorme importância científica e paisagística.
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A versão mais conhecida conta que a Gruta do Lago Azul foi descoberta em 1924 por um indígena Terena, que teria encontrado a entrada da caverna enquanto seguia o rastro de uma anta. Essa é a história tradicionalmente divulgada por órgãos de turismo e publicações sobre Bonito.
Mas há uma importante ressalva histórica: estudos sobre a gruta apontam que não existem documentos que comprovem essa versão de forma definitiva. A história da descoberta por um indígena Terena acabou se transformando em uma tradição local, repetida ao longo das décadas. O que se sabe é que a caverna já era conhecida pela população da região por volta de 1940.
Em 1957, a Gruta do Lago Azul apareceu pela primeira vez em uma publicação científica. Na época, era chamada de Gruta da Fazenda Anhumas.
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Quando Bonito começou a descobrir o turismo
A verdadeira transformação aconteceu décadas depois. Segundo registros históricos, a visitação turística começou por volta de 1970, quando o município passou a olhar para suas cavernas como possíveis atrativos turísticos. Naquele período, a Gruta do Lago Azul e outras cavidades da região estavam entre os poucos atrativos estruturados de Bonito.
Foi o início de uma mudança que ajudaria a transformar a economia e a identidade do município.
Em 1978, a Gruta do Lago Azul e a Gruta de Nossa Senhora Aparecida foram tombadas pelo IPHAN, reconhecimento que consolidou oficialmente sua importância paisagística e científica e criou instrumentos para sua preservação.
Um cartão-postal nasceu dentro da terra
A força da Gruta do Lago Azul está justamente na combinação de beleza e mistério. O lago subterrâneo, cuja profundidade e origem ainda guardam questões científicas, tornou-se uma das imagens mais emblemáticas de Bonito.
Mas a gruta é muito mais do que uma fotografia bonita. Pesquisas encontraram fósseis de animais da megafauna pleistocênica, incluindo espécies de grande porte que habitaram a região milhares de anos atrás. O local também abriga organismos adaptados à vida subterrânea, como o crustáceo Potiicoara brasiliensis.
É como se Bonito tivesse guardado, dentro da montanha, uma cápsula do tempo.
O nascimento de um destino
Bonito não se tornou um dos principais destinos de ecoturismo do Brasil de uma hora para outra. A Gruta do Lago Azul foi uma das primeiras grandes janelas abertas para esse universo.
A imagem do lago azul passou a representar uma região até então pouco conhecida turisticamente. Depois vieram as águas cristalinas dos rios, as nascentes, as cachoeiras, as flutuações, os balneários e uma sofisticada estrutura de turismo sustentável.
O próprio Plano Diretor de Bonito 2026–2036 reconhece esse papel: a Gruta do Lago Azul tornou-se o principal cartão-postal e símbolo da paisagem subterrânea de Bonito, enquanto sua imagem ajudou a consolidar a representação do município como a “terra das águas cristalinas”.
Por isso, conhecer Bonito sem conhecer a Gruta do Lago Azul é deixar de visitar um dos lugares onde essa história começou.
Foi ali, no silêncio de uma caverna, que Bonito encontrou uma imagem capaz de atravessar fronteiras.
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Um lago azul no escuro acabou iluminando o caminho de um destino inteiro.