Dois milhões de pneus no mar para atrair peixes: projeto de recife artificial de 1972 na Flórida toma um rumo que põe em xeque a promessa de multiplicar corais
Iniciativa criada para gerar vida marinha na Flórida espalhou milhões de pneus no mar e transformou a proteção ambiental em desafio histórico
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Em 1972, autoridades locais lançaram cerca de 2 milhões de pneus usados no oceano Atlântico, na costa de Fort Lauderdale, na Flórida. O objetivo era construir o maior recife artificial do planeta. A iniciativa, porém, destruiu 14 hectares de recifes naturais ao longo de cinco décadas.
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A associação de pescadores Broward Artificial Reef Inc. idealizou o plano com a aprovação do Army Corps of Engineers. A fabricante Goodyear apoiou a proposta, afirmando que as estruturas ofereceriam abrigo aos peixes e estimulariam a formação de corais.
Entre abril de 1972 e novembro de 1973, equipes despejaram inicialmente 50 mil pneus e depois outros 190 mil amarrados com tiras de náilon. A documentação da época permaneceu incompleta, mas estimativas apontam que o total atingiu 2 milhões de unidades em uma área de 35 acres, correspondente a cerca de 14 hectares.
Danos provocados pela força do mar
A força das águas e a corrosão dos fechos metálicos arrebentaram as tiras de náilon que mantinham os blocos unidos. Livres no fundo marinho, milhares de pneus se transformaram em projéteis impulsionados pelas tempestades tropicais comuns na Flórida.
O deslocamento contínuo das peças gerou consequências graves:
apenas 10% das estruturas foram colonizadas pela vida marinha;
os peixes abandonaram a área tornada instável e perigosa;
milhares de pneus travaram nos recifes vizinhos e bloquearam o crescimento de corais que levaram décadas ou séculos para se formar.
Custo financeiro e histórico de operações
O valor estimado para retirar os pneus varia entre 40 e 100 milhões de dólares. Em 2007, uma campanha de recuperação conseguiu resgatar cerca de 10 mil unidades do leito oceânico.
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A prática também foi adotada na Europa. Entre 1980 e 1989, a França depositou 25 mil pneus na área marítima protegida de Vallauris Golfe-Juan, na Côte d'Azur. Cinquenta anos após o lançamento do projeto Osborne Reef, equipes continuam o trabalho para resgatar os materiais submersos na costa dos Estados Unidos.