jogos que simplesmente fazem o mundo desaparecer ao redor. “Pokémon Legends: Z-A” faz isso enquanto cumpre algo maior, reposicionando a franquia às vésperas dos 30 anos, testando novos formatos sem romper com sua base estratégica. Pokémon é o tipo de jogo que exige imersão, disponibilidade e constância. O universo precisa invadir a rotina para funcionar plenamente.

Foram oito dias jogando até finalizar a história principal, em uma imersão quase obsessiva de evoluir criaturas, explorar cada canto do mapa e completar registros. Só assim foi possível compreender a alma da proposta.

Neste texto, relato a experiência de jogar o último título da franquia Pokémon lançado antes de a marca completar 30 anos, um capítulo que dialoga com o passado enquanto aponta para o futuro da série.

Essa experiência me levou a uma Paris fictícia cheia de criaturas. Entre avenidas iluminadas, cafés estilizados e telhados que recortam o horizonte, Lumiose City ganha vida própria. A cidade respira, se movimenta e dita o ritmo da jornada, transformando cada exploração em descoberta.

Um turista na capital

Lumiose City brilha em "Pokémon Legends: Z-A". A sensação de ser um turista explorando uma metrópole tridimensional viva é destaque na imersão.

Nintendo/divulgação

O jogo já começa proporcionando um clima diferente. Você chega em Lumiose City de trem, e na hora vem aquela analogia com Paris. Mesmo para quem já conhecia a cidade lá do Nintendo 3DS, agora a pegada é outra. É tudo tridimensional, sem aquele mundo aberto vazio, mas com uma cidade que parece viva. O mais legal é que você não é só um treinador qualquer, você é um hóspede no hotel da capital. O tutorial do jogo te trata como um turista, e você se sente exatamente assim, descobrindo cada praça e cada telhado daquela metrópole.

O ritmo das avenidas

A exploração noturna é estratégica em "Pokémon Legends: Z-A". Capturar Pokémon fortes ajuda a subir no ranking Z-A Royale.

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A história principal gira em torno dos “Z-A Royales”, uma escalada estruturada de ranking. O jogador começa no nível Z e precisa derrotar adversários específicos para alcançar o nível A. A lógica lembra sistemas competitivos modernos, mas aqui está integrada à narrativa e à geografia da cidade.

A alternância entre dia e noite funciona como mecânica central. O dia favorece exploração e captura, permitindo compreender o ecossistema urbano. À noite, áreas específicas da cidade são isoladas para as batalhas de ticket, reorganizando a circulação e as prioridades do jogador. 

Aproveitar o período noturno para utilizar Dusk Balls e aumentar a eficiência nas capturas se torna decisão tática relevante. O retorno das Mega Evoluções reforça essa camada estratégica. Diferentemente de mecânicas posteriores como Gigantamax, de “Sword & Shield”, ou Terastal, de “Scarlet e Violet”, a Mega Evolução oferece impacto imediato nas batalhas sem diluir o equilíbrio competitivo.

Nostalgia e inovação

As Mega Evoluções voltaram em "Pokémon Legends: Z-A"! O combate dinâmico traz batalhas intensas contra Alphas no coração de Lumiose City.

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A mecânica de batalha também chama atenção. O treinador se movimenta pelo cenário enquanto executa comandos em tempo real para o Pokémon. A solução cria uma sensação de dinamismo sem abandonar totalmente a base estratégica por turnos.

A lembrança da jogabilidade de “Zatch Bell: Mamodo Fury”, do PlayStation 2, pra quem jogou, é inevitável. A lógica de controlar o humano enquanto a criatura executa ataques remete àquele modelo. A diferença está na aplicação mais refinada aqui, integrada ao ritmo urbano e à proposta de ação controlada. É um exemplo de como ideias antigas podem ser reaproveitadas com maturidade de design.

A série Legends funciona melhor quando assume esse papel de laboratório. É o espaço ideal para experimentar estruturas e mecânicas sem comprometer o núcleo da franquia principal. Ao mesmo tempo, a batalha por turnos permanece elemento fundamental do DNA de Pokémon. Manter as duas vertentes em paralelo é uma estratégia inteligente de preservação e inovação.

O gargalo técnico

"Pokémon Legends: Z-A" une o futuro ao passado. O jogo funciona como um laboratório de inovações, testando novas mecânicas na série.

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Mas sendo bem sincero, para um lançamento de 2025, o título ainda tem gráficos muito atrasados. A desenvolvedora podia ter dado uma lapidada maior, porque sabemos o que o Switch 2 entrega com "Donkey Kong Bananza" e "Mario Kart World" ou até Third Parties, como "Cyberpunk 2077". As cenas e os personagens parecem ter sido produzidas há duas décadas atrás. 

O problema mais grave é funcional. A transição automática entre dia e noite pode interromper ações em andamento. Em capturas complexas ou durante movimentação em áreas elevadas, o corte para a mudança de horário reseta a posição do personagem e quebra o fluxo da jogabilidade. Trata-se de uma falha de polimento que impacta diretamente a experiência.

Entre legado e futuro

"Pokémon Legends: Z-A" celebra o legado das Mega Evoluções enquanto molda o futuro da franquia com mecânicas inovadoras em Lumiose City.

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“Pokémon Legends: Z-A” fecha o ciclo dos primeiros 30 anos da franquia com uma proposta clara de expansão estrutural. Não é o ápice técnico da série, mas estabelece caminhos. A linha Legends se consolida como campo de experimentação, enquanto a franquia principal preserva sua identidade estratégica. Esse equilíbrio, se bem desenvolvido, é o que pode sustentar a relevância da marca nas próximas décadas.

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*Esta análise foi realizada com chave de acesso ao jogo fornecida pela Nintendo.

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