PEC 6x1: governo Lula e oposição articulam, mas um lado já se rende
Senadores da oposição preparam pedidos de vista e emendas. O Planalto, porém, crê que contará com a ajuda do Centrão e que, assim, conseguirá aprovar a proposta
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A estratégia do governo Lula para tentar avançar com o fim da jornada 6×1 antes das eleições, o que pode dar um bom trunfo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está traçada e tem duas peças-chaves: o presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justica) do Senado, o aliado Otto Alencar (PSD-BA) e o próprio presidente da casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
A ideia é que, de um lado, Alencar acelere na comissão a tramitação da proposta a partir do relatório favorável do também aliado Omar Aziz (PSD-AM) e, de outro, Alcolumbre demonstre boa vontade para colocar o assunto em votação no plenário no esforço concentrado marcado para a semana que vem.
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Aprovada na Câmara há quase quatro meses, a PEC só foi liberada para tramitação no Senado na semana passada, depois da reaproximação entre Lula e Alcolumbre. A insistência do Planalto, de olho nos dividendos eleitorais que a redução da jornada pode trazer, embute uma aposta do presidente: ele acredita que poderá contar com os votos dos partidos do Centrão e que a oposição ficará isolada caso tente obstruir a votação.
Do lado da oposição, a ideia é apresentar pedidos de vista do relatório que Aziz levará para a CCJ. O senador já disse que quer submeter seu parecer à comissão até esta quinta-feira, 27. E é aí que o governo espera contar com a ajuda de Alencar para que os pedidos de vista sejam atendidos, mas com um prazo curto, que pode variar de uma hora até um dia. Isso permitiria uma aprovação célere na CCJ, a ponto de a proposta ser encaminhada ao plenário do Senado para votação já na próxima semana.
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Senadores que se opõem à PEC avaliam apresentar uma emenda com a justificativa de reduzir o impacto da redução da jornada sobre o setor produtivo. Com esse movimento já mapeado, a coordenação política do Planalto se articula para derrubar a emenda. Nos bastidores, senadores da oposição já admitem que se trata de uma batalha perdida, antevendo o alinhamento entre Centrão e governo para aprovar a PEC. “Vão passar o trator”, disse um deles, resignado, ao PlatôBR.