Imagine planejar as férias perfeitas à beira-mar, só para se deparar com um pesadelo de praias imundas, engarrafamentos infernais e surtos de doenças que transformam o paraíso em um campo de batalha pela sobrevivência. Esse é o retrato alarmante do litoral de São Paulo neste verão, onde o sonho de descanso vira alerta de saúde pública. Com milhões de turistas descendo a serra – muitos vindos de Minas Gerais –, as autoridades e moradores locais clamam por ação imediata, enquanto relatos de caos se multiplicam nas redes sociais e boletins oficiais.
O colapso começou cedo: desde a virada do ano, cidades como Santos, Guarujá, Ubatuba e Praia Grande viraram sinônimo de superlotação extrema. Turistas relatam viagens que duram até 14 horas de São Paulo ao Litoral Norte, com estradas paralisadas e brigas por vagas na areia. "Vivendo há mais de 40 anos no litoral eu nunca vi tanta gente na praia. A cidade está colapsada, venderam tudo, não tem como se mexer, engarrafamento por todo lado", desabafa Humberto Matos (@H1SaiaDaMatrix), professor e youtuber gaúcho radicado no litoral, em postagem viral no X (antigo Twitter) que ecoa a indignação de milhares.
A Baixada Santista, por exemplo, recebe até 5 milhões de visitantes em picos de feriado, transformando ruas em estacionamentos improvisados e praias em aglomerações perigosas. "A maior parte das pessoas não está nem aí porque estão na praia, transformando o litoral de São Paulo num gigantesco inferno, sem água, sem luz, sem água pra comprar, sem comida", alerta a usuária Beta (@_roberta_carla) em thread no X, destacando o colapso de serviços básicos.
Também no X, a falta de energia elétrica e de água entrou na mira das reclamações do perfil Voz do Brasil (@Vozdobrasilbr): “Tarcísio mentiu. Ele prometeu que a privatização da Sabesp traria eficiência, investimento e melhoria no serviço. A realidade é outra: o litoral paulista está passando até 7 dias sem água em plena alta temporada. Famílias, trabalhadores e comerciantes pagam caro e ficam na seca”
Mas o pior vai além do desconforto: a poluição ambiental é um risco mortal. De acordo com a Cetesb, atualizada em 22 de janeiro de 2026, 22 praias estão impróprias para banho, com níveis alarmantes de bactérias fecais e esgoto a céu aberto – incluindo pontos em Ubatuba (Itaguá), Caraguatatuba (Prainha e Indaiá), São Sebastião e várias na Baixada Santista. Peixes mortos cobrem a orla em trechos da Baixada, exalando fedor insuportável, como registrado pela moradora local em vídeo compartilhado pelo Jornal A Tribuna (@atribunasantos). No Guarujá, a Enseada – outrora cartão-postal – agora é palco de contaminações que causam irritações na pele e infecções gastrointestinais. Esse cenário ecoa o surto de norovírus de 2025 e aumenta o risco de repetição em 2026 devido à densidade populacional e falhas no saneamento.
Doenças Diarreicas Agudas (DDA)
O Ministério da Saúde e secretarias estaduais emitem alertas constantes para surtos de Doenças Diarreicas Agudas (DDA), com explosão de casos no litoral brasileiro neste verão. São Paulo registrou 53.381 casos nas primeiras três semanas de 2026. Milhares de pessoas foram hospitalizadas por causa do surto de gastroenterite viral, que provocou febre, vômitos e diarreia. Em Santa Catarina, em segundo lugar no ranking do boletim epidemiológico, contabiliza mais de 21 mil casos de DDA, com aumentos de até 370% em municípios como Bombinhas e Itajaí – impulsionados por contaminação fecal, superlotação e consumo de alimentos/bebidas inadequados. No litoral paulista, condições idênticas (praias impróprias, esgoto e falta de higiene) acendem o mesmo sinal vermelho: especialistas alertam para um possível novo surto de viroses gastrointestinais, com sintomas como diarreia intensa, vômitos, febre e desidratação. Milhares procuraram atendimento em 2025; em 2026, o risco persiste e pode sobrecarregar hospitais locais. Evite banho em praias impróprias e redobre cuidados com alimentação e hidratação.
Adicione a isso a crise hídrica: cidades como Itanhaém, Peruíbe, Mongaguá e partes da Baixada enfrentam interrupções que duram até 7 dias, deixando hotéis e pousadas sem condições básicas. "Sabesp interrompe água em 7 cidades da Baixada Santista após temporais", alerta o perfil FLOR DO DESERTO (@FlorDeserto) no X, compartilhando notícia do Diário do Litoral. O calor recorde agrava o problema, forçando turistas a comprar água engarrafada a preços exorbitantes – outro golpe no bolso.
Falando em finanças, os abusos comerciais chocam: ambulantes e quiosques impõem "consumo mínimo" de R$ 400 para usar cadeira na areia pública, com porções de petiscos custando o triplo do normal. "Quer ser roubado, venha pra Ubatuba. Absurdos os preços. Isso afasta os turistas", denuncia José Geraldo de Souza, morador de Ubatuba, em publicação repercutida pelo Estadão e TMC. Fiscalizações apreenderam itens irregulares, mas o problema persiste, com o Procon-SP registrando aumento de denúncias.
E a segurança? Afogamentos já vitimaram mais de 20 pessoas na Baixada Santista em apenas duas semanas de janeiro, superando anos anteriores, conforme reportagens da Band e R7. "Gente pelo amor de Deus tomem muito cuidado nas praias da baixada santista e todo litoral de São Paulo, já perdi as contas de quantos casos de afogamento eu vi nas redes sociais nesse fim e começo de ano, infelizmente a maioria deles são de crianças", alerta a usuária @013_BiaAlves no X. Conflitos por som alto, álcool excessivo e perturbação do sossego transformam noites em "terra sem lei".
Pense duas vezes antes de descer a serra
Para você, morador de Santa Luzia ou qualquer mineiro sonhando com o mar paulista, este é um chamado à cautela. Verifique a balneabilidade das praias no site da Cetesb (cetesb.sp.gov.br/praias) antes de partir – evite bandeiras vermelhas a todo custo. Leve suprimentos próprios: cooler com água, comida e itens de higiene para driblar preços abusivos e faltas. Monitore apps de trânsito e saia de madrugada para evitar o caos nas rodovias. E, acima de tudo, priorize a saúde: vacine-se contra viroses comuns, evite aglomerações e alimentos de rua suspeitos, e procure ajuda médica ao primeiro sinal de diarreia ou vômito – o alerta de DDA é real e pode transformar férias em internação.
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Autoridades prometem melhorias, como investimentos em saneamento e fiscalização reforçada, mas o verão de 2026 já está marcado como o "pior da década". Se possível, opte por destinos alternativos, como o litoral mineiro ou praias menos badaladas. Seu descanso não vale o risco – fique atento, fique seguro. Para mais informações, contate o Procon-MG ou acompanhe atualizações oficiais do Ministério da Saúde. O paraíso pode esperar; sua saúde, não.
