Duas vilas mineiras, duas expressões profundas da identidade de Minas Gerais, agora dividem com o mundo a força de um território onde natureza, memória, cozinha, fé e hospitalidade formam uma só paisagem. Conceição de Ibitipoca, distrito de Lima Duarte, e Delfinópolis, na Serra da Canastra, estão entre os sete destinos brasileiros indicados ao programa Best Tourism Villages, da ONU Turismo, reconhecimento internacional voltado a comunidades rurais que fazem do turismo um caminho de preservação, pertencimento e desenvolvimento sustentável.
A presença de Minas na disputa é motivo de orgulho porque traduz, em escala global, aquilo que o estado sabe fazer com singularidade: acolher sem pressa, preservar saberes antigos e transformar o cotidiano rural em experiência viva. Em Ibitipoca, a serra, os campos rupestres, os casarios coloniais, as igrejas centenárias e os encontros de violeiros revelam uma mineiridade moldada pela paisagem e pela história. Em Delfinópolis, as cachoeiras, trilhas, cafés e o Queijo Minas Artesanal da Canastra mostram como a produção rural também é cultura, afeto e identidade.
A edição de 2026 reúne 265 candidaturas de 65 países, distribuídas entre África, Américas, Ásia-Pacífico, Europa e Oriente Médio. Não se trata de um concurso baseado apenas na beleza: a avaliação considera nove dimensões, entre elas sustentabilidade econômica, social e ambiental, proteção do patrimônio cultural e natural, governança, infraestrutura, segurança, conectividade e bem-estar das comunidades. As vilas reconhecidas passam a integrar uma rede global que já reúne 319 destinos rurais em 65 países; além de visibilidade internacional, recebem diploma da ONU Turismo e participam de intercâmbios e programas de qualificação.
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Os sete representantes brasileiros
Na Cachoeira da Gruta, em Delfinópolis, a natureza revela um dos cenários mais encantadores da Serra da Canastra
O Brasil concorre com sete representantes: Araçá, em Porto Belo, Santa Catarina; Conceição de Ibitipoca, em Lima Duarte, Minas Gerais; Delfinópolis, Minas Gerais; Holambra, São Paulo; Lençóis, Bahia; São José do Barreiro, São Paulo; e Vila Flores, Rio Grande do Sul. Juntos, eles apresentam ao mundo um país de comunidades que preservam tradições, paisagens e modos de vida próprios — da pesca artesanal catarinense ao patrimônio da Chapada Diamantina, das flores de Holambra às montanhas mineiras.
Uma disputa de alcance internacional
Entre as candidaturas internacionais já divulgadas por seus países estão destinos de forte apelo histórico e cultural, como Eski Datça, Adatepe, Sack e Ziyaret, na Turquia; Biyara, Hirur e Rawanduz, no Curdistão iraquiano; além de vilas que serão selecionadas pela Argentina, país que abriu processo para definir seus representantes nacionais.
A lista global definitiva de concorrentes ainda será consolidada pela ONU Turismo, já que cada país encaminha suas indicações por meio de suas administrações nacionais de turismo. O resultado será anunciado até o fim de 2026, em evento internacional da entidade.
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Minas diante do mundo
Para Minas, a indicação já é uma vitória simbólica: coloca duas de suas vilas em uma vitrine mundial e reafirma que a mineiridade — feita de simplicidade sofisticada, cuidado com a terra e orgulho das próprias raízes — tem força para inspirar o turismo do futuro.
