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Saiba quais drogas são detectadas no exame toxicológico para CNH

Especialistas explicam por que o teste não mede quantidade, mas presença de substâncias, e como a medida pode reduzir acidentes no trânsito

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A exigência do exame toxicológico para quem vai tirar a primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH) nas categorias A e B, somada à obrigatoriedade já existente para C, D e E, mudou a rotina de milhões de brasileiros e levantou uma dúvida importante: o que realmente reprova no teste? O exame não indica a quantidade, apenas aponta se houve uso de drogas nos últimos meses.

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Para o coordenador do SOS Estradas e fundador da entidade de vítimas Trânsito Amigo, Rodolfo Rizotto, a medida tem caráter preventivo. “Até o ano passado, centenas de milhares de usuários de drogas recebiam a CNH do Estado porque não havia nenhum controle. Agora, estamos trabalhando na prevenção, o que vai aumentar a segurança de todos.”

Como o exame é feito

O exame toxicológico utiliza cabelo, pelos ou unhas, materiais que guardam vestígios de substâncias por longos períodos. A análise permite enxergar um histórico de 90 a 180 dias e segue regras rígidas de segurança e rastreabilidade.

Segundo o médico toxicologista e diretor técnico da Toxicologia Pardini do Grupo Fleury, Alvaro Pulcinelli, essa é a grande diferença do método. “Exames de urina e sangue mostram uso recente. Já o toxicológico de larga janela funciona como um registro histórico. Mesmo um consumo ocasional pode ser identificado se ocorreu dentro do período analisado”, explica.

O que o teste pesquisa

O laudo é organizado por grupos de substâncias. Se qualquer uma delas for detectada, o resultado é positivo:

- Anfetaminas: Rebite, Anfetamina, Anfepramona e Femproporex

- Metanfetaminas: Metanfetamina, Ecstasy (MDA, MDMA)

- Canabinóides e seu metabólito: maconha, haxixe, skunk, THC

- Cocaína e derivados: cocaína e metabólitos

- Opiáceos e opióides: codeína, morfina (opio) e heroína (6-acetilmorfina)

- Outros: Mazindol (medicamento também com ação estimulante)

Levantamentos nacionais apontam que a cocaína aparece na maior parte dos resultados. “A cocaína gera vários metabólitos que ficam impregnados no cabelo por muito tempo. O exame confirma a exposição à droga”, esclarece Alvaro Pulcinelli.

Positividade escondida

Rodolfo Rizotto alerta que olhar apenas para o percentual de laudos positivos pode distorcer a realidade. “Existe uma positividade escondida: candidatos à primeira habilitação, assim como motoristas profissionais, que não aparecem para fazer o exame porque são usuários frequentes. Ninguém paga por um teste para receber um resultado positivo. A ausência também é um indicador do impacto do exame toxicológico na prevenção e permite ao Estado dimensionar melhor o tamanho do problema.”


Reflexo na segurança

Alvaro Pulcinelli reforça o caráter coletivo da medida. “Não se trata de criminalizar, mas de garantir que quem dirige esteja em condições de saúde adequadas. É uma ação de saúde pública.”

Para Rodolfo Rizotto, o efeito é educativo. “Quando o condutor entende que as escolhas fora do volante também contam, ele repensa comportamentos e, inclusive, desestimula o uso de drogas. Isso significa mais responsabilidade e menos acidentes.”

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Onde realizar

O exame deve ser feito em laboratórios credenciados pelo Denatran. A validade é de 90 dias após a coleta, com preço médio entre R$ 110 e R$ 250 e resultado em até 10 dias úteis.

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