O candidato á Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) realizou transações financeiras incompatíveis com sua renda, aponta relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão vinculado ao Banco Central. As informações foram publicadas neste sábado (24/10) pelo jornal O Globo.



Na análise do Coaf, o senador movimentou entre janeiro e março de 2024 um total de R$ 1,3 milhão - sendo R$ 660.111 em créditos e R$ 649.272 em débitos -, volume 7,19 vezes superior ao esperado para a renda informada.

Uma das operações consideradas atípicas pelo Coaf foi o recebimento de R$ 520.277,28 do escritório Gavioli e Viola Advogados Associados em 2024, quantia utilizada para quitar antecipadamente o financiamento de um imóvel adquirido pelo senador em Brasília pelo valor de R$ 5,97 milhões.

Este empréstimo imobiliário foi contratado em 2021 junto ao Banco de Brasília (BRB), com prazo de três décadas para pagar. No entanto, a dívida foi quitada em cerca de três anos, com seis pagamentos extraordinários que variaram de R$ 198 mil a R$ 997 mil.

De acordo com a reportagem, Flávio atuou junto a outros advogados do escritório de citado pelo Coaf em dois processos no Superior Tribunal de Justiça (STJ): um relativo a uma disputa societária entre empresas do setor gráfico, onde o senador teria passado a fazer parte do time a partir de junho de 2024; e o outro na defesa de um casal envolvido no caso que ficou conhecido como Faraó dos Bitcoins, onde ele passou a atuar em abril de 2025.

Ao O Globo, o advogado Bruno Gavioli Lopes, sócio do escritório, disse que não iria se manifestar, alegando que não fala sobre processos em que atua, "menos ainda sobre as parcerias". “Existe um código de ética, e ele será respeitado”, afirmou. Flávio Bolsonaro também foi procurado pela reportagem, mas não se manifestou.

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Supostas irregularidades


O Coaf recebe alertas de bancos e instituições financeiras e, quando identifica indícios de lavagem de dinheiro em alguma transação, emite comunicados para órgãos como a Polícia Federal e o Ministério Público. Esses relatórios não indicam crimes, mas podem ser usados para embasar investigações.

Os documentos obtidos pela publicação fazem parte de uma investigação da Polícia Federal sobre os vínculos do senador com o advogado Willer Tomaz num suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo transações com bets. O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) com a relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

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