A colisão do segundo estágio de um foguete Falcon 9 da SpaceX com a Lua, ocorrida na madrugada desta quarta-feira (05), joga luz sobre um problema crescente que acontece bem mais perto de casa: o lixo espacial que orbita a Terra. O fragmento de 4 toneladas, parte da missão Blue Ghost-1 lançada em 2025, atingiu a superfície lunar a quase 8.700 km/h. O evento, que deve ter criado uma cratera de até 30 metros, é um exemplo visível do vasto cemitério de detritos que flutua sobre nossas cabeças, resultado de mais de 60 anos de exploração espacial.

O que é lixo espacial?

Lixo espacial, também conhecido como detritos orbitais, é qualquer objeto feito pelo ser humano que orbita o planeta mas já não possui qualquer utilidade. A lista inclui desde satélites desativados e estágios de foguetes até ferramentas perdidas por astronautas e milhões de pequenos fragmentos de colisões.

Leia Mais

Esses objetos viajam a velocidades extremas, que podem ultrapassar os 28 mil km/h. Segundo modelos estatísticos da Agência Espacial Europeia (ESA), existem mais de 36 mil detritos maiores que 10 centímetros e milhões de fragmentos menores, cada um com potencial para causar danos significativos.

Quais são os riscos dos detritos orbitais?

O perigo do lixo espacial está na sua energia cinética. Mesmo um pequeno fragmento de metal, viajando a uma velocidade tão alta, pode perfurar a blindagem de um satélite ativo ou de uma nave tripulada, como a Estação Espacial Internacional (ISS), que frequentemente realiza manobras para desviar de detritos.

Os principais perigos incluem:

  • Danos a satélites funcionais: colisões podem inutilizar satélites de comunicação, GPS e meteorologia, afetando serviços essenciais na Terra.

  • Ameaça a missões espaciais: o risco de impacto coloca em perigo a vida de astronautas e o sucesso de futuras missões.

  • Síndrome de Kessler: uma teoria em que a densidade de lixo se torna tão alta que uma colisão gera fragmentos que causam novas colisões, criando uma reação em cadeia que pode tornar a órbita baixa da Terra inutilizável.

Para onde vai todo esse entulho espacial?

O destino do lixo espacial depende diretamente de sua altitude. Objetos em órbitas mais baixas, até cerca de 600 quilômetros, perdem velocidade com o tempo devido ao arrasto atmosférico e eventualmente caem, queimando na reentrada na atmosfera da Terra.

Por outro lado, detritos em altitudes mais elevadas, como na órbita geoestacionária a 36 mil quilômetros, podem permanecer lá por séculos. Para evitar colisões, satélites nessa região são geralmente movidos para uma "órbita cemitério" no fim de sua vida útil, um local ainda mais distante e seguro.

Existem projetos para limpar a órbita?

Sim, diversas agências espaciais e empresas privadas trabalham no desenvolvimento de tecnologias para a remoção ativa de detritos. As soluções visam capturar e retirar de órbita os objetos maiores e mais perigosos.

Entre as tecnologias em desenvolvimento e teste estão:

  • Redes e arpões espaciais: projetados para capturar satélites desativados e puxá-los para a atmosfera.

  • Lasers baseados em terra: para aquecer e desviar a trajetória de pequenos detritos, acelerando sua queda.

  • Satélites "rebocadores": que se acoplam ao lixo para levá-lo a uma órbita de descarte ou para reentrar na atmosfera.

    Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

compartilhe