Um Porsche Macan S avaliado em R$ 372 mil, apreendido pela Justiça Federal no Tocantins, desapareceu após uma sequência de vendas ilegais. O veículo de luxo, que seria leiloado, acabou retornando para o antigo dono, investigado pela Polícia Federal (PF) por desviar verbas do auxílio emergencial.

O sumiço foi descoberto quando o tribunal preparava o leilão do carro. O veículo não estava em um pátio oficial, mas sob a guarda de uma responsável legal, conhecida como fiel depositária, que tinha a obrigação de cuidar do bem e não poderia vendê-lo.

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A investigação revelou que o automóvel foi repassado várias vezes no mercado informal. O Porsche foi novamente apreendido pela PF em uma operação realizada no dia 17 de setembro, na cidade de Morrinhos (GO).

Segundo a 4ª Vara Federal Criminal de Palmas, o veículo passou por um esquema estruturado para escapar da fiscalização. Entre os citados na investigação estão Ramon Aguiar dos Santos, Maria de Fátima Silva Aguiar, Adilson Soares da Silva e Santiago de Sousa Carmos.

Entenda o esquema

A apuração detalhou o percurso do veículo desde a primeira apreensão:

  • Apreensão inicial: o carro foi apreendido em 2022 com Ramon Aguiar, durante uma investigação sobre fraudes no auxílio emergencial.

  • Guarda judicial: o veículo ficou sob a responsabilidade de Maria de Fátima Silva Aguiar, que seria mãe de Ramon, segundo a TV Anhanguera.

  • Pagamento de dívida: Ramon repassou o Porsche para Adilson Soares da Silva como forma de abater uma dívida pessoal.

  • Versão de golpe: Ramon alegou ter sido vítima de um golpe de Adilson e afirmou que um terceiro buscaria o carro em Atibaia (SP) para entregá-lo à Justiça.

  • Venda com documento falso: o veículo foi revendido por Adilson para Santiago de Sousa Carmo, que teria usado documentos falsos. Em seguida, o Porsche foi vendido novamente para um terceiro.

A decisão judicial aponta indícios de que Santiago e Adilson são sócios em uma empresa de venda de veículos. O g1 tentou contato com a defesa de Ramon, mas não obteve resposta. As defesas dos outros citados não foram localizadas.

Operação Scelerum Fructus

O Porsche foi originalmente apreendido em 2022 na Operação "Scelerum Fructus". A ação desmantelou uma quadrilha acusada de desviar mais de R$ 1,2 milhão do auxílio emergencial durante a pandemia. O dinheiro era usado para comprar imóveis e carros de luxo.

A Justiça decidiu vender o bem em leilão antecipado para evitar sua desvalorização, momento em que a ausência do carro foi confirmada. O caso é apurado como fraude processual e lavagem de dinheiro.

Para localizar o automóvel, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão em Goiânia (GO), Senador Canedo (GO) e Atibaia (SP). A Justiça Federal também determinou o bloqueio de R$ 372 mil das contas de três suspeitos.

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Apesar do uso de documentos falsos e da ocultação do bem, o pedido de prisão preventiva dos investigados foi negado por falta de requisitos legais. As investigações continuam em sigilo.

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