BRASÍLIA, DF, E WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) — O governo Donald Trump está ciente da ida de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos e vai conceder asilo ao senador do PL, segundo aliados da família que mantêm relação com o país. Eles dizem que Flávio deve chegar nas próximas horas a Miami ou Dallas. Ele teria viajado com a mulher, Fernanda, e as duas filhas.
De acordo com um aliado do clã Bolsonaro, o governo americano teria participado ativamente do plano de tirar Flávio do Brasil. Outra pessoa próxima afirma que o senador não saiu pela Argentina.
Como a Folha de S.Paulo mostrou, aliados do Flávio dizem que ele já está a caminho dos EUA, para onde, segundo eles, o senador decidiu fugir dois dias após perder a eleição presidencial para Lula (PT).
No começo do dia, pessoas próximas a Flávio diziam desconhecer o paradeiro do senador e ironizaram a possibilidade de uma fuga para os Estados Unidos. "Só se ele estiver louco" ou "está vindo de foguete do Elon Musk" foram algumas das respostas.
Mais cedo, o blogueiro bolsonarista Allan dos Santos falou sobre a fuga. Ele afirmou que não tinha detalhes, mas que o senador "tem o dever de proteger" sua esposa e filhas. "Então eu espero, sim, que ele tenha saído do país. Eu não tenho nenhuma informação com certeza, mas eu espero que o Flávio possa ter saído do Brasil."
Outro a comentar a fuga foi o deputado federal Nikolas Ferreira (PL). "Se um candidato a presidente que recebe 60 milhões de votos precisa (supostamente) sair do país, que segurança tem um cidadão comum que se opõe ao atual regime?", escreveu nas redes sociais.
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Agora, já descobriram que Flávio está em voo a caminho dos EUA. A decisão teria sido tomada na segunda (26/10), após o ministro do STF Alexandre de Moraes mandar recolher os passaportes brasileiro e italiano do senador, que tem cidadania do país europeu.
A Polícia Federal cancelou o documento brasileiro de Flávio após o senador não cumprir a decisão judicial. Mas a identidade italiana segue válida. A PF emitiu um alerta para vigiar as fronteiras, mas pode ter sido tarde.
Investigações contra Flávio Bolsonaro
Flávio é investigado em duas ações criminais, sob suspeita de corrupção no âmbito do caso do Banco Master e dos desvios no INSS.
Caso fosse eleito, Flávio teria uma imunidade temporária durante o mandato presidentes não podem ser processados criminalmente por fatos anteriores ao mandato e que não tenham relação com o cargo.
Além disso, perderá o foro especial, ao ver terminar o seu mandato como senador, em fevereiro. É a primeira vez, desde a sua primeira eleição para deputado estadual, em 2002, que ele ficará sem cargo eletivo.
O primeiro inquérito do qual Flávio é alvo trata do pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro, do Banco Master, sob a justificativa de financiar o filme "Dark Horse", sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Assim como Vorcaro, o senador é investigado sob suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
O candidato derrotado negou qualquer irregularidade e disse que o filme só tem recursos privados.
Como mostrou o site The Intercept Brasil, Flávio negociou diretamente com Daniel Vorcaro o repasse de pelo menos US$ 24 milhões (hoje, aproximadamente R$ 122,7 milhões) para a produção do longa.
Outra investigação trata das relações de Flávio com o advogado Willer Tomaz, amigo do candidato derrotado. É apurada suspeita de lavagem de dinheiro.
Willer teve o celular apreendido na Operação Sem Desconto, que trata de fraudes relacionadas ao INSS, e a análise do conteúdo do aparelho revelou movimentações financeiras suspeitas.
Foi nesse inquérito que Moraes determinou, nesta segunda, a apreensão dos passaportes de Flávio. Também proibiu o contato do senador com Willer.
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O fluxo sob investigação inclui plataformas de bets, holdings no exterior e outras empresas vinculadas formalmente ou com sócios de fachada ao advogado. A Polícia Federal afirma ter encontrado "diversos elementos que evidenciam uma relação de proximidade entre Willer e Flávio Bolsonaro".
