Em meio à crise nacional de dengue, que resultou em diversos municípios brasileiros decretando estado de emergência, especialistas em saúde materna alertam para os crescentes riscos enfrentados por gestantes. Recentemente, o Brasil registrou quase 20 mil novos casos de dengue em apenas 24 horas, destacando a urgência de medidas preventivas para proteger mães e bebês.

Um estudo conduzido pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e divulgado no último ano revela uma descoberta alarmante: mulheres grávidas diagnosticadas com dengue enfrentam um risco cinco vezes maior de desenvolver a forma grave da doença em comparação com aquelas que não estão grávidas. A pesquisa, analisando mais de 27 mil casos de dengue em mulheres de 2016 a 2019, utilizou dados notificados pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde.



Diante dessa realidade, o chefe do Serviço de Reprodução Humana do Instituto de Ginecologia da UFRJ e Diretor Médico da Exeltis Brasil, Ricardo Bruno, ressalta que gestantes com diagnóstico de dengue enfrentam uma maior suscetibilidade à forma grave da doença, conhecida como dengue hemorrágica. Ele destaca que durante a gestação, a imunidade da mulher fica comprometida, agravando os sintomas da dengue, e alerta para as possibilidades de aborto e parto prematuro.

“Mulheres grávidas com dengue no primeiro trimestre têm uma taxa de aborto mais elevada em comparação com aquelas sem histórico da doença nesse período. Além disso, ao longo do desenvolvimento fetal, as gestantes com histórico de dengue apresentam taxas mais altas de parto prematuro. Estes fatores destacam a importância de estratégias preventivas e cuidados especiais durante a gestação, especialmente em meio a uma epidemia de dengue”, destaca o especialista.

Suplementação é essencial para evitar riscos

Diante da atual crise de dengue que assola várias cidades brasileiras, a suplementação adequada torna-se essencial para as gestantes, que já apresentam uma predisposição à depressão de ferro. A orientação de Ricardo inclui o uso de ácido fólico (idealmente já na versão metilfolato), ferro e ômega 3, especialmente em regiões propensas à dengue. Ele destaca a importância de iniciar a suplementação antes da gestação, assegurando uma carga adequada e uma imunidade robusta desde o pré-gestacional.

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Em meio à crise crescente, a conscientização dos profissionais de saúde e a orientação ativa a gestantes e familiares se tornam ainda mais vitais. Bruno enfatiza a necessidade de adaptar a suplementação para gestantes, além de adotar medidas preventivas, como o uso de repelentes. “Em áreas de epidemia, a orientação sobre o uso de repelentes é fundamental, assim como seguir as diretrizes do Ministério da Saúde para evitar focos de mosquitos, especialmente a água parada. A água parada é um fator de alto risco para a proliferação dos mosquitos, e profissionais de saúde devem orientar sobre a revisão domiciliar para eliminar possíveis criadouros”, complementa.

Este alerta urgente destaca não apenas os riscos iminentes impostos pela epidemia de dengue às gestantes, mas também reforça a necessidade de ações imediatas para proteger a saúde materna e fetal.

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