Nova taxa de vistos, sem garantia, dos EUA afugenta ainda mais turistas
Cobrança extra de US$ 750 promete reduzir o tempo de espera para entrevistas, mas não garante vaga antecipada nem aprovação do visto
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Os Estados Unidos deram mais um passo para tornar o acesso ao país ainda mais caro. Desde 1º de julho, passou a vigorar uma modalidade prioritária para solicitação dos vistos B1/B2 (turismo e negócios) que permite ao candidato disputar uma entrevista em até dez dias úteis mediante o pagamento de uma taxa adicional de US$ 750 — cerca de R$ 3,9 mil. O problema é que o valor extra não garante nem a antecipação da entrevista, nem a aprovação do visto.
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Na prática, quem deseja utilizar o serviço poderá desembolsar US$ 935, somando a nova cobrança à taxa consular obrigatória de US$ 185. O custo elevado chega justamente em um momento em que o turismo americano enfrenta queda na procura internacional, pressionado por um cenário de maior rigor migratório, custos crescentes e perda de competitividade frente a outros destinos.
Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) mostram que o fluxo de turistas internacionais para os Estados Unidos recuou 5,4%. Já o Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC) estima uma redução de 7% nos gastos de visitantes estrangeiros em apenas um ano, reflexo da diminuição do número de turistas, especialmente do Canadá, México e Europa.
O cenário só não foi ainda mais negativo para o turismo americano por causa da Copa do Mundo da FIFA, disputada neste verão nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio atraiu milhões de visitantes estrangeiros, impulsionou a ocupação hoteleira e elevou o movimento em aeroportos, restaurantes e atrações turísticas nas cidades-sede. Especialistas avaliam que, sem esse efeito temporário proporcionado pelo maior evento esportivo do planeta, a retração no número de turistas internacionais e nos gastos de visitantes seria ainda mais acentuada, reforçando a perda de competitividade dos Estados Unidos como destino turístico.
Para a advogada especializada em imigração Larissa Salvador, a nova modalidade pode ser útil para quem enfrenta situações urgentes, mas está longe de resolver o principal problema enfrentado pelos brasileiros: as longas filas para obtenção do visto.
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Paga caro, mas continua sem garantias
Segundo a especialista, existe uma expectativa equivocada de que o pagamento da taxa ofereça algum tipo de privilégio além da tentativa de reduzir o tempo de espera.
"O pagamento dessa taxa serve exclusivamente para tentar obter uma entrevista em prazo menor. Os critérios de análise permanecem exatamente os mesmos e não existe qualquer aumento nas chances de aprovação do visto", explica.
Ela ressalta ainda que nem mesmo a entrevista antecipada está assegurada.
"Nem todos os consulados participarão do programa e haverá um número limitado de vagas. Ou seja, mesmo pagando o valor adicional, o solicitante depende da disponibilidade da unidade consular."
Outro ponto destacado pela advogada é que, até o momento, o governo americano também não informou se quem já possui entrevista marcada poderá migrar para a modalidade prioritária.
O valor de US$ 935 pago para antecipar a entrevista do visto americano não é devolvido em caso de negativa. Essa taxa de serviço premium serve apenas para acelerar o agendamento e não garante a aprovação do documento nem acelera a análise do seu perfil pelo oficial consular.
Tanto essa quantia quanto a taxa consular padrão de solicitação (MRV) são consideradas não reembolsáveis. Ambas remuneram o governo dos EUA pelo processamento do pedido e pela análise, e não pela emissão do visto em si
Turismo e negócios não significam autorização para trabalhar
Larissa Salvador alerta ainda para uma confusão frequente entre os solicitantes. O visto B1/B2 continua destinado exclusivamente a viagens de turismo e negócios, sem qualquer autorização para exercer atividade profissional remunerada nos Estados Unidos.
"O visto de negócios permite participar de reuniões, eventos, negociações comerciais, prospecção de mercado ou avaliar investimentos, mas não autoriza trabalhar no país."
Acesso mais rápido para quem pode pagar
Embora seja apresentada como uma solução para viagens urgentes, a medida também levanta questionamentos sobre o acesso ao sistema consular. Na prática, a possibilidade de tentar uma entrevista mais rápida passa a depender da capacidade financeira do solicitante.
Para a especialista, o programa pode representar um teste do governo americano para avaliar a aceitação de serviços premium dentro do sistema de emissão de vistos.
"Além de atender situações emergenciais, o programa pode indicar uma tendência de criação de serviços diferenciados para quem está disposto a pagar mais. Mas ainda é cedo para afirmar que esse modelo será permanente."
Segundo ela, a iniciativa funcionará inicialmente como um projeto-piloto até dezembro. Somente após esse período o governo dos Estados Unidos decidirá se manterá, ampliará ou encerrará a modalidade.
Enquanto isso, quem pretende visitar os Estados Unidos passa a enfrentar mais um obstáculo financeiro. A nova taxa reduz apenas o tempo de espera — quando há vagas disponíveis —, mas não elimina filas, não flexibiliza as exigências do processo e, sobretudo, não oferece qualquer garantia de que o visto será concedido.
Sobre a Dra Larissa Salvador
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Advogada de imigração tem como missão representar brasileiros que desejam conquistar o Sonho Americano por meio de soluções jurídicas personalizadas. Nascida em Madureira, no Rio de Janeiro, e tendo vivido boa parte da sua vida no Complexo do Alemão (RJ), Larissa passou mais de dez anos em situação ilegal nos Estados Unidos; experiência que despertou sua vocação para o Direito Imigratório.