Capelinha, no Vale do Jequitinhonha, foi a única cidade do interior mineiro visitada na campanha do segundo turno pelo então candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL). No dia visita, em 15 de outubro, a cidade teve grande aglomeração do chamado “Bloco do 22”, puxado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL). Porém, a movimentação não resultou em votos. Assim como no Brasil, no último domingo, Flávio Bolsonaro perdeu a eleição para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Capelinha, onde ele tinha vencido no primeiro turno.
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O senador do PL tinha saído vitorioso no primeiro turno na cidade do Vale do Jequitinhonha com 10.539 votos (48,20%) contra 9.706 votos (44,39%). do petista – uma diferença de 833 votos. Os outros candidatos a presidente mais votados em Capelinha foram Augusto Cury (Avante), com 864 votos (3,95%); Renan Santos (Missão), com 351 votos (1,61%); Ronaldo Caiado (PSD), que somou 300 votos (1,37); e Romeu Zema (Novo), com 92 votos (,42%).
No segundo turno, Lula virou o placar em Capelinha, onde recebeu 12.001 votos (51,11%) contra 11.479 votos (48,89%) alcançados por Flávio Bolsonaro. O petista teve 2.295 votos a mais (crescimento de 23,64%) do que no primeiro turno enquanto o parlamentar fluminense conquistou 940 votos a mais (avanço de 8,9%).
A vitória de Lula no segundo turno em Capelinha foi comemorada pela escritora e produtora cultural Rosa Santos, de 47 anos, que se identifica como como “uma das porta-vozes do PT do município de 42 mil habitantes. “A campanha do Lula em Capelinha seguiu o mesmo roteiro do Brasil: a mobilização popular se acentuou no segundo turno”, afirma Rosa Santos.
“Nós, do PT municipal, passamos o período que antecede o primeiro turno fazendo caminhadas nos bairros e tivemos carreatas com baixíssima adesão. Logo após o final da apuração (do primeiro turno), mediante a 'convocação' do deputado André Janones (Rede) no “Exército do Lula”, dominamos as redes sociais e passamos a ir diretamente na casa das pessoas”, relata a militante petista.
Ela conta que entre muitas conversas, bate-papos e cafezinhos com aliados, descobriram que muita gente se embananou na hora de votar, uma vez que havia seis votações, e não cinco, como era de costume (para presidente, governador, dois senadores, deputado federal e deputado estadual). "Muita gente acabou anulando o sexto voto, que era o voto para presidente, e nos rincões de Capelinha, este voto sempre foi do Lula, e ainda é”, disse Rosa Santos.
“Também encontramos, sobretudo entre os idosos, uma grande quantidade de pessoas que não votaram no primeiro turno. Elas foram alertadas pelo perigo de um novo governo de extrema-direita e decidiram por ir às urnas para eleger Luiz Inácio Lula da Silva”, descreve a agente cultural.
Rosa Santos disse que, agora, os eleitores do PT estão em festa com a conquista do quarto mandato de Lula como presidente. “Nossa comemoração começa hoje (segunda-feira), com uma carreata, e seguirá durante toda a semana. Estamos programando um grande evento de filiação ao PT de Capelinha. E também nos preparamos para atuar mais ativamente na política local, até mesmo com candidaturas à vereança nas próximas eleições”. No domingo à noite, petistas também comemoram a vitória de Lula com uma carreata na cidade.
Nascido em Capelinha, Matheus Cardoso Silva, de 19 anos, atualmente, estuda Ciência na Computação na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em Belo Horizonte e conta que não conseguiu viajar a sua cidade natal para votar nos dois turnos da eleição deste ano. “Eu não tinha posicionamento específico para nenhum dos dois lados, mas o que eu mais queria que vencesse era o Lula”, afirma Matheus.
Mesmo declarando preferência por Lula, ele afirma que ficou “surpreso” com a vitória do petista em Capelinha no segundo turno. “Sinceramente fiquei surpreso pois as manifestações que tiveram a favor do Flávio movimentaram muito mais pessoas nas ruas do que as manifestações a favor do Lula. Além de que muitos dos meus conhecidos eu já sabia que votariam no Flávio. Então, eu imaginava que o Flávio acabaria vencendo em Capelinha”, relata o universitário.
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A reportagem tentou falar com o prefeito de Capelinha, Jonas Barreiro (União Brasil) e não teve retorno. Mas, de acordo com moradora da cidade que acompanha a política local, ele se manteve neutro na eleição deste ano, sem apoiar abertamente nenhum candidato a presidente da República.
