HACKER DO BEM

‘Hackeei a Nasa’: brasileiro entra no Hall da Fama da agência espacial

Especialista em cibersegurança identificou vulnerabilidades críticas após meses de testes e recebeu carta oficial de reconhecimento da agência

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O brasileiro Carlos Eduardo Zambelli Aloi, de 38 anos, está oficialmente no Hall da Fama da Nasa, a Agência Especial Norte-Americana. O profissional de cibersegurança com mais de 20 anos de experiência em tecnologia da informação identificou vulnerabilidades nos sistemas da empresa

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Aloi teve duas falhas reconhecidas oficialmente após meses de testes realizados dentro do programa de divulgação responsável de vulnerabilidades da instituição. Para ele, o reconhecimento representa um marco na carreira. “Essa conquista é um marco gigantesco na minha trajetória profissional em segurança da informação”, escreveu.

O especialista explica que antes ele treinava e competia em CTFs (Capture The Flag), que são desafios controlados, geralmente em ambientes simulados, criados para testar habilidades de hacking. Nesses desafios, os participantes tentam encontrar falhas propositalmente inseridas em sistemas fictícios ou isolados, como se fosse um “laboratório”. Mas que decidiu migrar para o Bug Bounty, que procura falhas reais em sistemas reais, autorizados pelas próprias empresas — como a Nasa — que permitem que pesquisadores externos testem suas plataformas e relatem vulnerabilidades de forma legal e responsável.

A jornada, no entanto, foi longa e marcada por frustrações. “Foram seis meses intensos desde o início, com frustrações diárias por não encontrar nada relevante”, afirmou. O profissional descreveu o período como “frustrante e muito irritante”, especialmente pela demora no retorno da agência e pela rejeição de parte dos relatórios enviados.

A partir de novembro de 2025, Carlos intensificou os testes, dedicando de três a quatro horas diárias às análises, geralmente após o expediente de trabalho e as aulas da pós-graduação em cibersegurança ofensiva. Ao todo, 26 vulnerabilidades foram reportadas, mas apenas duas foram aceitas pela Nasa. 

As falhas de segurança

A primeira falha aceita, classificada como de alta criticidade, envolvia falha de controle de acesso do tipo IDOR (Insecure Direct Object References, falha de segurança em que o sistema confia demais no que aparece no endereço (link) e acaba mostrando ou permitindo alterar dados que não deveriam ser acessíveis.). A falha consistia em um bypass na autenticação, quando o sistema permite acesso a áreas restritas sem verificar corretamente a identidade do usuário.

“Após o bypass na autenticação, consegui acesso a um documento científico com permissão de edição — você pode imaginar o impacto que isso poderia causar”, detalhou. O arquivo era um artigo científico armazenado no Google Drive, que deveria estar restrito a funcionários da agência. “Era um estudo sobre condições de vento solar e eventos magnéticos”, afirmou ao G1. Segundo ele, chegou a inserir um link falso no documento, demonstrando como as credenciais poderiam ser roubadas.

A segunda vulnerabilidade, considerada de criticidade moderada, permitia acesso a dados sensíveis da infraestrutura interna da Nasa, como repositórios, endereços de IP válidos, credenciais e chaves internas. “Você encontra uma brecha, entra nela e descobre outra. É como um rato procurando um caminho”, explicou.

Como reconhecimento, o brasileiro recebeu uma Letter of Recognition (LOR) assinada pela diretora de segurança da informação da Nasa, Tamiko Fletcher. No documento, a agência afirma que “a capacidade de detectar e relatar vulnerabilidades de segurança é uma habilidade valiosa” e que os relatórios “ajudaram a proteger a integridade e a disponibilidade das informações da Nasa”.

“Hoje, após muito esforço e dedicação, recebi a LOR da Nasa e oficialmente faço parte do Hall da Fama da Nasa”, comemorou Carlos nas redes sociais. O reconhecimento, porém, não incluiu recompensa financeira. “Para mim, é uma conquista pessoal, de testar até onde consigo ir e saber se estou no caminho certo”, disse.

Atualmente, Carlos Eduardo Zambelli Aloi trabalha na Estapar, onde é responsável por estratégias de segurança digital e monitoramento de ameaças. Ele também é fundador do ALQUYMIA, projeto voltado à cibersegurança e desafios técnicos, mantém um canal no YouTube com conteúdos práticos sobre hacking e administra uma comunidade com mais de 10 mil seguidores nas redes sociais.

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