Em junho de 1989, pesquisadores da Universidade de Southampton instalaram um recife artificial na costa de Dorset, no sul da Inglaterra. A estrutura reuniu 50 toneladas de blocos produzidos com cinzas de usinas termelétricas a carvão sobre o fundo arenoso de Poole Bay.

O recife ocupou uma área a cerca de dez metros de profundidade e a três quilômetros das rochas naturais mais próximas. Apenas três semanas após a colocação das peças, mergulhadores já avistaram lagostas europeias vivendo entre os blocos.

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Construção e resposta da fauna marinha

Antony Jensen, Ken Collins e Philip Smith lideraram a iniciativa na Universidade de Southampton. Os cientistas misturaram cinzas de carvão, gesso de dessulfurização, cimento e cascalho em blocos de 40 por 20 por 20 centímetros, empilhados em oito cones de um metro de altura por quatro de diâmetro.

O objetivo residia em imobilizar metais pesados no cimento e fornecer uma base rígida para os animais marinhos. O projeto consistiu no primeiro recife artificial do norte da Europa feito com cinzas de carvão estabilizadas e gesso de centrais elétricas.

Entre 1989 e 1992, o grupo marcou 114 lagostas europeias (Homarus gammarus). As medições mostraram que 48% retornaram ao recife e foram recapturadas ao menos uma vez, sendo que um exemplar permaneceu no local por mais de 800 dias. Conforme artigo na revista "Crustaceana", 16 indivíduos se deslocaram depois a até 15,7 quilômetros do ponto original.

Cardumes e limites do ecossistema

A estrutura também abrigou grupos de fanecas (Trisopterus luscus). Uma pesquisa de 1999 divulgada no "Journal of Fish Biology" apontou que 86,6% desses peixes eram juvenis com menos de 191 milímetros, os quais passavam o dia parados e saíam para comer à noite.

O acompanhamento de dez anos publicado em 2001 no boletim da "Porcupine Marine Natural History Society" informou que os recifes artificiais exibiram mais espécies do que os naturais, embora esponjas tenham demorado bastante tempo para colonizar as superfícies.

Medições feitas em 1995 por Alison Hatcher registraram mais biomassa fixada nos blocos de controle de concreto tradicional do que nos de cinza em dez de doze amostras. Certos organismos comuns das rochas locais não se fixaram nos blocos após uma década, a exemplo de cinco esponjas, do coral mole Sarcodictyon roseum e do molusco Tritonia lineata.

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As empresas National Power e PowerGen bancaram o início das atividades, assumidas em seguida pelo Ministério da Agricultura, Pesca e Alimentação britânico.

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